Livros

Jovem o Suficiente: Uma viagem ao redor do mundo

“Obrigado pelo apoio e por ter me ajudado a realizar o sonho de contar essa história”, diz a dedicatória escrita pelo autor em cada uma das cópias de Jovem o Suficiente compradas através do Catarse. Ajudar a tornar o livro realidade foi mesmo a minha maior motivação pra contribuir com a campanha de crowdfunding; mais até do que a crença de que ele seria realmente bem escrito. Esperava um simples diário de viagem, mas logo nas primeiras páginas percebi que tava bem errada. Mas antes de explicar o porquê, deixa eu falar do que se trata, né?

O tal do autor assina como Felipe Gaúcho. Aos 19 anos, ele partiu numa jornada de um ano e meio em busca da juventude que já estaria escorrendo pelas suas mãos. Pra isso, ele viajou pela Europa, Ásia e América Central e entrevistou crianças de 30 países. Era um sonho de infância, que virou realidade depois do choque de saber que o melhor amigo, que tinha sonhado junto com ele, resolvera “adultecer” de repente. E como bancar essa empreitada? Criativo, ele apostou numa estratégia inusitada: passou alguns anos participando de concursos culturais e vendeu os prêmios pela internet.

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Além de ter realizado tão cedo um sonho que pra muitos parece utópico, Felipe me impressionou pela coragem pra sair totalmente da zona de conforto, perspicácia ao analisar o mundo e suas descobertas e também pela destreza com as palavras.

E assim como ele foi no livro, vou ser bem sincera aqui: lendo sobre o grande propósito da viagem, eu não pude deixar de pensar que era exagero ou marketing. “Tudo bem que teus amigos tão entrando de cabeça na vida adulta e que isso pode ser sufocante, mas fazer um grande drama por isso aos 19 é um pouco demais, né?”, pensei. Depois de ler, entendi melhor o argumento, e mais que isso: percebi que ele funciona como um ótimo fio condutor pra uma história envolvente e inspiradora.

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Num vídeo, Felipe diz que “viajar é se apaixonar pelo ser humano, se frustrar com o ser humano, tentar entendê-lo e se libertar da obrigação doméstica de se manter uma vida ordinária“. Acho que isso resume muito do que ficou em mim depois de ler sua história tão bem contada, que inclui duas trágicas mortes, algumas quase-mortes do próprio autor, personagens controversos, mergulhos em culturas distintas, reflexões sobre religião e muita, muita vida. Daquela vida que se esconde enquanto a gente tá preso ao dia a dia, se esquecendo que estar aqui neste mundo é uma chance que temos que agarrar com todas as forças. E aí, como concordar com trechos como esse?

“Que eu continuasse renascendo indefinidamente nesse ou em qualquer outra porcaria de mundo, e continuasse sofrendo; mas que não perdesse a sede, que não perdesse a fome de existência, que a minha vida – condenada à repetição, que fosse! – nunca deixasse de ser faminta e sedenta e insatisfeita.”

O livro é composto por três narrativas simultâneas: em uma delas, acompanhamos os percalços de Felipe ao passar por uma situação horrível aqui no Brasil, depois da viagem; em outra, descobrimos mais sobre sua infância e o amigo Louiz, que planejou com ele essa viagem e acabou seguindo outro caminho; e na principal, conhecemos as aventuras de Felipe mundo afora, contadas especialmente pra Louiz. O suposto destinatário dessas linhas, aliás, justifica uma característica que as torna ainda mais interessantes: a sinceridade do autor, que inclui aqui e ali algumas confissões que muita gente só faria pra o melhor amigo.

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Entre a riqueza de detalhes e de metáforas e a espontaneidade que nos lembra que quem escreve é um jovem (não só de idade), é fácil se apaixonar pela jornada que permeia essas páginas. Assim, fui descobrindo com ele a intensa Istambul e seus estímulos sensoriais, o retiro budista no Laos, a menina das mãos enrugadas na Índia, o salto de um bungee jump caseiro feito por um russo na Tailândia, as brincadeiras com crianças ciganas na Romênia, as tatuagens naturais em uma aldeia indígena no Panamá, a invasão noturna de um clube de saltos ornamentais em Dusseldorf e, é claro, as conversas com crianças e adultos que ele encontra por todo lugar.

As crianças, na verdade, ocupam uma parte pequena da obra: ele entrevistou umas 60, mas no livro só aparecem umas 12. Ainda assim, é legal como elas pontuam a história com sua poesia espontânea, que traz tanta leveza quanto angústia. “Crianças têm medos raros e mundanos e sonhos abundantes e fantasiosos. Adultos têm medos abundantes e fantasiosos e sonhos raros e mundanos“, conclui Felipe. O desafio é transformarmos esse num mundo em que elas possam realizar esses sonhos, né?

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Não tenho metade do desprendimento que Felipe parece ter, nem um terço do seu talento pra esportes, da sua inconsequência ou da sua capacidade de observação. Mas me identifiquei com a imaturidade no seu melhor sentido, a desconfiança misturada com curiosidade em relação a religiões, a vontade de compreender as coisas ao redor, a insistência em se apegar apesar do sofrimento, a vontade de descobrir cada vez mais e, é claro, a necessidade de contar histórias.

Por tudo isso, esse é daqueles livros que indico pra todo mundo que queira abrir um pouco a mente e correr atrás dos seus sonhos – abundantes e fantasiosos, de preferência.

Comprei o livro e o recomendei por iniciativa própria, mas se você comprá-lo pela Amazon usando o botão acima, o blog ganha uma pequena comissão e você não paga nada a mais por isso. O Janelas Abertas preza pela transparência com os leitores: você não vai encontrar aqui nenhum conteúdo de caráter comercial que não esteja sinalizado como tal. As opiniões expressas no texto são minhas e não sofreram influência de terceiros. Para saber mais sobre as políticas do blog, clique aqui

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