Rio de Janeiro

O que fazer no Centro Histórico de Paraty

Uma cidade colonial mega bem preservada, à beira-mar, repleta de pousadas e restaurantes charmosos, com ruas só pra pedestres e sem o perrengue das ladeiras olindenses ou ouro-pretanas. Pegue isso tudo e acrescente um entorno com praias deslumbrantes, cachoeiras, trilhas e alambiques. Mexa um pouco e então misture um calendário de eventos recheado com programação o ano todo, desde a Flip (maior feira literária do país) ao Festival da Cachaça. O resultado? Paraty, um destino que muito dificilmente não vai te agradar. <3

Durante séculos, Paraty teve uma importância estratégica no Brasil, servindo pra entrada de mercadorias e escravos e pra escoar o ouro vindo de Minas Gerais e o café do Vale do Paraíba. Com o passar do tempo, foram criadas rotas alternativas que reduziram a importância do porto e isolaram Paraty. Assim, a cidade meio que parou no tempo, e por isso podemos hoje curtir ruazinhas que parecem cenário de filme.

Passei duas semanas por lá num work exchange e aproveitei pra conhecer muita coisa nos arredores, mas só o Centro Histórico já seria suficiente pra me apaixonar. Juro que não queria deixar suas expectativas muito altas, mas é difícil controlar a enxurrada de adjetivos quando falo sobre essa lindeza. :) São casinhas brancas com janelas coloridas, luminárias que imitam lamparinas, lojinhas e cafés fofos, barquinhos coloridos no porto, simpáticas ruas pavimentadas por pedras irregulares…

As tais ruas, aliás, são tão charmosas quanto traiçoeiras, mas essa característica que já virou ícone de Paraty é relativamente recente. É que na década de 1950 as pedras originais (que eram niveladas) foram retiradas pra instalação de serviços de esgoto, fornecimento d’água e eletricidade – repare que não tem nenhum fio aparente na cidade, o que contribui pra sua lindeza e pra que ela tente ser declarada patrimônio pela Unesco.

Depois de retiradas, as pedras “sumiram” e foram substituídas por outras aleatórias, jogadas de qualquer jeito. Por isso, é preciso uma certa dose de equilíbrio (e estratégia, eu diria) pra caminhar por lá sem tropeçar e sem parecer um bêbado. Não preciso nem falar que saltos altos são a pior escolha do mundo pra andar por ali, né? O lado bom é que você é praticamente obrigado a deixar a pressa de lado. ;)

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Outra característica da cidade é que as ruas são propositadamente curvas e com esquinas difíceis de identificar, porque é tudo branquinho. O recurso foi usado pelos portugueses pra confundir eventuais invasores – que na verdade nunca chegaram, porque as fortificações protegeram direitinho o lugar. Só quem se perde são os turistas mesmo, mas nem se preocupe: você sempre vai se encontrar (ou encontrar algum cantinho fofo pra conhecer).

Sem falar no curioso fenômeno da invasão das ruas pelo mar na maré alta, que também foi proposital. Nossos colonizadores projetaram as ruas com a parte do meio mais funda, deixando a água entrar e sair, pra lavar a cidade, já que todo o lixo e dejetos eram jogados nas ruas. É engraçado ver as placas de trânsito mostrando onde não é permitido estacionar, sob o risco de ter seu carro “afogado” pela maré (coisa que infelizmente vi acontecer).

Encontrei as ruas cheias d’água um dia quando voltei do passeio de escuna, mas dava pra achar uns caminhos com pedras mais altas pra se equilibrar ou se espremer e chegar do outro lado sem molhar os pés; caso o nível da água suba muito, não entre em pânico: algumas lojas vendem galochas.

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O que ver

Além de andar sem rumo pelo centrinho, que é bem compacto, vale prestar atenção a algumas construções. Pra começar – como não podia deixar de ser, numa cidade colonizada pelos portugueses – tem as igrejas. Em Paraty elas são simples, sem aquela vibe ouro-até-não-poder-mais de outras cidades coloniais, mas como não sou fã de ostentação religiosa, pra mim elas ficam mais bonitas assim.

A maior delas é a Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, que nunca foi finalizada porque começou a afundar, haha. Construída na beira do rio, em cima de terreno de mangue, ela ficou pesada demais e pararam a construção. Olhando direitinho pra o “rodapé” dá pra ver que ela é meio inclinada (um lado é diferente do outro).

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Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios

Tem também a igreja de Nossa Senhora das Dores, conhecida como “capelinha”, criada pra ser frequentada por mulheres, e as de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, pra os negros. E a Igreja de Santa Rita de Cássia, construída pra atender aos pardos.

Igreja Nossa Senhora das Dores

Igreja de Santa Rita

Outro destaque é a casa do príncipe, um sobrado que pertence ao Príncipe João Henrique de Orleans e Bragança, tataraneto de D. Pedro I. Ele é dono da Pousada do Príncipe, que fica perto da rodoviária. Em algumas ocasiões durante a alta temporada e eventos como a Flip ele oferece jantares chiques na sua casa, que tem 20 quartos.

Casa do Príncipe

Também vale conferir os ateliês de artistas locais e dar uma passada na Casa da Cultura, que tem entrada gratuita e abriga algumas exposições, eventos e oficinas. Quando fui lá, tava rolando a mostra de um pescador e artista, com quadros bem legais. Também é um bom lugar pra ir ao banheiro e beber água, caso você esteja só passando por ali. :P

Outra “atração” é a Rua do Fogo, que não tem esse nome por causa de nenhum incêndio ou nada do tipo, como você deve estar pensando. Na verdade, o que tinha por lá antigamente era prostituição; um “inferninho”, como se costumava chamar. Hoje, acho essa é uma das mais bonitas da cidade.

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Teatro de Bonecos

Em atividade desde 1985, o Teatro Espaço é um teatro pequeno no Centro Histórico, que abriga apresentações de teatro de bonecos pra adultos, normalmente às quartas e sábados às 21h. Muita gente me recomendou o espetáculo, que é mudo (podendo, assim, ser frequentado por estrangeiros) e bem bonito e delicado, mas não me conquistou tanto assim.

Por já ter visto umas obras legais de teatro de bonecos num festival no Recife, pelo preço que paguei (R$ 50 em junho de 2017) e por todos os elogios que tinha ouvido, esperava mais. Mas se você não estiver com a grana apertada, vale conferir! Depois me conta o que achou. ;)

Teatro Espaço - Teatro de Bonecos

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Comida e bebida

Como eu tava no modo #viajantelisa (com exceção dessa extravagância com o ingresso do teatro, hehe) não frequentei os badalados restaurantes paratienses. Um dos mais famosos é o Margarida Café, que é uma graça, mas os menus custam quase R$ 50 e não cabiam no meu orçamento. Felizmente, eles têm também uma padaria, onde fazem sanduíches delícia como um de pastrami que comi (por uns R$ 12), aproveitando o ambiente gostosinho (e o wi-fi, hehe). Também comi boas empanadas argentinas numa pizzaria que fica por trás da Igreja Matriz e que tem rodízio de pizza com um preço bem razoável.

Mas é claro que, apesar das limitações financeiras, não deixei de provar algumas cachaças locais, já que a cidade tem forte tradição e muitos alambiques antigos (prioridades, né, gente?). Pra algumas pessoas das antigas, a palavra Paraty é até sinônimo de cachaça; tem, por exemplo, uma música de Carmem Miranda que diz: “em vez de tomar chá com torradas, ele bebeu Parati”.

Uma versão tradicional de lá é a Gabriela, feita com cravo e canela. Até eu, que não sou fã de aguardentes normais, curti a “Gabi”. ;) Mas melhor ainda é o drinque batizado de Jorge Amado, feito com cachaça Gabriela, limão e maracujá e vendido em quase todos os bares e restaurantes da cidade. Tomei em alguns que ficam junto à Praça Matriz, na parte mais badaladinha da cidade, e fiquei desejando ter essa opção nos cardápios do Recife também.

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Se você tiver pouca grana que nem eu, não deixe de ao menos provar alguns doces vendidos nos tabuleiros ambulantes, uns carrinhos que ficam em várias esquinas tentando os passantes com delícias de vários sabores, como limão, chocolate, maracujá, coco e queijadinha. Provei um com queijo bem gostoso, só achei o pedaço grande demais – valeu pelo preço, R$ 6, mas se você não for mega formiguinha pode valer a pena dividir com alguém.

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No quesito sobremesa, outra opção com ótima reputação são as trufas recheadas do Bombom da Maga, mas achei os doces com uma cara normalzinha e pedi um alfajor; não foi o melhor da vida, mas tava muito gostoso.

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Passeios guiados

Pra saber mais sobre tudo isso que falei acima e outras curiosidades sobre a cidade, recomendo muito fazer o free walking tour com o guia Juan José. Já expliquei aqui no blog como funcionam esses tours guiados “gratuitos”, em que você paga no final o quanto achar justo, e desde então já aproveitei esse esquema em dezenas de cidades no Brasil e na Europa. O tour de Juan foi um dos mais legais, porque esse simpático mexicano conta muitas curiosidades interessantes e aponta detalhes que jamais teriam chamado minha atenção.

Ele também é uma pessoa interessante de se conhecer: capoeirista, veio de bicicleta até o Brasil junto com um senhor de 70 anos que desenvolve projetos sociais usando a capoeira em Salvador. Ele termina o tour da tarde, em inglês, com uma aulinha de capoeira – e quem for pra o da manhã, em português, também tá convidado a participar.

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Eventos

Vale a pena visitar Paraty o ano inteiro, mas os meses de junho a setembro são especialmente interessantes porque costuma ter menos chuvas e a maioria dos dias é razoavelmente quente, ainda que possam rolar frente frias e à noite chegue a fazer uns 15 graus.

De qualquer forma, não deixe de dar uma olhada no calendário de eventos da cidade, que tem todo tipo de festa. A mais famosa é a Feira Literária Internacional de Paraty, mais conhecida como Flip, que costuma acontecer em julho e reúne reunir grandes personalidades das letras pra palestras e debates muito interessantes.

Eu tive a sorte de estar por lá em junho desse ano durante outro evento muito legal, o Bourbon Festival, que leva pra Praça Matriz e outros palcos menores pela cidade vários shows de jazz, blues e R&B. A cidade ficou cheia de gente nesse fim de semana, e além da programação oficial tinha um monte de artistas de rua muito fodas em cada esquina. Uma delícia!

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Também ouvi falar muito bem do Festival da Cachaça, que acontece esse ano agora em agosto, e do Mimo, que começou em Olinda (e eu adoro) e agora rola por lá também; a próxima edição vai ser em outubro. Sem falar nas festas mais tradicionais e religiosas, como a do Divino (que em 2017 foi aconteceu no fim de maio e começo de junho) e a Corpus Christi, que deixa as ruas cheias de tapetes coloridos feitos de serragem e areia.

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