Giverny: Visita aos jardins de Monet pertinho de Paris

24 abr

Você tem um pintor favorito? Já imaginou entrar num dos quadros dele? Pois foi assim que me senti quando visitei os jardins de Monet em Giverny, em 2012. É que eu não entendo patavinas de artes plásticas, mas o impressionismo sempre mexeu comigo <3

~DSC06874

~DSC06897

Tanto que o Musée D’Orsay, dominado por essa corrente artística, é de longe meu preferido na capital francesa. E no rol dos impressionistas, não tem mais arrebatador que o querido Claude, né? (sou best). Daí que na minha primeira visita a Paris fui não só no D’Orsay, mas também em outros museus onde ele se destaca: o Marmottan Monet, que fica meio afastado e só recomendo pra quem for realmente fã do pintor, e o Musée de l’Orangerie, que recomendei num dos primeiros posts do blog – apesar de ficar entre o Louvre e a Place de la Concorde e abrigar painéis enormes e lindíssimos das ninféias, ele é ignorado por muita gente.

~DSC06901

Esse blablablá todo é pra dizer que fico fascinada pelas cores, luzes, sensibilidade e delicadeza do impressionismo e pelo quanto esse estilo nos recorda a fugacidade de todas as coisas, que mudam a cada minuto.

E também pra falar que quando fui a Paris pela primeira vez, no inverno, fiquei frustradíssima por não poder conhecer a casa e os jardins do mestre Monet, em Giverny, a uns 80 quilômetros da capital. É que a Fondation Claude Monet só funciona entre 1 de abril e 1 de novembro, porque no resto do tempo as florzinhas devem tar mortinhas :(

~DSC06932

Mas como esse é um blog chegado a finais felizes, já dei o spoiler lá em cima: a frustração logo se resolveu na minha segunda visita, em que o clima era favorável, e hoje posso vir aqui contar como faz pra ir até lá e por que vale a pena \o/

Leia mais posts sobre várias outras cidades da França

A Fondation Claude Monet funciona na casa onde o pintor-jardineiro viveu por mais de 40 anos, até sua morte em 1926. E além de morada, o lugar era uma grande fonte de inspiração. Afinal, não se contentando em viajar pra lá e pra cá e retratar as paisagens mais lindas do jeito mais lindo, o cara ainda conseguiu criar esses jardins que são obras-primas por si sós.

~DSC07001

O jardim das flores (Clos Normand) já é uma graça, mas o momento de tirar o fôlego mesmo é o Jardim das Águas, com vegetação oriental, salgueiros, as famosíssimas ninféias e a icônica ponte japonesa <3 Também não deixe de espiar a casa em si, coberta de flores e super charmosa com seus cômodos monocromáticos (cozinha azul, sala de jantar amarela – amei!) e a coleção de gravuras japonesas de Monet.

~DSC07006

Informações práticas:

Eu fui de trem e não tem muito mistério: basta pegar o metrô até a estação Saint Lazare (que foi pintada por Monet) e comprar uma passagem até Vernon. Você pode comprar a passagem antecipada online, mas não tem desconto nem lugar marcado. A estação fica na linha Paris-Rouen. Soa familiar? Deve ser por causa da Catedral de Rouen, também pintada por Monet em vários momentos do dia ^^

~DSC07016

O trem mais rápido chega em Vernon em 45 minutos. (Obs: quando for viajar de trem na França, não se esqueça de validar – “composter” – sua passagem enfiando-a numas maquininhas amarelas antes de subir no vagão).

Chegando lá, basta seguir as placas pra pegar um ônibus que sai de junto da estação 15 minutos depois da chegada de cada trem. São mais 10-15 minutos de viagem até chegar em Giverny, a uns 5 minutos de caminhada da Fondation. Quando fui, no começo de junho, não tinha muita gente; no auge do verão, no entanto, as filas podem ficar grandes, então se preferir compre o ingresso online aqui.

~DSC07038

A visita dura umas duas ou três horas, dependendo de quanto tempo você passar contemplando os detalhes <3 Neste link, dá pra ver os horários dos trens e se programar. Recomendo sair cedo e levar um sanduíche pra comer na volta, na hora do almoço. Assim, você pode curtir o lugar com menos movimento e aproveitar o resto do dia em Paris. Na época, eu paguei 26 euros (ida e volta) pelo trem + 8 euros (ida e volta) do ônibus + 5 euros do ingresso de estudante (a inteira custa 9,50 euros). E olha, palavra de escoteira: vale muito a pena! As fotos não fazem jus à lindeza, sério :~)

~DSC07054

~DSC07056

7 dicas pra um intercâmbio barato + Entrevista pra o Jornal do Commercio

22 abr

Alô, alô! Todo mundo curtiu o feriadão? Acabei de voltar de São José da Coroa Grande, uma praia no Litoral Sul de Pernambuco. O retorno à civilização depois de uns dias de sombra e água fresca não é fácil, mas pelo menos pude conferir uma matéria em que fui entrevistada, que saiu no caderno de Economia do Jornal do Commercio (o do Recife) nesse domingo (20 de abril) ;)

materia_intercambio_gabi_online

Enquanto aquela matéria do Estadão, onde também dei entrevista, focava em pós-graduação no exterior, essa dá dicas pra quem quer fazer intercâmbio sem gastar muito. Neste link dá pra ler o começo do texto e conferir os valiosos conselhos de alguns especialistas. Como a matéria completa só tá disponível pra assinantes, resolvi reunir as dicas que dei pra repórter e trazer aqui pra vocês \o/ Acaba sendo um apanhado bem mais amplo do que minhas “aspas” publicadas, já que aqui não tenho limitações de espaço – ah, as maravilhas da internet! ;) Vamos lá:

1. Determine seus objetivos

Existem várias formas de viajar gastando relativamente pouco, mas tudo depende do seu objetivo. Não se afobe! A viagem que fulaninho fez pode não ser a ideal pra você, por mais barata que tenha saído; pesquise, se informe e você provavelmente vai encontrar uma opção que corresponde às suas expectativas, o que torna o investimento muito mais válido.

2. Procure uma bolsa de estudos

Acho que não existe forma mais econômica de viajar do que quando uma instituição lhe paga pra isso, né? hehe. Por isso, vez ou outra bato na tecla da bolsa de estudos – que me permitiu fazer mestrado na Espanha, entre outros cursos mais curtos. Procurar uma que lhe interesse e pra qual você esteja apto a se candidatar, preparar tudo e se inscrever dá trabalho, mas é mais palpável do que muita gente pensa. Escrevi vários posts sobre o assunto, que tão dentro da tag “estudos” aqui no blog, mas comece lendo por este aqui. Mais uma vez, repito: também não adianta topar qualquer coisa só “porque é de graça”. Pense no que vai ser útil pra sua vida ;)

3. Vá pra um país onde pode trabalhar

Outra opção é viajar pra um país onde você possa trabalhar legalmente, como Irlanda, Austrália e África do Sul. Existem vários programas, através de agências de intercâmbio, que combinam estudo (aula do idioma local) e trabalho (alguns exemplos aqui, aqui e aqui), enquanto outros são só de trabalho, indo desde estações de ski e lanchonetes a acampamentos, passando por um específico pra Disney e pelos programas de au pair (babá). Via de regra, quanto mais alto seu nível da língua, maiores são suas chances de achar uma vaga interessante e bem remunerada.

A maioria desses é nas férias (e alguns são restritos a estudantes universitários), com exceção do programa de au pair, que é a opção mais barata de longa duração. Em países como os EUA existem leis que regulamentam a atividade e o investimento é bem baixo (de acordo com a matéria de Gabriela López, em torno de R$ 2 mil de taxas pra agência + passagem e custos de passaporte, visto etc.). O melhor é que além de ter hospedagem e alimentação oferecidos pela família com a qual você vai trabalhar, você recebe um salário que cobre outras despesas, como viagens, comprinhas e lazer (nos EUA, o mínimo são 200 dólares semanais). Entre as agências que oferecem o programa estão a CI e a Experimento. Também é possível fazer o programa na Europa, como minha amiga Luzi, que tá morando na Alemanha e conta suas experiências aqui.

Mesmo trabalhos fora da sua área de formação são experiências muito enriquecedoras, mas tem também os estágios que lhe permitem trabalhar com o que você estuda/estudou – mas é preciso ficar atento, porque muitos deles não são remunerados. Pra esses programas, dá pra procurar agências de intercâmbio (como essa) ou associações como IAESTE e AIESEC. Costuma haver mais vagas pra quem é de hotelaria/turismo ou ciências exatas, mas vale a pena procurar algo que se encaixe pra você. Os programas que não são remunerados geralmente incluem alimentação e acomodação pagas pelo empregador, o que já alivia muito o orçamento.

4. Viaje por conta própria

Se nenhum dos programas anteriores lhe interessar e você só quiser estudar um idioma, por exemplo, eu sugiro viajar por conta própria. Pra quem não tem experiência em viagens isso pode ser mais complicado, mas se você tiver segurança, vale muito a pena pesquisar orçamentos não só com agências de intercâmbio aqui no Brasil, mas também direto com escolas (de boa reputação, o que dá pra verificar com conhecidos ou online) nos possíveis países de destino. Foi o que eu fiz no meu terceiro intercâmbio, quando fui estudar francês na Alliance Française em Lyon (falei sobre a experiência aqui e aqui).

Outra forma de economizar é com a hospedagem: muitas agências oferecem acomodação em casas de família ou studios, mas os preços costumam ser bem salgados. Se você for pra uma cidade com vida universitária, é bem provável que encontre um quarto em um apartamento compartilhado com outros estudantes ou em uma residência estudantil por um preço muito mais em conta. Hoje em dia, existem muitos blogs onde as pessoas compartilham experiências, grupos no Facebook pra quem tá procurando apartamento (falei aqui de como achei o meu em Budapeste, por exemplo). Ou seja: dá pra fuçar opções mais baratas sem precisar dar um tiro no escuro.

5. Procure um lugar com baixo custo de vida

Esse fator, mencionado pelos outros entrevistados na matéria, é importantíssimo. Uma dica geral é evitar capitais, porque os preços costumam ser bem mais altos, principalmente pra hospedagem. Além disso, procure saber o custo de vida do país. Se você quiser ir estudar inglês, por exemplo, a Inglaterra é uma opção cara, mas existem muitos outros destinos igualmente interessantes e mais baratos (olha quantos países têm o inglês como língua oficial!).

Outro exemplo clássico é o caso do espanhol: se você não pode ir pra Espanha, onde o euro triplica os custos, e quer fugir da grande quantidade de brasileiros em destinos populares como Buenos Aires, que tal procurar uma cidade menor na Argentina, como Mendoza ou Córdoba, ou então ir pra um país diferente, como Costa Rica ou Uruguai? Falei sobre meu primeiro intercâmbio, em que estudei espanhol na Argentina, aqui.

6. Tenha uma “atitude econômica” em relação à viagem

E outro fator importante é sua atitude: se quiser fazer uma viagem econômica, é preciso desapegar de coisas supérfluas e aprender a ser mais flexível. Tem gente que só gosta de viajar com dinheiro sobrando, podendo fazer mil compras e ficar em bons hotéis. É claro que poder se dar ao luxo de ser mão aberta é ótimo, mas se não for seu caso, não desanime! Procure um programa de intercâmbio barato, junte a grana necessária e um extra pra emergências e incorpore uma atitude econômica durante a viagem ;)

No meu segundo intercâmbio, pra Sevilha, eu tinha bem pouca grana, mas nem por isso deixei de aproveitar. Apesar de não poder rodar a Europa inteira, comprar todas as araras da Stradivarius e comer num restaurante diferente a cada dia, estudei muito, conheci vários lugares legais, fiz muita farra, fiz amigos e voltei cheia de boas lembranças.

Comer e beber em casa, por exemplo, são hábitos simples que barateiam muito o dia a dia. Se estiver na Europa, a vontade de viajar é inevitável, com tudo tão pertinho, mas você pode dar prioridade às companhias aéreas “low cost”, que fazem promoções absurdas (falei sobre elas aqui), e pesquisar passes de trem.

7. Planeje-se, pesquise, informe-se!

A dica final serve pra qualquer viagem e é essencial pra quem não quer gastar mais do que deve. Quando você se planeja com antecedência, além de poder parcelar alguns gastos e conseguir tarifas mais baratas pra outros, você tem mais tempo pra pesquisar sobre o destino. E quanto mais informação você tiver, mais difícil cair em roubadas e ter gastos imprevistos ou desnecessários.

Pesquise, por exemplo, sobre lugares baratos para comer, opções de transporte mais econômicas (como um cartão mensal para o transporte público, existente em muitos países, ou a opção de comprar ou alugar uma bicicleta), supermercados com descontos (na Espanha, por exemplo, muitas redes têm produtos da “marca branca” por preços bem abaixo das marcas mais populares e com qualidade similar), entre outros fatores que podem aliviar muito seu bolso. A internet tá aí pra isso, gente! \o/

7 filmes pra inspirar sua próxima viagem

14 abr

Você que lê este blog provavelmente tá comigo nessa: enquanto a gente não viaja, faz o quê? Pensa em viajar! \o/ E enquanto a data da próxima incursão por outras terras não se aprochega, vamos inventando formas de nos transportar pra outros lugares, nem que seja nos sonhos. E quer coisa melhor pra isso do que a literatura e o cinema?

Foi por isso que criei uma tag “Livros” aqui no blog, onde vez por outra falo de leituras relacionadas a viagens :) Pra parte do cinema, aqui vai uma listinha com filmes que mostram a jornada de alguém por um ou vários lugares além-lar (inventei essa expressão agora, bjs).  Parei em 7 por enquanto, mas a ideia é que a lista continue nos comentários, combinado?

1. Antes do Amanhecer – Viena

before_sunrise

Quem lê o blog há um tempinho já sabe que esse é meu filme preferido <3 Tanto que quando fui a Viena, refiz os passos de Jesse e Céline e fiz post aqui contando. No filme, que data de 1995, uma jovem francesa (Céline, interpretada por Julie Delpy) encontra um jovem americano (Jesse, representado por Ethan Hawke) num trem e resolve descer com ele em Praga. Eles passam uma noite juntos, até que chega a hora do voo dele de volta aos EUA e ela pega o trem de novo pra voltar a Paris. No meio-tempo, eles caminham pela cidade, descobrindo Viena e, mais importante, um ao outro.

Em certo momento, Céline diz uma coisa em que acredito muito, e que tem muito a ver com a descoberta de novos lugares e pessoas: “If there’s any kind of magic in this world it must be in the attempt of understanding someone, sharing something” (Se existe algum tipo de mágica nesse mundo, ela deve estar na tentativa de entender alguém, compartilhar alguma coisa). E uma das coisas mais legais é que o roteiro, que havia sido escrito em 11 dias pelo diretor Richard Linklater, foi praticamente reescrito por Julie e Ethan, que certamente colocaram muito deles ali :)

A história virou uma trilogia, mas Antes do Amanhecer é meu preferido e é o que mais fala sobre viagens, encontros e coisas imprevisíveis que mudam a gente quando estamos abertos a elas. O segundo filme (Antes do Pôr do Sol), gravado em 2004, se passa em Paris e também é uma delícia. O terceiro (Antes da Meia-Noite), de 2013, leva o casal até Messênia, uma pequena ilha na Grécia.

2. Na Natureza Selvagem – EUA

into_the_wild

Esse também já marcou presença aqui no blog, no post em que falei sobre o livro que deu origem ao filme de Sean Penn. Baseados numa história real, tanto filme quanto livro mostram um pedaço da vida de Chris McCandless, um rapaz de classe média norte-americano que, em 1990, saiu de casa depois da formatura da faculdade sem avisar a ninguém aonde ia. Doou US$ 24 mil em economias, abandonou o carro, queimou o resto de dinheiro que tinha na carteira e inventou uma nova vida pra si mesmo na estrada: seu nome agora era Alexander Supertramp, mestre do próprio destino. Depois de dois anos pegando carona, morando na rua e fazendo bicos, McCandless chegou ao que devia ser o ápice da sua jornada: uma incursão solo no Alasca.

A história é cercada de certa polêmica, mas acho que a essência é algo com que todo viajante se identifica. Chris queria descobrir quem ele era sem ser atrapalhado por todas as expectativas da sociedade – o que é, a propósito, um dos motivos que eu mencionei na minha lista de boas razões pra viajar sozinho. A trilha sonora e as paisagens incríveis já são suficientes pra me deixar morrendo de vontade de pegar a estrada. E o que dizer da motivação de Chris, que queria ver e sentir o mundo intensamente? Difícil deixar o bichinho da viagem quieto quando sobem os créditos ;)

3. Encontros e desencontros – Tóquio

lost_translation

Primeiro queria dizer que acho o nome original do filme, Lost in Translation, uma lindeza só <3 Depois queria comentar que quando assisti a esse filme pela primeira vez, em 2008, ele me doeu. Já já explico por quê. Antes, vamos à sinopse: Encontros e Desencontros nos apresenta a Charlotte (Scarlett Johansson), uma jovem americana que viaja a Tóquio acompanhando o marido, que foi a trabalho, e é totalmente negligenciada por ele. A solidão que ela sente na cidade, no meio da multidão e da língua desconhecida, faz par com a confusão que ela sente em relação a seu lugar nessa vida.

Mas aí acontece um encontro inesperado: ela conhece Bob Harris (Bill Murray), um ator decadente, também americano, que tá lá pra gravar um comercial. As diferenças culturais e linguísticas em relação ao Japão unem Bob e Charlotte, mas não são só elas. É que as angústias de um e de outro já os estavam deixando, antes mesmo da viagem, “lost in translation” em relação às pessoas próximas.

Escrevi sobre o filme num blog antigo e passei alguns anos sem coragem de revê-lo. É que na época eu me sentia meio Charlotte, ainda que estivesse bem longe do Japão. Hoje, um pouco mais segura sobre o meu lugar no mundo, vejo o filme com outros olhos. Agora, o que mais me chama atenção no meio dos barulhos, pessoas e neon não são os tantos desencontros da vida, e sim os encontros. Vejo na distância muito mais a possibilidade de encontrar alguma coisa do que de estar perdida. Espero que você se sinta assim também, com o filme e com a vida. hehe :)

4. Albergue Espanhol – Barcelona

albergue_espanhol

O Ipea apurou que 10 entre 10 jovens que vão morar fora por um tempo, principalmente dividindo apartamento com gente de vários outros países, se identificam com esse filme ;) Falei brevemente dele por aqui, no post que escrevi assim que cheguei a Valladolid. No texto, comentei que além da mistura de línguas e culturas, que é uma delícia, o filme fala sobre a experiência de deixar coisas pra trás e ir tentar se descobrir longe de casa. A trama é simples, mas divertida, e a história é vista sob o ponto de vista de Xavier, um estudante francês que vai ser Erasmus na Espanha.

Dividindo um apartamento barceloneta com um italiano, uma inglesa, um dinamarquês, uma belga, um alemão e uma espanhola, Xavier se diverte litros, aprende muito, sofre um pouco e conclui a experiência transformado – as mudanças, vale ressaltar, vão muito além do nível de espanhol muito melhor que no início da viagem. Soa familiar? Acontece nos filmes, acontece na vida, acontece na TNT ;)

5. Diários de Motocicleta – América do Sul

diarios_motocicleta

Existem muitas motivações e muitos resultados possíveis pra uma viagem. Em 1952, aos 23 anos, Ernesto Guevara resolveu acompanhar seu amigo Alberto Granado em um percurso de moto através do continente onde viviam – até que a pobre “La Poderosa” quebrou, no que seria apenas um de muitos imprevistos no percurso da dupla. A jornada acaba dando a Che uma consciência mais ampla sobre as disparidades sociais na América do Sul.

O filme mostra como os encontros inesperados no caminho do jovem Guevara colaboraram para moldar a forma em que ele via o mundo e motivaram suas atitudes posteriores, pelas quais ele ficou conhecido. Como diz a contra-capa do diário de viagem de Che, publicado como livro, a obra é “o retrato do momento em que começa a se formar um mito”. Momento esse que teve início com uma viagem. Ou melhor, mais que isso: com a mente e o coração abertos.

6. Meia-noite em Paris – Paris

meianoite

O legal, aqui, é que a viagem geográfica se mistura a uma viagem no tempo ;) Mesclando comédia com uma dose de realismo fantástico, Woody Allen fez um filme divertido e que vai um pouco além de uma homenagem à Cidade Luz. Acho difícil você que está lendo ainda não tê-lo assistido, mas em todo caso, senta que lá vem sinopse:  O escritor americano Gil (Owen Wilson) vai passear com a noiva Inez (Rachel McAdams) e os pais dela por Paris. Enquanto ele sonha em morar lá e, inspirado pela cidade, escrever um romance, a noiva e seus pais jamais viveriam fora dos Estados Unidos e se deixam impressionar por um amigo pedante que fica vomitando “cultura” na galera. Pobre Gil :P

Até que, andando pela cidade perto da meia-noite, Gil acaba voltando misteriosamente à década de 20, onde começa a interagir com vários personagens icônicos da época, de Fitzgerald e Hemingway a Dalí. A criatividade e a inspiração, as funções da arte e a idealização de uma época e um lugar são alguns dos temas que pululam no meio de um monte de referências artísticas/históricas e sacadas engraçadinhas. No meio de tudo isso, dá pra se encantar (mais) por Paris ou sonhar com que personagens históricos você queria encontrar mundo afora, hehe.

7. Um Beijo Roubado – EUA

blueberry

Amei esse filme antes do lançamento, já que fiquei na expectativa por meses, e continuei amando depois de assistir pela primeira vez. Aí fui revê-lo alguns anos depois e achei bem ruinzinho. hahaha. Mas mesmo com o exagero de metáforas, a falta de sutileza e as atuações bem aquém do potencial da galera, ainda considero um filme legal pra essa lista. Nele, a viagem não é tanto por paisagens e lugares, mas por pessoas. A história é assim: Elizabeth (Norah Jones <3) termina um relacionamento e, entre uma torta de blueberry e outra no bar de Jeremy (Jude Law <3), decide tomar o caminho mais longo pra seguir em frente com a vida. Ela pega o carro e viaja pelos Estados Unidos, não só pra fugir dos cacos do que se foi, mas também pra se reconstruir.

Nesse caminho, ela conhece gente que quer fugir de alguma coisa ou se apegar de todo jeito a algo/alguém. E encontra nessas pessoas tão diferentes dela um pouco de si mesma, o que pra mim é um dos aspectos principais de uma verdadeira viagem. Além disso, Elizabeth também tem que se despedir daqueles que encontra. Numa encruzilhada, dois carros se separam, e é inevitável pensar em quantas vezes não nos encontramos nessa situação. Hoje, quando penso nesse filme, me lembro das cores, luzes, músicas, reflexos, tortas. E de como às vezes a gente precisa ir pra longe pra poder voltar pra casa.

*

Tem muitos outros que ficam pra um próximo post – e pra isso, aceito de muito bom grado as sugestões de vocês! De cabeça, lembrei de outros road movies como os clássicos Easy Rider e Thelma e Louise e outros mais recentes como Vicky Cristina BarcelonaAntes de Partir,  The Way – O Caminho de Santiago de Compostela e Na Estrada. Sem falar nos títulos mais românticos como Sob o Sol da Toscana, Cartas para Julieta e Comer, Rezar, Amar ;)

Enquanto a parte 2 do post não sai, conta pra gente: que filme te faz sonhar com uma viagem (ou várias)?

(Re)descobrindo Olinda: A Casa do Cachorro Preto

2 abr

Zeus era o guardião da casa. Preto, grande e brabo, o cane corso protegeu o número 99 da Rua 13 de maio, na Cidade Alta de Olinda, até morrer de câncer em 2012. E sua fama era tanta que ele servia de referência pra todo mundo que queria chegar ali – desde delivery de comida a amigos – e acabou dando nome à casa que hoje é galeria, loja e um quintal delicioso pra shows e outros encontros. Um lugar essencial pra quem busca algo aconchegante e alternativo pelas ladeiras olindenses: A Casa do Cachorro Preto.

~~IMG_0282.jpg

O espaço começou como moradia e atelier de Raoni Assis, artista plástico local superinteressante, muito ligado à cidade e à arte de rua (e autor da ilu do cartaz oficial do Recife na Copa, btw). De forma natural, o lugar foi se abrindo pra troca entre artistas, bate papos e ensaios de músicos e DJs amigos. Daí pra virar um dos points da cena olindense foi um pulo.

A casa de Raoni foi reduzida a uma sala e um mezanino, a parte da frente ficou dedicada a exposições – de amigos e artistas que não costumam marcar presença nos espaços mais convencionais – e o amplo quintal ganhou uma escadaria de concreto e um palco. Txarans!

~~IMG_0301

~~IMG_0293.jpg

Desde março de 2012, a Casa recebe um tanto de eventos interessantes. Além das exposições, que acontecem o ano todo, um destaque é a lojinha com produtos de parceiros da casa, que surgiu com o objetivo de mostrar que arte pode ser “acessível, utilizável e de boa qualidade”, como afirma o pessoal de lá. Tem desde ímãs e cartões postais charmosos e pouco convencionais a camisetas, HQs, CDs e reproduções de ilustras e de cartazes (maravilhosos) de shows passados. Boa opção pra comprar um souvenir diferente, como um cineminha de bolso mostrando o Pátio de São Pedro ou Brasília Teimosa, ou um postal ilustrado por um papangú estilizado ^^

~~IMG_0290.jpg

~~IMG_0274

E é claro: vale muito a pena ficar ligado na página deles no Facebook pra conferir os eventos que tão programados pra quando você estiver por aqui. Já rolou chorinho e jazz periodicamente, programação que deve voltar depois de um tratamento acústico no quintal. Nas sextas, tá começando agora o projeto “todo ouvido”, em que se escutam discos completos. No sábado tem festinhas mais badaladas e domingo é dia de DJs. Mas é bom chegar cedo: eles começam a tocar às 17h e seguem até umas 23h. Além disso, uma quinta-feira por mês é dedicada à exibição de filmes, pelo cineclube Cine Direto.

Como se não bastasse, a gordinha em mim também sai de lá satisfeita! É que rolam umas comidinhas simples, caseiras, daquelas que dão um calorzinho no coração ^^ Recomendo a empada de frango e o bolo de cenoura com calda de chocolate. Também tem bolo de tapioca, salgadinhos de queijo daqueles de festa e um cafezinho. Ou, se você já tiver enchido a barriga de tapioca por Olinda, vá de cervejinha gelada mesmo ;)

~~collage_cachorro.jpg

~~IMG_0272

Seja como for, a visita à Casa do Cachorro Preto é gostosa e leve. Tem gente jovem e interessante, tem música boa, tem arte bonita e o melhor de tudo é que tem uma vibe de “sinta-se em casa” - e eu não sei você, mas eu dou o maior valor pra isso! O clima é de portas abertas, zero frescura, plantinhas, cadeiras simpáticas e um ventinho na nuca.

Enquanto isso, o cachorro novo da casa, Preto (um dogo argentino todo branco) cumpre o papel de proteção que herdou de Zeus. Cuidando, é claro, de todos os visitantes-agregados que aparecerem. Porque essa é, como eles bem descrevem na página do Fêice, “Uma casa de agregados. E cachorros. E imagens. E ideias“. Vamo chegar por lá?

~~IMG_0279.jpg

Serviço:

A Casa do Cachorro Preto
Rua 13 de maio, nº 99, Cidade Alta, Olinda
Funcionamento: de quinta a domingo, das 16h às 21h
Telefone: (81) 3493.2443

Albergues: Coisas úteis para levar e facilitar sua vida e a dos outros

31 mar

Quando você vai acampar, leva um monte de tralha, né? Barraca, colchonete, lanterna, papel higiênico, repelente… Pois bem: a hospedagem em um albergue não é tão roots, é claro, mas também pede por alguns objetos específicos pra facilitar sua vida e a do pessoal que vai dividir o espaço com você. Nenhum deles é absolutamente indispensável, mas todos são coisas simples e úteis pra lhe ajudar a ficar mais tranquilo e incomodar menos os outros ;) Por isso, fecho a série de posts sobre albergues (que já incluiu vantagens e desvantagens desse tipo de hospedagemdicas pra escolher o seu e regras de convivência) com mais uma listinha:

1. Cadeado

Já falei aqui sobre a importância de ter um locker no quarto, ou seja, um armário seguro onde guardar suas coisas. Alguns têm espaço pra mala inteira, outros só pra os itens mais valiosos; alguns são modernos e fecham com o cartão-chave do quarto, outros são vintage e exigem o uso de um cadeado. Nesse último caso – que acredito ser o mais comum – tem uma pegadinha: dificilmente o hostel vai lhe oferecer o cadeado gratuitamente. Alguns vendem ou alugam um na recepção (por preços geralmente inflacionados), mas nem todos. Por isso, melhor se garantir e viajar com o seu. Se possível, leve dois: um pra mala, que talvez tenha que ficar do lado de fora, e outro pra o locker.

2. Chinelo

Se o banheiro for compartilhado, você sabe que vai dividi-lo com várias pessoas desconhecidas – e com níveis de higiene igualmente desconhecidos, hehe. Por isso, uma recomendação comum é tomar banho de chinelo. Pessoalmente, nem acredito tanto no poder do chinelo nesse sentido, mas nunca deixo de levar minhas havaianas, que também são muito úteis pra andar pelo corredor até o banheiro, por exemplo :)

Havaianas pra que te quero <3 Foto: Kai Hendry/Wikimedia Commons

Havaianas

3. Extensão ou multiplicador de tomada

Infelizmente, tem uma coisa básica que não parece estar presente nas mentes de quem constrói/reforma um imóvel pra usá-lo como albergue: o fato de que quanto mais pessoas dividem um quarto, mais tomadas serão necessárias. Num mundo de smartphones, tablets e gadgets mil, um simples terminal externo de uma instalação elétrica torna-se um item mais valioso do que o último pão do café da manhã. Por isso, além de pensar no adaptador adequado ao país visitado, pense nos momentos em que precisará carregar seu celular e todas as tomadas estarão ocupadas e leve também uma extensão ou multiplicador ;) Assim, você também não precisa se preocupar por estar monopolizando as tomadas do quarto com seus eletrônicos, e seus companheiros ficarão felizes \o/

4. Toalha de microfibra

“O que o estrito vai pensar é que, se um sujeito é capaz de rodar por toda a Galáxia, acampar, pedir carona, lutar contra terríveis obstáculos, dar a volta por cima e ainda assim saber onde está sua toalha, esse sujeito claramente merece respeito” (ADAMS, Douglas, 1979). Todo nerd sabe que a toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. No caso dos mochileiros terrestres, no entanto, carregar uma toalha felpuda e gorducha pode ser um saco. Primeiro porque todo espaço é precioso na bagagem de um viajante econômico, e já pensou quantas coisas cabem no espaço de uma toalha? Segundo porque esses úteis objetos têm como objetivo de vida ficar molhados, o que torna seu transporte ainda mais complicado (se esse post tivesse cheiros, você estaria sentindo agora aquele desagradável odor de coisa molhada e guardada).

Por isso, minha vida mudou quando eu descobri a toalha de microfibra <3 Da primeira vez que a vi, na casa de uma amiga, nem entendi que se tratava de uma toalha (o que ainda acontece com muita gente que vê a minha, hehe). Depois, soube que era um acessório pensado pra esportistas (daí meu desconhecimento, visto que sou a pessoa menos esportista da Via Láctea) e fui correndo comprar uma. Elas não são tão “confortáveis” de usar quanto as tradicionais, mas ocupam muuuito menos espaço e secam super rápido <3 <3 <3 Comprei a minha na França, mas não é difícil de achar por aqui. Se por acaso você não encontrar uma ou quiser economizar (ainda que elas custem só uns R$ 25, investimento superválido), tem mochileiros que compram pano pra fraldas pra usar com o mesmo fim, hehe. Mas apesar de ocupar pouco espaço, essas fraldas de pano não secam tão rápido…

O produto que mudou minha vida viajante <3

O produto que mudou minha vida viajante <3

Esse, pra mim, é um item superimportante em qualquer viagem – não precisa nem ser pra albergue. Fico sempre feliz quando consigo dormir no ônibus, carro, trem ou avião, especialmente durante uma viagem longa, e usar uma máscara pra dormir torna isso muito mais fácil. Como elas ocupam pouco espaço, deixo sempre na bolsa quando vou cair na estrada. No quarto compartilhado, a utilidade é óbvia: sempre pode existir aquele fulano sem noção que fica acendendo a luz à noite. Use sua máscara e adquira super poderes que lhe permitirão ignorar a luminosidade ;)

    Meu amigo - que permanecerá anônimo - não tinha uma máscara para dormir ;)

Meu amigo – que permanecerá anônimo – não tinha uma máscara para dormir ;)

6. Protetor de ouvido ou mp3 player

Pra quem tem sono leve, bloquear a luz não é suficiente. Por isso, muita gente considera essencial levar também protetores de ouvido, que ajudam a abafar os sons de conversas, gritos, roncos, risos e outros barulhos alheios. Os poucos protetores que já usei não me pareceram muito eficazes, mas sei que tem uns bonzões – tanto que uma amiga fica completamente surda enquanto usa os dela. Mas seja como for, tem outra coisa que pra mim os substitui muito bem: música ;) Tento deixar sempre o iPod carregado pra essas horas.

7. Luz de leitura individual

Se você for dos meus e tiver o hábito de ler ou planejar algo do dia seguinte antes de dormir, não dá pra confiar que os albergues tenham sempre uma luz individual. De todos os hostels onde me hospedei até hoje, acho que só uns 5 ofereciam essa facilidade. Por isso, pode ser interessante comprar uma daquelas luzinhas de leitura individuais e levar consigo. Você pode encontrá-las em aeroportos (nas lojas que vendem também travesseirinho de avião, cadeados, máscaras de olhos etc.) ou, por um preço mais decente, em lojas tipo MultiCoisas e pela internet, é claro.

Não incomode os outros ao ler antes de dormir

Não incomode os outros ao ler antes de dormir

8. Sacolas de pano

Esse é, entre os itens dessa lista, o mais voltado pra os outros :) É que na hora de fazer a mala, muita gente coloca várias coisas em sacolas: itens de higiene, roupas íntimas, roupas sujas, carregadores pra os gadgets etc. E essas sacolas costumam ser de plástico, né? Apesar desse ser o material mais recomendado pra armazenar líquidos, que podem vazar, muitas vezes as sacolas podem muito bem ser substituídas por modelos de pano – tipo aquelas que vêm com alguns sapatos. Qual a vantagem disso? Simples: você não faz barulho enquanto as manuseia. E se você já tentou dormir enquanto alguém mexia na mala e quase enlouqueceu com o barulho constante de plástico, sabe do que eu tou falando.

E você? O que marca sempre presença na sua mala na hora de viajar e ficar num albergue? Conta pra gente :D

Leia mais:

Albergues: Regras básicas de convivência

Albergues: Dicas pra escolher um que não seja uma roubada

Albergues: Vantagens e desvantagens