Como economizar em viagens

11 ago

Viajar pode ser caro. Muito caro. Mas também pode ser bem mais barato do que você imagina ;) Na minha primeira vez na Europa, em 2009, eu tinha pouco mai$ do que o necessário pra sobreviver no dia a dia em Sevilha, onde tava morando. Ainda assim, consegui fazer algumas viagens bem legais: fui pra Portugal, Itália, França e Inglaterra e dei um rolé pela Espanha gastando menos por dia do que muita gente gasta em, sei lá, Porto de Galinhas.

Pude fazer isso porque poupei um bocado durante o intercâmbio em si (leia o post 7 dicas para um intercâmbio barato) e também porque fiz viagens bem econômicas (além de usar e abusar das companhias aéreas low-cost, sobre as quais falei aqui). Como qualquer coisa na vida, quanto mais a gente viaja, mais a gente aprende; por isso, de lá pra cá desenvolvi ainda mais estratégias pra conhecer outros lugares gastando pouco – e passando menos perrengue do que naquelas primeiras viagens. Seguem, então, minhas dicas supersecretas e ultramilagrosas (só que não) pra fazer a próxima viagem caber no bolso:

1.Escolha um destino barato

Esse é um fator básico, que já citei no post sobre intercâmbio barato e pode fazer uma grande diferença. É que muitas vezes a gente foca em destinos com custo de vida alto, preços muito turísticos etc e tal, enquanto o mundo tá cheinho de opções mais em conta e não por isso menos interessantes. O Sudeste Asiático, por exemplo, é queridinho dos mochileiros, em parte pela grande vantagem financeira. A América Latina, é claro, oferece não só passagens com preços interessantes pra quem tá no Brasil, como também moedas menos valorizadas que a nossa. É claro que dá pra gastar muito em alguns roteiros, mas o continente é grande e tem todo tipo de opções!

Lugares que ainda não foram tão explorados turisticamente, muitas vezes a poucos quilômetros de destinos famosos, podem reservar agradáveis surpresas. Abra a cabeça e veja o que está em promoção, onde a hospedagem é mais barata e onde seu dinheiro vale mais. Isso não significa necessariamente abrir mão de conhecer a Europa, por exemplo; nesse caso, por que não equilibrar destinos como Londres com outros mais baratos, como Budapeste? Uma dica pra quem não sabe por onde começar é consultar listas como esta, que compila as seis cidades mais baratas no Velho Mundo de acordo com o Índice Europeu de Mochileiros ;)

budapeste_foto

2. Viaje na baixa temporada

Nem sempre dá pra gente tirar férias no período ideal, mas evitar a alta temporada é uma das máximas não só pra economizar, mas também pra aproveitar os lugares sem aquele mega furdunço turístico e ter mais tranquilidade pra encontrar hospedagem. Sem falar que a primavera e o outono são estações maravilhosas ;) Se puder, seja flexível com as datas da viagem, podendo assim escolher voos e roteiros mais em conta.

3. Pesquise, pesquise e pesquise mais um pouco

Essa “regrinha de ouro” já apareceu no tal post com dicas pra um intercâmbio barato. A pesquisa é importante não só pra escolher o destino, mas também pra saber como otimizar seu tempo E seu dinheiro quando chegar lá. Na primeira etapa, existem muitos recursos que ajudam a ter uma ideia dos gastos em determinado destino, como o site Numbeo, que compara o custo de vida em vários países, listando preços médios de hotéis, refeições, táxis, ônibus, comidas e bebidas. Tem até um site que diz quanto você deve dar de gorjeta em cada lugar :D

Escolhido o destino, comece a se preparar o quanto antes. Uma dica é ficar logo de olho na cotação do dólar ou euro, caso precise comprar uma dessas moedas, pra poder aproveitar as melhores oportunidades.

E é claro: pesquisar sobre o(s) lugar(es) aonde vai é fundamental. Minha fonte inicial costuma ser o site da Rede Brasileira de Blogs de Viagem (RBBV), da qual o Janelas faz parte :) A página tem um menu com destinos do mundo todo e em cada um há uma lista de posts de diversos blogueiros sobre o local.

Algumas coisas que você pode procurar saber e podem influenciar muito nos seus gastos são formas mais baratas de ir do aeroporto/estação até seu local de hospedagem, dias ou horários em que certas atrações são gratuitas, lugares pra comer bem e barato, dicas de hospedagem em conta e informações sobre a cultura local que podem evitar que você entre em roubadas ;)

rbbv_print

4. Passe mais tempo em cada lugar

Deslocamentos podem ser caros, tanto entre uma cidade e outra quanto na mesma cidade, especialmente quando você tem pouco tempo e quer ver mil coisas de uma vez só. Além disso, quanto mais tempo você passa num destino, mais você conhece o lugar, as pechinchas, o funcionamento do transporte público… Viver “como um local” é bem mais barato, além de lhe permitir descobrir pequenos e grandes tesouros em termos de gente, cultura e lugarzinhos especiais ^^

5. Escolha hospedagens alternativas

Quer economizar de verdade? Evite hotéis. Com algumas exceções, a hospedagem é um dos itens mais pesados no orçamento de viagem. Se você considera uma prioridade ficar num lugar mega confortável, com privacidade ou até mesmo pequenos (ou grandes) luxos, tá ótimo, mas lembre-se que você terá que cortar outros tipos de gastos se quiser fechar a conta num valor razoável. Se você for menos exigente nesse sentido, por outro lado, existem mil opções de acomodação muito mais em conta do que hotéis :)

Acho que a mais óbvia são albergues, onde você pode tanto dividir quarto com 20 pessoas quanto compartilhar só com seu grupo de amigos, ou mesmo ficar num quarto privativo. Já falei aqui das vantagens e desvantagens desse tipo de hospedagem, e pra mim o clima e as pessoas estão entre os principais pontos positivos, juntinho do fator economia.

Mais barato ainda é se hospedar de graça, hehe. Você pode fazer isso através do Couchsurfing, um site que permite oferecer e buscar acomodação grátis em qualquer parte do mundo, na casa de pessoas que moram no lugar. No entanto, como eu ressaltei nesse post, não recomendo o esquema pra quem tá só interessado em economizar, já que ele exige certa dose de disposição pra se adaptar à realidade/intimidade de uma pessoa desconhecida. A graça é usar e abusar do esquema, que eu acho genial, com a ideia de conhecer gente interessante e ter uma visão diferente do lugar visitado ^^

Outra opção é descolar acomodação e refeições gratuitas em troca de trabalho. Dá pra fazer isso em uma fazenda ecológica através do WWOOF, uma rede que dá a oportunidade de conhecer formas de vida alternativas e pessoas interessantes em várias partes do mundo. Existem também sites similares mais amplos, como o HelpX, que reúne não só fazendas, mas também albergues, casas de família e outros estabelecimentos onde você pode se hospedar de graça se estiver disposto a ceder algumas horas de trabalho por dia.

Ps: entre uma hospedagem baratíssima ou até mesmo gratuita numa localização péssima e outra com preço médio, mas supercentral ou pertinho de transportes públicos, escolha a segunda. Deslocamentos longos e complicados podem gerar muitos gastos, e ninguém quer ficar três horas no metrô diariamente em vez de aproveitar mais o lugar, né?

albergue

6. Seja esperto com as refeições

Comida é muito importante pra mim. É um dos gastos que mais pesam no meu orçamento mensal – por isso mesmo, é o que mais tou tentando cortar pra juntar grana pra… viajar! -, mas em viagens eu tenho considerado cada vez mais como uma prioridade <3 Provar as comidas locais é uma das minhas coisas preferidas, então eu já não faço coisas como passar uma semana comendo Mc Donald’s e pão com queijo.

No entaaanto, isso não significa sair gastando a torto e a direito. Primeiro que eu não faço questão de comida “chique”, então pra mim “comer bem” num país/cidade diferente em geral significa ir a restaurantes não muito turísticos e não muito hypados, e é claro: me jogar na comida de rua :)) Fazendo assim, dá pra provar muita coisa sem ir à falência (vou deixar os restaurantes três estrelas Michelin pra quando ganhar na Mega).

Dito isso, seguem algumas dicas pra economizar com comida sem passar perrengue: evite lugares muito badalados, nas ruas principais e mais movimentadas, e não considere apenas as recomendações dos guias turísticos e do hotel, mas também (ou principalmente) das pessoas nas ruas. Evite comprar comida no hotel e se jogue nos mercados públicos e supermercados (um dos meus passeios preferidos em outros países, btw). Procure restaurantes-pechincha (feito o Mongolian Barbecue, em Dublin, que tem almoço por 5 euros). Ah, e vale até mesmo frequentar feiras livres e mercados e encher o bucho pedindo pra provar diferentes comidinhas hehehe.

Estipular um limite diário de gasto com alimentação também é interessante, mas acima de tudo o que eu prefiro é caprichar no café da manhã (seja ele oferecido pela hospedagem ou comprado no supermercado), almoçar fora (procurar menus executivos como o menu du jour que mencionei neste post sobre Lyon é uma boa) e fazer o jantar na cozinha do albergue.

Em casos extremos, dá pra fazer ainda mais: quando fui a Paris pela primeira vez, gastei só uns 15 euros por dia porque entrava na maioria dos museus de graça (como estudante “europeia”) e fiz uma super feira no supermercado logo que cheguei: tomava café em casa, levava um sanduíche pra o almoço, comia uns croissants, pains au chocolat e similares pra complementar (e me deliciar) e fazia comida “de verdade” à noite, pra jantar.

7. Pergunte-se: “Preciso mesmo disso?”

Esse item é um dos mais complicados pra muita gente: compras. Tem certas coisas que considero gastos “obrigatórios” e não pesam muito, como postais pra minha coleção ou globos de neve pra coleção da minha mãe. Fora isso, costumo também comprar roupas, porque acho um abuso os preços praticados no Brasil e compro o mínimo possível quando tou por aqui.

No entanto, quando a gente viaja sempre tem trocentas quinquilharias fofíssimas que dá vontade de levar pra casa, né? Aquela écharpe linda do Marrocos, aquela caixa de música incrível da França, aquele berimbau da Bahia… :P Na hora que bater a vontade de pegar a carteira, tente se controlar, respirar fundo, contar até 10 e pensar: “Preciso meeeesmo disso?”. Avalie o quanto você ficaria arrependido por não ter comprado tal coisa e considere quantos dias de viagem poderia bancar com esse valor. Reduzindo as compras, você ainda acaba viajando mais leve ;)

8. Anote seus gastos

Se você tiver disposição e um mínimo de organização, é muito útil anotar todos os gastos de cada dia, pra não perder o controle e ficar liso no fim da viagem, além de ver onde você tá gastando mais e perceber no que pode economizar. Pra isso, vale usar um caderninho, o bloco de notas do celular ou aplicativos como o MoneyWise, que é uma mão na roda :)

9. Evite usar cartão de crédito

Não se esqueça de ligar pra operadora do cartão e avisar pra quais países você vai viajar, pra evitar que seu cartão de crédito seja bloqueado. No entanto, esse querido amigo deve ser considerado apenas pra emergências, se possível. É que por mais que você calcule o valor final da compra convertendo a moeda, não deixa de correr o risco de se assustar com a conta no fim do mês, já que o valor do dólar ou euro cobrado costuma ser o do câmbio na data de vencimento da fatura. Se a cotação estiver mais alta, você se dá mal :/ Além disso, existe a infeliz cobrança de IOF (Imposto sobre Operações de Crédito), que acrescenta 6,38% às suas comprinhas. Do mal, né?

10. Aprenda o básico da língua local

Não, eu não tou dizendo que você tem que aprender 10 idiomas diferentes pra poder fazer sua eurotrip ;) No fim das contas, o bom e velho inglês, o querido portunhol e até a mímica desenrolam muita coisa. No entanto, saber algumas palavras na língua local pode evitar que você seja enrolado, além de criar maior simpatia dos moradores da cidade com relação a você – o que é útil pra fazer amigos e também pra descolar boas dicas de restaurantes e atrações, por exemplo ;)

livros_idiomas

11. Priorize o que quer conhecer

Assim como no caso das compras, antes de ir num ponto turístico pense um pouquinho se você realmente tem interesse naquilo. Isso foi uma das coisas que só aprendi com o tempo e olha, é super libertador! Não existe nenhuma regra determinando que você precisa visitar todos os museus, monumentos e parques que aparecem nos guias. Também na minha primeira vez em Paris, apesar de ter pouquíssimo dinheiro eu tava alucinada e queria conhecer o máximo de coisas possível. Acabei me largando pra uns lugares meio nada a ver (tipo o Bois de Boulogne em pleno inverno, avaliem), só pra riscá-los da lista. Hoje, tenho zero peso na consciência de pular um museu ou restaurante famoso se achar que não é interessante pra mim. Além de dinheiro, economizo tempo, que posso dedicar a outras atividades mais legais (como passar a tarde de pernas pro ar num parque ^^).

12. Faça atividades gratuitas

Essa dica anda de mãos dadas com a da pesquisa, que apareceu lá em cima. Se você procurar, vai descobrir que existem várias atrações gratuitas onde quer que seja. Parques, praças, monumentos, edifícios interessantes, alguns museus e espetáculos de rua estão entre as coisas que você pode curtir sem colocar a mão no bolso. Especialmente em épocas de clima bom, é possível fazer muita coisa de graça :) Foi o que eu fiz em Viena, aliás: não tinha muita vontade de conhecer a maioria dos museus de lá, e pra completar tive um problema no cartão na metade da viagem. Como tava sozinha, não tinha nem como pedir dinheiro emprestado hehe. Daí que passei uns dois dias conhecendo a cidade sem gastar um tostão: bati muita perna, encontrei na internet um festival de jazz gratuito, me esparramei embaixo do sol… \o/

13. Dê preferência ao transporte público

Em certas situações, como quando você chega cheio de malas e super cansado (ou quando são 3h da manhã, você está bêbado, a temperatura está negativa e não tem mais transporte público :B), acho super válido o investimento numa corrida de táxi. Além disso, em algumas cidades os táxis são superbaratos. No entanto, na maioria o ideal para o dia a dia é mesmo usar e abusar de metrôs e ônibus.

Informe-se sobre a existência de bilhetes de longa duração e faça as contas pra ver se valem mais a pena do que comprar um ticket por vez. Ah, e procure também as opções de transporte alternativo pra ir do aeroporto ao centro, já que pegar táxi nessa situação costuma ser uma facada. Aqui no blog você encontra dicas pra Lyon, Dublin e Budapeste. E se for fazer a Angélica e ir de táxi mesmo, procure ter uma ideia do melhor caminho, pra diminuir as chances de um taxista mal intencionado lhe enrolar ;)

14. Evite baladas e bebidas alcoólicas

Sempre lembro de um post de Ben, do Fluent in 3 Months, dizendo que um dos motivos pra ele conseguir viajar tanto (o cara tá na estrada em tempo integral há uns 10 anos) era o fato de que ele não bebe álcool. É claro que se não for o seu caso não é preciso virar abstêmio durante a viagem. Curtir a vida noturna é, pra muita gente, uma das partes mais importantes da descoberta de uma cidade, né? Só que bebidas alcoólicas costumam ser caras, assim como a entrada em boates e festas. Por isso, se você tá com o orçamento apertado, avalie cortar um pouco as baladas. Vale a pena, vai.

bar_budapeste

15. Não leve nenhuma das dicas acima ao pé da letra

Por fim, lembre-se que cada caso é um caso :) Todas as dicas acima devem ser adaptadas à sua realidade, suas prioridades e seu nível de exigência. Nem sempre vale a pena radicalizar nas economias e passar perrengue. Tá, você vai ter boas histórias pra contar, mas pode não aproveitar tanto aquela viagem tão esperada, né? Equilíbrio é a chave nesse assunto, como em tudo na vida ;) Agora vai, viaja e arrasa!

(Re)descobrindo o Recife: Passeio de barco e almoço na Casa de Banhos

30 jul

Acho que já falei aqui o quanto adoro trabalhar no Recife Antigo. Caso ainda não tenha ficado claro, falo outra vez: é uma delícia trabalhar no Recife Antigo! ;) Não bastasse as ruas serem fofas, os edifícios e o Marco Zero serem lindos, a Livraria Cultura ficar logo ali, várias empresas legais de tecnologia e comunicação estarem concentradas na área, lugares como o Paço do Frevo e a Caixa Cultural terem apresentações musicais e exposições gratuitas, ainda tem aqueles passeios marotos que dá pra fazer na hora do almoço <3

Um deles era um desejo antigo que só satisfiz recentemente, pra minha grande alegria: o passeio de barquinho até a Casa de Banhos, um restaurante de frutos do mar que fica do lado oposto ao Marco Zero, um pouco mais pro lado. A viagem é curta, mas é delícia! :) Pra pegar o barco não tem mistério: basta ir até a beira do Marco Zero, olhar pra água e procurar um cara com um barco pequeno de madeira. Os barqueiros ficam por ali esperando o pessoal pra levar até o restaurante ou ao Parque das Esculturas de Brennand (assunto pra um próximo post). Daí você negocia o preço (pagamos R$ 60 ida e volta pra um barco com 10 pessoas – se tiver menos gente deve ser mais caro por cabeça, mas vale dar uma pechinchada) e combina o horário pra voltar. Pagamos na volta, então sabíamos que o moço do barquinho provavelmente não nos deixaria ilhados lá :P

casadebanhos1

Pra mim, a melhor parte do passeio é a mudança de perspectiva. Acostumada a estar em terra firme e ver a vista das esculturas de Brennand, achei mara poder olhar desde o outro lado ^^ A travessia é rápida, coisa de 10 minutos no máximo, então se você for facilmente enjoável que nem eu, nem tem estresse ;) Também não precisa ter medo de cair na água (a não ser que você seja v1d4l0k4 como eu e fique em pé tirando foto, hehe). Pelo que vi, os barcos são ok e o meu tinha colete salva-vidas. O dia não tava dos mais bonitos, mas mesmo assim curtxi a paisagem!

~IMG_1632

~IMG_1635

~IMG_1673

E é claro: o caminho, com direito a ventinho no rosto e cheirinho de maresia, é só a primeira parte do babado. Chegando ao destino, você ainda pode comer uma delícia do mar com uma vista bonitona lá na Casa de Banhos. Não anotei as infos do cardápio (shame on me), mas recomendo muito a sinfonia marítima (que dividi com duas amigas) e o caldinho de sururu :D Também já ouvi falar bem de outros petiscos e pratos da casa, como o camarão ao alho e óleo e a peixada. O cardápio não é excepcional, mas vale a pena, e os preços não são amiguíssimos, mas também não são uma exploração pega-turista.

~IMG_1648

~IMG_1662

Como o Janelas Abertas também é cultura, aproveito pra explicar o nome do restaurante: construída por volta de 1900, a casa era uma hospedaria onde a galera ia tomar banhos com fins medicinais, sendo frequentada pela alta sociedade recifense. Tinha também um restaurante e, segundo o que li por aí, rolavam umas festas baphônicas com o povo endinheirado daqui. Depois, ela foi destruída por um incêndio e posteriormente restaurada. Hoje, o que você vai encontrar é um ambiente simples, mas agradável; ventilado, com cerveja gelada e uma vibe boa de sexta-feira ;)

casadebanhos2

Ah, e se você não quiser ir de barquinho (vai de barquinho! vai de barquinho!), também dá pra chegar lá de carro. Nesse caso, passe pelo Pina, vire à esqueda na Avenida Brasília Teimosa/Formosa e continue reto até chegar no dique (aliás, o restaurante era conhecido como Bar do Dique antigamente). Seja como for, me convide! ;)

Albergue no Recife: Arrecifes Hostel

28 jul

Antes da Copa do Mundo, algumas pessoas me pediram indicação de albergue no Recife. Não sei se isso já aconteceu com você que me lê: vez ou outra, as pessoas pedem dica de hospedagem pra um morador da cidade, que normalmente não conhece as opções simplesmente porque nunca precisou usá-las, né :P O que costumo fazer, então, é passar os nomes dos que já ouvi falar: Albergue de Olinda e Albergue Sítio do Carmo, na nossa cidade vizinha Olinda, e Hostel Boa Viagem, Piratas da Praia e Arrecifes Hostel, no Recife.

Se hospedar em Olinda é interessante; a Cidade Alta é uma delícia e tem uma atmosfera bem legal. No caso dos dois albergues que mencionei, você fica perto do Centro Histórico da cidade, mas não muito longe do Centro do Recife. Pra quem quer ficar perto da praia e da badalação recifense, o bairro de Boa Viagem, na Zona Sul, é uma boa (apesar de eu, Zona Norte desde pequenininha, considerar essa região quase outra cidade, é onde ficam quase todos os hotéis e onde os turistas costumam se concentrar).

~IMG_1332

Não conheço a estrutura de nenhum dos albergues exceto o Arrecifes Hostel,  que é vinculado à Hostelling International. Nunca me hospedei lá, mas visitei o lugar durante o Blog Day Recife, encontro de blogueiros que rolou por lá recentemente (e foi massa, btw). Apesar de não poder opinar sobre aspectos como conforto, limpeza e serviço sob o ponto de vista de um hóspede, achei que valia a pena mostrar aqui o que pude perceber sobre o albergue e o staff ;)

arrecifes_montagem

Nos dois dias em que fui lá, o pessoal da recepção foi extremamente simpático. Se forem assim com quem hospedam também, tão de parabéns. São dois quartos de casal e os outros coletivos, com capacidade pra 4, 6 ou 8 pessoas e divididos em feminino e masculino. Os quartos coletivos que visitei têm um tamanho ok (podiam ser maiores, mas não são minúsculos), beliches ok, janelas grandes e um gavetão de madeira pra você guardar a mala ou trecos de valor – mas lembre-se de trazer cadeado pra fechar o locker.

~IMG_1348  ~IMG_1352

Tem também uma área de “estar” com TV, cozinha coletiva, um computador pra uso dos hóspedes, mesa de sinuca, piscina, sofá, venda de bebidas e lanches pra aquela fominha fora de hora e café da manhã incluído na diária. Ah, e wi-fi, aluguel de toalhas e aluguel de bicicletas ;) Na beira da praia tem ciclovia, então pegar uma magrela e dar um passeio é uma boa! Alguns quartos têm ventilador de teto e outros ar-condicionado. O banheiro coletivo (pelo menos o feminino, onde entrei) é razoável, mas achei que a parte dos chuveiros podia ser melhor: eles usam cortina em vez de porta e não tem muito espaço pra pendurar coisas e se trocar.

~IMG_1314

Achei o ambiente bem agradável, novinho, limpo e arejado. A estrutura é simples, mas confortável, e a decoração também não é nada de mais, mas bonitinha – com direito a chita, paredes coloridas e papéis com curiosidades sobre a cidade. Eles têm uma regra de não usar a piscina ou fazer barulho depois das 22h, então acho que deve ser ok pra dormir (pensei que talvez não fosse porque os quartos coletivos têm janelas que dão pra área da piscina, mas se a galera respeitar as regras isso não deve ser um problema).

~IMG_1323  ~IMG_1321

O único ponto meio negativo que percebi é a localização – nisso, o Piratas da Praia e o Hostel Boa Viagem se saem melhor. O Arrecifes fica a só 2 km do aeroporto, então o táxi dá baratinho e não é difícil ir de ônibus. Por outro lado, ele tá bem “pra dentro” de Boa Viagem, ou seja, não é super perto da praia (são 900 m). Também fica mais pra o sul da Zona Sul, o que o torna um pouco distante do Recife Antigo (uns 13 km), de Olinda (20 km) e principalmente da Zona Norte, onde também tem coisas que merecem a visita (Recife não é só praia!).

As ruas nos arredores não são bonitas e não oferecem muitos atrativos – é uma zona bem residencial e simples, então não espere bares legais a 5 minutos de caminhada, mas dá pra encontrar os serviços básicos, como padarias, restaurantes, farmácias etc. Resumindo: não é o lugar ideaaal, mas pelo que eu vi, passa longe de ser uma roubada ;) Se você ficar lá, me conta o que achou!

(Re)descobrindo o Recife: O museu Cais do Sertão

18 jul

Na entrada, um juazeiro. Seco, com mais de 50 anos e pesando 10 toneladas, ele foi trazido do interior de Pernambuco pra junto do mar. Seu trabalho, agora, é receber os visitantes do Cais do Sertão, no Bairro do Recife. Um dos equipamentos culturais mais recentes e mais incríveis da cidade – que fica pertinho do meu trabalho e tenho a sorte de poder visitar na hora do almoço, rá ;)

~IMG_1111.jpg

~IMG_1108

Dedicado a retratar a vida e a cultura do Sertão nordestino, terra de origem e fonte de inspiração do grande Luiz Gonzaga, o museu usa a vida desse artista pernambucano como fio condutor, ao mesmo tempo em que mistura o tradicional ao moderno. O Cais do Sertão foi instalado no lugar de antigos armazéns no Porto do Recife e aproveita vários recursos tecnológicos pra possibilitar interação e diversão enquanto a gente vive um pouco dessa realidade tão brasileira. Esse mergulho tá dividido em diferentes facetas: viver, trabalhar, cantar, ocupar, crer, migrar e criar.

~IMG_1194

É difícil não se impressionar desde os primeiros passos. O espaço é amplo e mescla de maneira natural a reverência à obra de Gonzagão – podemos ouvir suas músicas, conhecer seu percurso, tocar instrumentos e até cantar – à história do Sertão. Já no começo, encontramos as roupas e a sanfona do artista, a reprodução de uma casa sertaneja, depoimentos e explicações sobre objetos e personagens típicos dessa região. É uma aula bem lúdica sobre coisas que tão aqui pertinho da gente, mas frequentemente não recebem o devido valor. Pra quem vem de fora, a curiosidade deve ser ainda maior :)

~IMG_1112

~IMG_1132

Entre o barro e o touch screen, eu e todo mundo que conheço que já foi lá ficamos encantados. Num jogo apresentado por Tom Zé, somos desafiados a pensar em soluções para a seca. Aqui e ali encontramos brinquedos e objetos de trabalho sertanejos. Num espaço fechado, vemos um curta-instalação do recifense Kléber Mendonça Filho. Num túnel todo modernoso, ouvimos vários sinônimos de diabo: demônio, coisa ruim, capeta, satanás… E em duas salas, uma na entrada e outra ao fundo do andar térreo, são exibidos curtas assinados por cineastas como Lírio Ferreira, Paulo Caldas e Marcelo Gomes.

~IMG_1169

~IMG_1185

O Sertão vai virar mar, o mar vai virar Sertão

~IMG_1182

A essa altura, você provavelmente já vai estar achando tudo muito bom, muito legal, mas ainda tem mais! Suba as escadas e encontre umas surpresas no primeiro andar ^^ A minha parte preferida é homenagear Gonzaga, o inventor do baião, com minha cantoria linda (só que não) no karaokê :D Depois de escolher entre alguns dos grandes sucessos do artista (tem “Olha pro céu, meu amor”, “Asa Branca”, “Qui nem Jiló”, entre outras) e arrasar no gogó, dá pra ouvir o resultado – e rir bastante, se você tiver habilidades musicais similares às minhas. Uma pena que não é possível enviar o áudio pra nosso e-mail ou redes sociais, né? Ia ser divertido e ajudar a divulgar o museu – ficadica :)

~IMG_1211

Também no primeiro andar, podemos bater um papo com emigrantes sertanejos. São várias telas com depoimentos de pessoas que saíram do Sertão e arredores (incluindo outro Luiz, nosso ex-presidente) e levaram a cultura dessa região e as canções de Gonzaga Brasil afora. Enquanto a gente não tá sentado ouvindo o que eles têm a dizer, eles ficam nos esperando, se mexendo, se ajeitando na cadeira e coisa e tal. Achei fofo. Pra completar, tem ainda uma sala onde ficam à disposição dos visitantes uma série de instrumentos musicais pra desenrolar um forróxotebaiãowhatever ;)

~IMG_1187

~IMG_1205

A curadoria e a direção de criação do Cais são assinadas pela pernambucana Isa Grinspum Ferraz, que também trabalhou na concepção do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, considerado referência nessa vibe de tecnologia e interação. E além dos cineastas que já mencionei, grandes nomes como o xilogravurista e cordelista J. Borges e o artista plástico Derlon Almeida também produziram conteúdo pra o museu.

Ao lado desse primeiro módulo do Cais do Sertão, também tá em construção um Centro Cultural com auditório, salas pra oficinas, restaurante, café, loja etc, que deve ser inaugurado no final do ano. Quando estiver pronto volto aqui pra mostrar também, é claro ;)

Serviço:

O Cais do Sertão abre de terça-feira a domingo.
Localização: Avenida Alfredo Lisboa, um pouco depois do Marco Zero, no Recife Antigo.
Ingressos: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia); gratuito às terças.
Confira o horário de funcionamento, valores atualizados e mais informações no site oficial.

 

[Livro] A Rua de Todo Mundo, ou interculturalismo para crianças

16 jul

~IMG_1569

Descobri o livro A Rua de Todo Mundo, de Carolina Nogueira, bem por acaso. Dessa coisas que só a internet faz pela gente ;) Vi no Facebook de uma amiga o link de um post que Carolina, jornalista e ilustradora, escreveu sobre o parto de uma amiga dessa amiga. Achei tão bonito que fui explorar o resto do blog e me deparei com, txarans, um livro infantil.

Não, não tem nenhuma criança na minha vida. Nem primos, nem sobrinhos, nem afilhados pequeninos. Mas achei a premissa da obra tão fofa que fui logo pedindo um exemplar. Pra um futuro sobrinho ou um futuro filho, quem sabe, mas antes de tudo pra criança que vive em mim ;) Como bem ressaltou, aliás, a dedicatória fofa – e ilustrada – que a autora fez no meu exemplar ^^

~IMG_1574

E assim como este blog por onde vos escrevo, o livro surgiu a partir de uma viagem. Carolina morou com os filhos em Paris por alguns anos e, nesse período, percebeu que não existiam barreiras entre as crianças de países diferentes. Seus filhos e os amiguinhos deles, observou, eram sensíveis às diferenças como algo que desperta a curiosidade, e não como um obstáculo. E não é assim que tem que ser?

Com a ajuda de amigos que moram em diversos países do mundo, a autora escreveu uma história simples, composta pelas descrições de uns 20 personagens fofos de diversas nacionalidades, cada um mostrado com particularidades ligadas à sua cultura ou ao simples fato de ser criança. Como diz a contra-capa do livro, “tão lindas quanto as diferenças que existem entre as culturas são as semelhanças que aproximam todas as crianças do mundo”.

~IMG_1588

Falo de “interculturalismo” aí no título porque, pra mim, esse livro é uma forma singela de ajudar as crianças (e adultos também, por que não?) a compreender a natureza pluralista do nosso mundo e a importância (e delícia) do diálogo entre as culturas. Porque a “rua de todo mundo”, aquela compartilhada, onde todos são felizes juntos, é a mais legal de todas.

Resumindo: não entendo nada de literatura infantil (nem de crianças, na verdade. hehe). Mas achei a história delicada, informativa e importante pra ajudar a criar uma geração de pessoas mais abertas às diferenças que se escondem por trás das fronteiras. Uma boa forma de estimular a curiosidade sobre outros países, hábitos e culturas. Imagino crianças perguntando pra os pais onde fica a Bélgica, por que faz frio na Polônia ou se é verdade que na Turquia os nomes das pessoas sempre têm um significado. E imagino pais pesquisando pra responder a algumas das perguntas ;)

Quer mostrar a alguma criança querida como é bom aprender desde cedo a conviver com as diferenças? Compre o seu e, se puder, envie uma foto d@ pequen@, pra ganhar uma dedicatória ilustrada como a minha. Como se não bastasse, o livro ainda veio numa embalagem fofa, artesanal e cuidadosa. Um mimo <3

~IMG_1563