Viagem pra Dentro

7 filmes pra inspirar sua próxima viagem

Você que lê este blog provavelmente tá comigo nessa: enquanto a gente não viaja, faz o quê? Pensa em viajar! \o/ E enquanto a data da próxima incursão por outras terras não se aprochega, vamos inventando formas de nos transportar pra outros lugares, nem que seja nos sonhos. E quer coisa melhor pra isso do que a literatura e o cinema?

Foi por isso que criei uma tag “Livros” aqui no blog, onde vez por outra falo de leituras relacionadas a viagens :) Pra parte do cinema, aqui vai uma listinha com filmes que mostram a jornada de alguém por um ou vários lugares além-lar (inventei essa expressão agora, bjs).  Parei em 7 por enquanto, mas a ideia é que a lista continue nos comentários, combinado?

1. Antes do Amanhecer – Viena

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Quem lê o blog há um tempinho já sabe que esse é meu filme preferido <3 Tanto que quando fui a Viena, refiz os passos de Jesse e Céline e fiz post aqui contando. No filme, que data de 1995, uma jovem francesa (Céline, interpretada por Julie Delpy) encontra um jovem americano (Jesse, representado por Ethan Hawke) num trem e resolve descer com ele em Praga. Eles passam uma noite juntos, até que chega a hora do voo dele de volta aos EUA e ela pega o trem de novo pra voltar a Paris. No meio-tempo, eles caminham pela cidade, descobrindo Viena e, mais importante, um ao outro.

Em certo momento, Céline diz uma coisa em que acredito muito, e que tem muito a ver com a descoberta de novos lugares e pessoas: “If there’s any kind of magic in this world it must be in the attempt of understanding someone, sharing something” (Se existe algum tipo de mágica nesse mundo, ela deve estar na tentativa de entender alguém, compartilhar alguma coisa). E uma das coisas mais legais é que o roteiro, que havia sido escrito em 11 dias pelo diretor Richard Linklater, foi praticamente reescrito por Julie e Ethan, que certamente colocaram muito deles ali :)

A história virou uma trilogia, mas Antes do Amanhecer é meu preferido e é o que mais fala sobre viagens, encontros e coisas imprevisíveis que mudam a gente quando estamos abertos a elas. O segundo filme (Antes do Pôr do Sol), gravado em 2004, se passa em Paris e também é uma delícia. O terceiro (Antes da Meia-Noite), de 2013, leva o casal até Messênia, uma pequena ilha na Grécia.

2. Na Natureza Selvagem – EUA

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Esse também já marcou presença aqui no blog, no post em que falei sobre o livro que deu origem ao filme de Sean Penn. Baseados numa história real, tanto filme quanto livro mostram um pedaço da vida de Chris McCandless, um rapaz de classe média norte-americano que, em 1990, saiu de casa depois da formatura da faculdade sem avisar a ninguém aonde ia. Doou US$ 24 mil em economias, abandonou o carro, queimou o resto de dinheiro que tinha na carteira e inventou uma nova vida pra si mesmo na estrada: seu nome agora era Alexander Supertramp, mestre do próprio destino. Depois de dois anos pegando carona, morando na rua e fazendo bicos, McCandless chegou ao que devia ser o ápice da sua jornada: uma incursão solo no Alasca.

A história é cercada de certa polêmica, mas acho que a essência é algo com que todo viajante se identifica. Chris queria descobrir quem ele era sem ser atrapalhado por todas as expectativas da sociedade – o que é, a propósito, um dos motivos que eu mencionei na minha lista de boas razões pra viajar sozinho. A trilha sonora e as paisagens incríveis já são suficientes pra me deixar morrendo de vontade de pegar a estrada. E o que dizer da motivação de Chris, que queria ver e sentir o mundo intensamente? Difícil deixar o bichinho da viagem quieto quando sobem os créditos ;)

3. Encontros e desencontros – Tóquio

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Primeiro queria dizer que acho o nome original do filme, Lost in Translation, uma lindeza só <3 Depois queria comentar que quando assisti a esse filme pela primeira vez, em 2008, ele me doeu. Já já explico por quê. Antes, vamos à sinopse: Encontros e Desencontros nos apresenta a Charlotte (Scarlett Johansson), uma jovem americana que viaja a Tóquio acompanhando o marido, que foi a trabalho, e é totalmente negligenciada por ele. A solidão que ela sente na cidade, no meio da multidão e da língua desconhecida, faz par com a confusão que ela sente em relação a seu lugar nessa vida.

Mas aí acontece um encontro inesperado: ela conhece Bob Harris (Bill Murray), um ator decadente, também americano, que tá lá pra gravar um comercial. As diferenças culturais e linguísticas em relação ao Japão unem Bob e Charlotte, mas não são só elas. É que as angústias de um e de outro já os estavam deixando, antes mesmo da viagem, “lost in translation” em relação às pessoas próximas.

Escrevi sobre o filme num blog antigo e passei alguns anos sem coragem de revê-lo. É que na época eu me sentia meio Charlotte, ainda que estivesse bem longe do Japão. Hoje, um pouco mais segura sobre o meu lugar no mundo, vejo o filme com outros olhos. Agora, o que mais me chama atenção no meio dos barulhos, pessoas e neon não são os tantos desencontros da vida, e sim os encontros. Vejo na distância muito mais a possibilidade de encontrar alguma coisa do que de estar perdida. Espero que você se sinta assim também, com o filme e com a vida. hehe :)

4. Albergue Espanhol – Barcelona

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O Ipea apurou que 10 entre 10 jovens que vão morar fora por um tempo, principalmente dividindo apartamento com gente de vários outros países, se identificam com esse filme ;) Falei brevemente dele por aqui, no post que escrevi assim que cheguei a Valladolid. No texto, comentei que além da mistura de línguas e culturas, que é uma delícia, o filme fala sobre a experiência de deixar coisas pra trás e ir tentar se descobrir longe de casa. A trama é simples, mas divertida, e a história é vista sob o ponto de vista de Xavier, um estudante francês que vai ser Erasmus na Espanha.

Dividindo um apartamento barceloneta com um italiano, uma inglesa, um dinamarquês, uma belga, um alemão e uma espanhola, Xavier se diverte litros, aprende muito, sofre um pouco e conclui a experiência transformado – as mudanças, vale ressaltar, vão muito além do nível de espanhol muito melhor que no início da viagem. Soa familiar? Acontece nos filmes, acontece na vida, acontece na TNT ;)

5. Diários de Motocicleta – América do Sul

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Existem muitas motivações e muitos resultados possíveis pra uma viagem. Em 1952, aos 23 anos, Ernesto Guevara resolveu acompanhar seu amigo Alberto Granado em um percurso de moto através do continente onde viviam – até que a pobre “La Poderosa” quebrou, no que seria apenas um de muitos imprevistos no percurso da dupla. A jornada acaba dando a Che uma consciência mais ampla sobre as disparidades sociais na América do Sul.

O filme mostra como os encontros inesperados no caminho do jovem Guevara colaboraram para moldar a forma em que ele via o mundo e motivaram suas atitudes posteriores, pelas quais ele ficou conhecido. Como diz a contra-capa do diário de viagem de Che, publicado como livro, a obra é “o retrato do momento em que começa a se formar um mito”. Momento esse que teve início com uma viagem. Ou melhor, mais que isso: com a mente e o coração abertos.

6. Meia-noite em Paris – Paris

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O legal, aqui, é que a viagem geográfica se mistura a uma viagem no tempo ;) Mesclando comédia com uma dose de realismo fantástico, Woody Allen fez um filme divertido e que vai um pouco além de uma homenagem à Cidade Luz. Acho difícil você que está lendo ainda não tê-lo assistido, mas em todo caso, senta que lá vem sinopse:  O escritor americano Gil (Owen Wilson) vai passear com a noiva Inez (Rachel McAdams) e os pais dela por Paris. Enquanto ele sonha em morar lá e, inspirado pela cidade, escrever um romance, a noiva e seus pais jamais viveriam fora dos Estados Unidos e se deixam impressionar por um amigo pedante que fica vomitando “cultura” na galera. Pobre Gil :P

Até que, andando pela cidade perto da meia-noite, Gil acaba voltando misteriosamente à década de 20, onde começa a interagir com vários personagens icônicos da época, de Fitzgerald e Hemingway a Dalí. A criatividade e a inspiração, as funções da arte e a idealização de uma época e um lugar são alguns dos temas que pululam no meio de um monte de referências artísticas/históricas e sacadas engraçadinhas. No meio de tudo isso, dá pra se encantar (mais) por Paris ou sonhar com que personagens históricos você queria encontrar mundo afora, hehe.

7. Um Beijo Roubado – EUA

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Amei esse filme antes do lançamento, já que fiquei na expectativa por meses, e continuei amando depois de assistir pela primeira vez. Aí fui revê-lo alguns anos depois e achei bem ruinzinho. hahaha. Mas mesmo com o exagero de metáforas, a falta de sutileza e as atuações bem aquém do potencial da galera, ainda considero um filme legal pra essa lista. Nele, a viagem não é tanto por paisagens e lugares, mas por pessoas. A história é assim: Elizabeth (Norah Jones <3) termina um relacionamento e, entre uma torta de blueberry e outra no bar de Jeremy (Jude Law <3), decide tomar o caminho mais longo pra seguir em frente com a vida. Ela pega o carro e viaja pelos Estados Unidos, não só pra fugir dos cacos do que se foi, mas também pra se reconstruir.

Nesse caminho, ela conhece gente que quer fugir de alguma coisa ou se apegar de todo jeito a algo/alguém. E encontra nessas pessoas tão diferentes dela um pouco de si mesma, o que pra mim é um dos aspectos principais de uma verdadeira viagem. Além disso, Elizabeth também tem que se despedir daqueles que encontra. Numa encruzilhada, dois carros se separam, e é inevitável pensar em quantas vezes não nos encontramos nessa situação. Hoje, quando penso nesse filme, me lembro das cores, luzes, músicas, reflexos, tortas. E de como às vezes a gente precisa ir pra longe pra poder voltar pra casa.

*

Tem muitos outros que ficam pra um próximo post – e pra isso, aceito de muito bom grado as sugestões de vocês! De cabeça, lembrei de outros road movies como os clássicos Easy Rider e Thelma e Louise e outros mais recentes como Vicky Cristina BarcelonaAntes de Partir,  The Way – O Caminho de Santiago de Compostela e Na Estrada. Sem falar nos títulos mais românticos como Sob o Sol da Toscana, Cartas para Julieta e Comer, Rezar, Amar ;)

Enquanto a parte 2 do post não sai, conta pra gente: que filme te faz sonhar com uma viagem (ou várias)?

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5 Comentários

  1. Na parte final de “Tudo acontece em Elizabethtown”, Orlando Bloom pega o carro e sai pela estrada em uma viagem de autoconhecimento. É lindo. Toda vez que assisto tenho vontade de jogar tudo pra cima e sair rodando. Só preciso aprender a dirigir. hhahah

    Ah, a Toscana é meu sonho de vida desde que vi o filme. Acho que vou chorar quando chegar lá.

    Amei o post.
    Bjs

    • Luísa Ferreira

      Eita, eu vi “Elizabethtown” há muito tempo. Lembro que tinha um scrapbook ou caderno com coisas de viagem em algum momento, e que ele pegava o carro, mas minha memória não vai muito além disso, haha. Vou procurar de novo! E dá pra ir também de ônibus, trem, avião… Hehe :) Minha mãe e minha tia também ficaram loucas pela Toscana depois do filme ^^ Brigada pelo comentário! beijo

  2. ana elisa

    Listinha massa! tenho 3 desses ai na miha coleção e adoro todos, só não vi o último da lista. Eu ia citar ‘thelma e louise’ e ‘on the road'(que ainda nem vi!) mas tu colocou no fim, não lembro de mais nenhum agora :P

  3. ana elisa

    ah, lembrei de um agora, que por sinal ainda não vi tb: uma passagem para mário. passa por aquelas paisagens incríveis que eu fui agora em janeiro, salar de uyuni e etc :))

    • Luísa Ferreira

      Eita, eu vi “Uma passagem” e me esqueci de incluir :) Valeu! :D Beijo

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