Viajantes

Paulista viaja pelo Brasil e Europa trocando trabalho por hospedagem

Viajantes | 06/06/17 | 2 comentários

O plano era estudar inglês em Londres. Nada muito fora do convencional, né? Só que depois de alguns meses na capital inglesa, Amanda Barbosa, 33 anos, sentiu necessidade de viver algo diferente. Resolveu, então, fazer um work exchange: esquema em que o viajante trabalha num lugar por algumas horas diárias em troca de hospedagem e, em alguns casos, alimentação.

Desde a primeira experiência do tipo, no condado de Cornwall (Cornualha) em 2014, ela se apaixonou por esse estilo de viagem: já viajou assim 10 vezes e criou até uma nova plataforma pra facilitar a busca de vagas, a Work Nomads. E contou muito do que viveu no blog dela, Por Uma Vida Mais Rica, que encontrei enquanto pesquisava sobre o assunto.

Tou no meu primeiro work exchange no momento, em Paraty (RJ), e tenho outros dois programados pra os próximos meses. Em breve vão rolar posts sobre minhas próprias experiências, mas enquanto isso achei que a história de Amanda não podia ficar de fora da tag Viajantes aqui do blog. ;)

Formada em marketing, ela nunca tinha trabalhado “com a terra” antes dessas viagens, e nos últimos anos já passou por fazendas, ecovilas e sítios de permacultura na Inglaterra, na Califórnia e no Brasil. Amanda diz que através disso despertou pra um mundo diferente de tudo que havia vivido até então: “Percebi que algo lá dentro de mim começou a mudar. O contato com pessoas do mundo inteiro, sejam elas voluntários ou os moradores locais, é capaz de derrubar nossas barreiras criadas pelas diferenças culturais e estereótipos, mostrando o quanto somos pessoas iguais e ansiamos pelas mesmas coisas: amor e o sentimento de pertencimento”, afirma.

Além de tudo de enriquecedor que viveu nos lugares onde trabalhou, Amanda também conheceu outros cantos lindos gastando muito pouco. Ela usa suas folgas, que variam entre um e dois dias por semana, pra conhecer a região ao redor de onde tá hospedada. Como quase todas suas experiências até agora foram em fazendas, a maioria dos passeios teve a ver com a natureza, como fazer trilhas e visitar cachoeiras, praias e grutas. Mas também existem muitas oportunidades pra quem quer passar um tempo em grandes cidades, principalmente em hostels. :)

Se interessou? Aqui nesse post expliquei onde encontrar vagas de trabalho em troca de hospedagem e alimentação mundo afora (só faltou falar do Work Nomads, que ainda não existia). Aproveita e também dá uma olhada no que Amanda tem a dizer sobre essas experiências transformadoras:

Quais foram os momentos mais marcantes até agora?

Todas as experiências foram capazes de me enriquecer como pessoa, me trazendo um profundo autoconhecimento. Uma delas, e talvez a que mais tenha me marcado, foi na Inglaterra. Naquele momento eu vivia uma fase de muita fragilidade devido à perda da minha irmã alguns meses antes. Foi então que uma série de “coincidências” começaram a fazer parte da minha rotina. Nessa época, tive os meus caminhos cruzados com pessoas que também atravessavam situações parecidas com a minha. Aquilo me ajudou muito no meu processo, me dando a força que eu precisava e mostrando que eu não estava sozinha nessa caminhada.

Outra experiência que me marcou bastante foi a de viver literalmente com o mínimo em um sítio de permacultura em São Thomé das Letras. Ainda não havia nenhuma construção no local, e por isso não havia chuveiro e nem eletricidade. Eu dormia sozinha, em uma barraca que ficava abrigada embaixo de uma estrutura de sapê, tomava banho no rio da propriedade, buscava lenha para cozinhar em um fogão estilo rocket stove, que nada mais é do que uma lata que com alguns pedaços de madeira e fogo, funciona como um fogão natural. Tudo isso me fez ser ainda mais grata às pequenas coisas que estão presentes em nosso dia a dia, mas que muitas vezes não nos damos conta do milagre que são, como o simples ato de apertar um botão e termos luz e fogo para cozinhar, ou sentir uma das melhores sensações do mundo ao poder tomar um banho quente durante uma noite fria.

Já aconteceu alguma coisa ruim? O que poderia ser feito pra evita-lo?

Nunca tive nenhuma situação que eu considere ruim, pois sempre parti para esse tipo de experiência com o coração aberto a receber aquilo que está ao alcance de cada anfitrião. Porém vale frisar que é muito importante alinhar expectativas e deixar tudo muito bem combinado com o responsável. Na dúvida, pergunte! Em uma das minhas experiências, meu anfitrião, que era muito desorganizado, acabava não conseguindo delegar direito as tarefas diárias que eu deveria executar e no final, eu passava o dia a espera de um comando dele, porém não trabalhando quase nada. Outras vezes, acabava trabalhando mais do que eu esperava.

Quais são tuas principais dicas pra quem tá procurando uma vaga pra work exchange?

Primeiro de tudo: faça um perfil em uma das plataformas especializadas em Work Exchange (Helpx, Work Nomads, Workaway ou WWOOF). Essa é a melhor maneira de encontrar locais que aceitam essa troca e que estejam de acordo com as regras estipuladas em cada uma delas, como horas de trabalho, atividades etc. Além disso, você pode ter acesso às avaliações  deixadas por outros voluntários em experiências anteriores, o que ajuda a saber se o local cumpre mesmo com o que fala. Digo isso pois a minha única experiência de work exchange onde encontrei um local utilizando o Google ao invés de uma plataforma não foi tão positiva, conforme relatei acima.

Em segundo lugar, faça fazer um perfil atrativo com fotos e uma descrição bem completa sobre você e o que busca em suas experiências. Ao entrar em contato com o seu anfitrião, não copie e cole o mesmo texto. Procure citar algo na mensagem que mostre que você leu o perfil do host. Isso aumenta, e muito, suas chances de receber uma resposta positiva.

Outra dica importante é que você tenha uma conversa aberta com o responsável durante os acertos de sua viagem. Não tenha medo de esclarecer dúvidas como horas de trabalho, combinar dias de folga e o que mais for importante para você. Alinhar expectativas é a melhor forma de tornar a experiência muito mais positiva, evitando que um dos lados se sinta prejudicado por possíveis falhas de comunicação.

Quais são teus planos pra os próximos meses?

O meu projeto para esse ano é viajar fazendo work exchange por todo o país, até chegar à Amazônia. Já estive no Sul do Brasil no início do ano e acabo de retornar da segunda etapa da viagem, no Sudeste do país. A próxima etapa a ser visitada será a região Centro Oeste, seguida do Nordeste e Norte.

Qual o diferencial do Work Nomads em relação às plataformas similares já existentes?

A plataforma foi lançada em novembro de 2016 e é focada em oportunidades de work exchange e voluntariado no Brasil. Muitos desses locais já receberam a minha própria visita, o que garante que cumprem de fato tudo o que foi exposto em seu perfil no site. A plataforma tem o diferencial de estar totalmente em português e de receber o pagamento do cadastro na moeda local (Real) em boleto bancário, caso o usuário não possua cartão de crédito.

Experiências

Cada experiência pode ser bem diferente, com cargas horárias, atividades, acomodação e benefícios distintos. Por isso, pedi pra Amanda resumir cada um dos programas em que se envolveu. Se você já viajou assim ou tem vontade de experimentar, conta aí nos comentários!

  1. Fazenda de permacultura em Cornwall, Inglaterra

Duração: 1 mês.

Atividades: colher vegetais, pesar e separar em maços.

Carga horária: 6 a 7 horas por dia com 3 dias de folga por semana (o normal é trabalhar em média 5 a 6 horas diárias, por isso acabávamos tendo mais folgas do que o padrão).

Acomodação: espécie de celeiro, dividido com outros voluntários ou barracas. Havia uma cozinha comunitária e os próprios voluntários eram responsáveis pelo preparo de suas refeições.

  1. Fazenda de sidra em Cornwall, Inglaterra

Duração: Em torno de 15 dias.

Atividades: Ajudava na produção de cider (um tipo de sidra muito comum entre os britânicos) e também ajudava a vender a bebida na lojinha da fazenda.

Carga horária: 5 horas por dia com folgas a combinar, podendo ser na semana ou finais de semana.

Acomodação: mobile home (espécie de trailer chique).

Pra mais informações sobre essas experiências na Inglaterra, leia esse post de Amanda.

  1. Fábrica de sidra em Sacramento, Califórnia

Duração: 2 meses.

Carga horária: 4 a 6 boras por dia com folgas a combinar.

Atividades: Entre as principais funções, ajudava no processo de engarrafar/enlatar a bebida, colocar rótulos, pasteurizar, limpar e encher os barris para que fossem entregues aos pubs, bares e restaurantes.

Acomodação: quarto de hóspedes na casa do dono da fábrica.

  1. Fazenda espiritualista a uma hora de San Diego – Califórnia

Duração: 10 dias

Carga horária: em torno de 6 horas por dia com folgas aos sábados.

Atividades principais: ajudar a fazer suco verde, barrinhas de cereais orgânicas, tirar leite das cabras e auxílio no preparo de algumas refeições.

Acomodação: quarto de hóspedes em uma das casas na fazenda

Pra mais informações sobre as experiências na Califórnia, clique aqui.

  1. Centro de empoderamento em Florianópolis

Duração: 1 semana

Carga horária: 6 horas por dia com folgas a combinar

Atividades: variam conforme as habilidades de cada voluntário: dar aulas de yoga e meditação, teatro, cozinhar, organizar workshops, etc. No meu caso, ajudei na organização de eventos e no marketing do projeto.

Acomodação: quarto compartilhado com outros voluntários

  1. Sítio de permacultura no Rio Grande do Sul

Duração: 1 semana

Carga horária: em torno de 4 horas por dia com folgas a combinar

Acomodação: barraca

Atividades: ajudar a construir banheiro seco, plantar, capinar, ajudar com bioconstrução de uma pousada, ajuda no preparo de refeições.

  1. Chácara de biodinâmica e permacultura a 1h30 de Porto Alegre

Duração: 1 semana

Carga horária: 6 horas pode dia

Acomodação: quarto compartilhado com outros voluntários

Atividades: cuidar da horta, ajudar com bioconstrução e trabalhar na composteira (adubo natural). Boa parte da comida consumida é produzida por lá, como pães, granola (a melhor do mundo!) iogurte,etc.

Pra mais informações sobre essas primeiras experiências no Brasil, clique aqui.

  1. Ecovila no Rio de Janeiro

Duração: 1 semana

Carga horária: 6 horas por dia com folgas a combinar

Acomodação: quarto compartilhado com outros voluntários

Atividades: ajuda na construção da ecovila (bioconstrução), tarefas domésticas e atividades gerais conforme necessidades.

  1. Sítio de permacultura em São Thomé das Letras, MG

Duração: 1 semana

Carga horária: 3 a 4 horas por dia com folgas aos finais de semana

Atividades: trabalhar na composteira, regar e cuidar das mudas, capinar, etc

Acomodação: barraca

Saiba mais sobre as experiências de Amanda no Rio e em São Thomé clicando aqui.

  1. Agrofloresta em Minas Gerais

Duração: 1 semana

Carga horária: aprox. 5 horas por dia com 1 folga na semana a combinar

Atividades: nivelamento de solo para futuras bioconstruções, ajudar a preparar reboco feito de barro, tarefas domésticas, ajuda no atendimento ao cliente no Café que fica dentro da propriedade

Acomodação: barraca

Todos esses locais estão cadastrados na plataforma Work Nomads. Se você se interessou pelo assunto, vale a pena ler também o manifesto de Amanda lá no blog dela. ;)

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2 Comentários

  1. Gratidão Luísa, por compartilhar as minhas experiências com os seus leitores. Espero que tenham inspirado e ajudado pessoas a darem o primeiro passo para realizarem seus sonhos e projetos! Beijão

    • Oi, Amanda! Eu que agradeço a você por compartilhar suas experiências no seu blog e comigo e meus leitores :) Me inspiraram e certamente vão inspirar muito mais gente também! Boa sorte pra você na sua caminhada :) Beijo

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