Viagem pra Dentro

Sobre os encontros que as viagens nos dão de presente

Viajar é uma das coisas com mais “prós” nessa vida. A gente supera os poucos “contras” (como a saudade) quando lembra que dá pra se divertir, conhecer outras culturas, comer e beber bem, se deslumbrar com a natureza, falar outros idiomas, sair da rotina, entender melhor o mundo, se tornar mais seguro e independente… Eu poderia fazer uma lista quase infinita de vantagens desse hobby que eu amo, e certamente você também. Mas quanto mais viajo, mais percebo que uma das melhores partes de se jogar por aí são os encontros que acontecem pelo caminho.

Começa pequeninho. Desde as diferenças de sotaque e gírias que você percebe na pessoa do estado vizinho, a gentileza de um estranho que ajuda quando você tá perdido ou mesmo um sorriso, que às vezes é uma das poucas formas de comunicação possíveis. Desde essa coisa tão simples e tão poderosa que é estar em contato com gente fora do nosso círculo e ser quase que obrigado a olhar além do próprio umbigo. Relações rápidas, até mesmo superficiais, que podem tanto deixar marcas como ser esquecidas logo depois.

E daí vai crescendo. Cresce até abraçar as amizades que unem pessoas com histórias de vida bem diferentes e que não enfraquecem com a distância. Como a baiana radicada em Berlim que conheci em Budapeste por causa de um post na fanpage do blog e hoje é uma das minhas melhores amigas. Ou minhas antigas compañeras de piso que, ao se juntarem novamente, me fazem sentir que 2012 foi ontem. Ou o grupo que mistura Alemanha, Irlanda, Polônia e Inglaterra e nem sei dizer como se formou, mas ainda dá um jeito de se reunir quando essa brasileira que vos fala vem pra o Velho Mundo. E como tantas outras amizades da estrada que eu e muitos viajantes temos a sorte de colecionar por aí. <3

São laços que tendem a se amarrar bem apertados e depressa; culpa dessa entrega e essa abertura loucas que o bichinho da viagem injeta na gente. Relações que se constroem quando estamos com a guarda baixa, fora da rotina e com uma disposição sem tamanho pra compartilhar e aprender.

Mas não são só os amigos que deixam marcas. Quando a gente presta atenção, é fácil perceber como até breves conversas podem trazer insights sobre como estamos vivendo nossas vidas e sobre o que mais importa pra nós, derrubar preconceitos e despertar outros olhares sobre nossa própria cultura. Ou, em alguns casos, pensar sobre que tipo de pessoa não queremos ser.

Nesse balaio, incluo conversas sobre temas como constelações, violência e trabalho que surgiram quando desconhecidos pediram pra sentar na minha mesa (ou vice-versa) porque o bar tava lotado, e os tantos outros assuntos que se desenrolaram durante as longas refeições no meu work exchange na França. Acrescento, também, os exemplos de jovens ativistas dos quatro cantos do mundo que conheci em eventos como o World Forum for Democracy e o IFM Camp e me mostraram que dá pra gerar muito impacto com pouca idade. E salpico com um cara ou outro que me mostraram que é possível criar relações sinceras mesmo que temporárias. Cada momento desses (assim como infinitos outros) pode facilmente se transformar numa onda e balançar um pouco a gente, se deixarmos.

Quantas vezes não me perguntaram algo sobre o Brasil que nunca tinha passado pela minha cabeça? Quantos hábitos não tive vontade de levar pra meu dia a dia? Quantas vezes não senti orgulho de algo que nunca tinha valorizado? Quantas novas perguntas não colecionei sobre quem sou, do que gosto e o que posso melhorar? Quanto não me inspirei com formas positivas de ver a vida, o trabalho e os relacionamentos? Quantos exemplos não vi de gente que vive fora dos padrões tradicionais?

Nesse último ponto, em especial, tenho dado muita sorte: nos últimos três meses, não parei de esbarrar com exemplos de estilos de vida diferentes. O casal de músicos que tá viajando de kombi com as filhas e o cachorro, o cara que tá há dois anos na estrada fazendo vídeos de divulgação pra pousadas em troca de hospedagem, aquele outro que tá viajando de bike pelo Brasil, a mulher que trocou uma viagem de moto com o namorado (agora ex) por uma carona num fusca rosa e leva meses percorrendo o litoral brasileiro sozinha, o casal que abriu uma pousada na Chapada Diamantina e cria a filha pequena no meio dos hóspedes, os argentinos que saíram de cidades grandes pra trabalhar como garçons ou fotógrafos em Búzios ou Arraial do Cabo, o casal que mora num bar flutuante numa enseada de Ilha Grande, o guia que nunca saiu do Vale do Capão e nem pretende sair… Como não ficar com o coração em festa ao recordar que somos feitos de infinitas possibilidades?

Por essas e outras, tenho plena convicção de que não há um ser humaninho nessa terra que não tenha algo a ensinar e muito a aprender. Mas aqui cabe um disclaimer: não sou a pessoa mais extrovertida e sociável do mundo. Tou longe de ser aquela que conhece todos os vizinhos do prédio e sempre curti ter meu espaço e ficar sozinha de vez em quando. Vez ou outra, visto com prazer a carapuça da introvertida; já fingi que tava dormindo ou ouvindo música pra evitar interações sociais e já me escondi (figurativamente) por trás de um livro pra permanecer no meu mundinho.

Não acho que seja obrigação de ninguém sair catando gente pra conhecer durante uma viagem; não seria, afinal, muito diferente de bater cartão em vários pontos turísticos só pra constar. Mas manter um mínimo de abertura, aproveitar as oportunidades que aparecem e exercitar o interesse pelo diferente são atitudes que podem trazer frutos muito mais bonitos do que qualquer paisagem cinematográfica que podemos admirar por aí.

É por acreditar nisso que repito com frequência uma fala de um dos meus filmes preferidos: “If there’s any kind of magic in this world it must be in the attempt of understanding someone, sharing something” (algo como “se existe algum tipo de magia nesse mundo, ela deve estar na tentativa de entender alguém, compartilhar algo”).

Afinal, o ser humano pode ser péssimo. Pode decepcionar, machucar, destruir. Mas também pode ser lindo, e essa beleza tá nas trocas. Naqueles detalhes que fazem de cada um de nós um universo único e potencialmente inspirador.

Viajemos, então. Pelo mundo físico, que é deslumbrante, e também pelo universo particular de quem tivermos a sorte de encontrar por aí.

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2 Comentários

  1. Carla

    Linda postagem! Vc é uma pessoa incrível que passou pelo meu caminho . Me reconheço na sua postagem! 😊😍 Sentimentos, momentos de introspecção e de trocas, sem contar as incríveis histórias que servem de inspiração. Viajar é maravilhoso por muitos motivos, mas o autoconhecimento é algo subliminar que temos quando viajamos.
    Que nossos caminhos continuem belos!
    Um grande beijo e abraço apertado!😘

    • Oi, Carla! Que alegria ver teu comentário aqui <3 Apesar do nosso encontro ter sido breve, você foi (como deve ter percebido) uma das pessoas que me marcaram nos últimos tempos. Com certeza o autoconhecimento é o que levamos de mais incrível dessas jornadas. Tudo de mais lindo pra você nos teus caminhos :) Um beijo!!

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