Escócia

Roteiro pelo Reino Unido: 20 dias de trem da Escócia ao sul da Inglaterra

É coisa de família: meu bisavô estudou lá, meu avô deu aula lá, minha mãe trabalhou numa organização de lá… Não surpreende, então, que o Reino Unido sempre tenha estado no topo da minha lista de “destinos dos sonhos” quando criança, né? Na minha primeira vez em Londres, no Natal de 2009, eu só faltei chorar (se brincar até chorei mesmo) na hora do tête-à-tête com aqueles ícones que tinham marcado minha infância cheia de souvenirs britânicos pelo quarto. Depois disso ainda tive a sorte de voltar lá mais uma vez, em 2013, e conhecer Cambridge e os estúdios de Harry Potter em Leavesden. E agora, outros quatro anos depois, fiz um roteiro pelo Reino Unido ainda mais delícia: percorri desde a Escócia ao sul da Inglaterra, parando em várias cidades charmosas.

A ordem da minha viagem foi Manchester (com bate-volta pra Liverpool) – Edimburgo – Glasgow (com bate-volta pras Highlands) – Brighton – Londres (incluiria aí um bate-volta pra Oxford e Costwolds, mas precisei cancelar porque fiquei doente). Não que essa seja a melhor ordem geograficamente; fiz assim porque os voos pra Manchester foram os mais baratos que encontrei desde a Croácia, onde estava antes, e porque com o passe de trem eu podia “subir” e “descer” sem problemas. Mas pra facilitar sua vida, vou falar do roteiro pelo Reino Unido num sentido mais lógico, tá? Tipo nesse mapa aqui embaixo, ó:

Roteiro de 20 dias pelo Reino Unido

Dias 1, 2 e 3: Edimburgo

A capital da Escócia foi minha cidade preferida desse roteiro. <3 Ela é pequena o suficiente pra se fazer tudo a pé, mas tem um monte de atrações diurnas e noturnas pra justificar no mínimo dois dias inteiros por lá (coloquei três no roteiro porque um seria o da chegada). Uma carinha medieval superbem preservada, vários pubs históricos, castelo, palácios, gente simpática, museus superlegais, vistas bonitas, whisky, chá, shortbread cookies, tours noturnos interessantes, ruas e prédios que serviram de inspiração pra Harry Potter… Tem muita coisa pra fazer por lá, e só caminhar pelas ruazinhas já é uma delícia.

Fiquei hospedada no hostel SafeStay, supercharmoso, moderninho, confortável e bem localizado (a 3 minutos da principal rua da cidade), com um bar legal no térreo.

Dia 4: Edimburgo – Glasgow (1h de trem)

Dias 4 e 5: Glasgow

Muito mais “moderna” do que Edimburgo, Glasgow não é tão fofuxa e não acho tããão indispensável no roteiro, mas é interessante especialmente pra quem gosta de arte, porque a cidade bomba nesse aspecto e tem vários museus e galerias. O centro é bem legal, mas minha área preferida foi o West End, um bairro charmoso meio residencial, meio universitário (a University of Glasgow, lindona, fica por ali). A região é cheia de jovens, lojas alternativas, bares descolados e abriga um jardim botânico lindinho e o Òran Mór, uma antiga igreja transformada em pub e centro cultural (vale MUITO a pena conferir uma peça do projeto A Play, a Pie and a Pint).

Fiquei hospedada lá no Ibis Styles George Square, também mega bem localizado, confortável e com uma decoração linda no lobby, além de várias “amenidades” (chá, café, croissant e pain au chocolat liberados <3).

Dia 6: Bate-volta pras Highlands (tour Rabbies)

As Highlands escocesas são lindas e merecem alguns dias de viagem caso você tenha o itinerário mais folgado, mas pra quem não tem tanto tempo esse bate-volta da agência Rabbies é ótimo. Fomos numa van confortável pra 16 pessoas, com um motorista-guia simpático e informativo, passando por lugares com vistas deslumbrantes como Glencoe e cidadezinhas como Fort Augustus até chegar ao Lago Ness. O lago em si não me pareceu muito especial, mas o passeio faz várias paradas e achei que a longa viagem não fica cansativa. Você pode conferir mais informações sobre o tour no site da Rabbies – e eles também fazem o mesmo passeio saindo de Edimburgo.

Dia 7: Glasgow – Manchester (3h20 de trem)

Dias 7 e 8: Manchester

Se você é apaixonado por futebol, a visita a Manchester deve valer a pena só pela visita ao National Football Museum (que é bonitão e interativo) e ao Old Trafford, estádio do Manchester United. Se não for o caso, a cidade não tem tantos “pontos turísticos”, mas como fui visitar amigos achei isso ótimo, porque curtimos a cidade sem “check-list”. Adorei caminhar pelo centro, visitar a deslumbrante biblioteca John Rylands (parece Hogwarts!) e aprender mais sobre a história da democracia e dos direitos dos trabalhadores no Reino Unido no People’s History Museum. O Museum of Science and Industry é legal pra crianças e a região conhecida como Northern Quarter é cheia de bares e restaurantes legais, lojas descoladas e grafite. Também rolam mercados de artesanato e comida nos finais de semana, além de vários shows de artistas famosos.  Não achei Manchester um destino imperdível, mas é uma cidade superimportante pra história do Reino Unido (e do mundo, com seu papel de destaque na revolução industrial), além de ter uma noite animada e ser uma boa parada no caminho de/pra Escócia e uma boa base pra visitar Liverpool. Ah, e a maioria das atrações tem entrada gratuita.

Vai passar a noite em Manchester? Procure as melhores opções de hospedagem e faça sua reserva. 

Dia 9: Bate-volta pra Liverpool (30-50 min de trem)

A cidade é fofa, mas vamos confessar: você provavelmente vai pra Liverpool em busca de um ou mais dias com a temática “Beatles”, né? Foi isso que fiz por lá, e mesmo não sendo ultramegafã da banda, adorei. Se você entende inglês, não deixe de embarcar no passeio de ônibus Magical Mystery Tour, que passa por vários lugares importantes pra história da banda e termina no The Cavern, pub icônico onde rola música ao vivo todo dia a partir das 11h. Outras atrações beatlemaníacas são o museu The Beatles Story, que achei muito bem feito e tem audioguia em português (além de uma lojinha legal e até um bar inspirado nos Fab4), e a visita às casas onde John Lennon e Paul McCartney cresceram (reserve ingressos com antecedência no site do National Trust). Se sobrar tempo aproveite pra passear pelas docas, conferir lojinhas independentes na região de Ropewalks e comer no restaurante “pirata” Smugglers Cove.

Quer aproveitar a noite de Liverpool? Procure as melhores opções de hospedagem por lá.

Dia 10: Manchester – Londres (2h de trem)

Dias 10 a 16: Londres

Se essa for sua primeira visita à cidade, vale a pena dedicar uma semana inteira pra curtir com calma. Nem vou mencionar atrações aqui porque esse post ficaria imenso, mas não se preocupe: em breve publico várias dicas pra você montar seu roteiro completo nessa que é uma das capitais mais interessantes do mundo (incluindo delicinhas como o East London, que só conheci nessa terceira visita). Se achar que tá com tempo sobrando, veja outras sugestões de passeios bate-volta a partir de Londres.

Não sabe onde se hospedar em Londres? Procure albergues e hotéis com os melhores preços.

Dia 17: Bate-volta pra Brighton (1h a 1h15 de trem)

Provavelmente você já viu fotos do icônico pier de Brighton, né? Além de ser um charme com seu letreiro luminoso e carinha vintage, ele abriga bares, barraquinhas de fish and chips e outras gordices, fliperamas, um mini parque de diversões e cadeiras de praia que podem ser usadas de graça. Não dei muita sorte com o clima lá e peguei um dia bem nublado, mas ainda assim achei a praia de pedrinhas muito linda, com destaque pra os restos do antigo pier que pegou fogo (e hoje bomba nas fotos do Instagram :P). Também adorei visitar o Royal Pavillion, palácio com inspiração indiana por fora e chinesa por dentro (nem curto muito palácios, mas esse é tão diferente e extravagante que me conquistou) e o aquário Sea Life, além de ver a cidade desde o topo do British Airways i360, a plataforma de observação móvel mais alta do mundo. Sem falar nos restaurantes delícia e lojinhas lindas, que vou mencionar no post sobre essa cidade fofa. <3

Vale a pena passar a noite em Brighton se você tiver tempo, até porque dá pra encontrar hostels e hotéis bem legais mais baratos do que em Londres. Passei duas noites hospedada no Blanch House, um hotel SUPER lindo (o quarto parecia coisa de princesa), com café da manhã a la carte excelente.

Dia 18: Bate-volta pra Cambridge (45min a 1h30 de trem)

Como comentei lá em cima, fui pra Cambridge numa viagem anterior, mas gostei tanto que não podia deixar de fora desse roteiro. Pra saber o que fazer por lá, dê uma olhada nesse post sobre Cambridge.

Dia 19: Bate-volta pra Oxford e Costwolds (1h de trem ou tour Rabbies)

Também é bem fácil ir pra Oxford de trem, mas se você quiser mais comodidade e um guia local, além de aproveitar pra conhecer as Costwold Villages, dá uma olhada nesse tour da Rabbies. Infelizmente tive que cancelar minha ida porque peguei uma infecção de garganta uó e fiquei de cama cheia de febre, mas o serviço da Rabbies é ótimo e me falaram muuuito bem de Costwolds.

Dia 20: Volta pra casa 

Costumo deixar o último dia numa viagem dessas pra voltar em algum lugar que amei, visitar algo que “sobrou” ou dormir até tarde antes de pegar o voo pra casa :)

Viajando de trem

Eu fiz essa viagem toda usando o BritRail Pass, um passe de trem disponível só pra estrangeiros. Existem vários tipos de passe: o London Plus, que vale em Londres e arredores (incluindo Cambridge, Brighton e Oxford, por exemplo); o England, que vale pra Inglaterra; o Spirit of Scotland, o Central Scotland e o Scottish Highlands, que valem pra diferentes partes da Escócia; e o GB Pass, válido pra Grã Bretanha inteira.

Você pode escolher entre o flexible, que permite viajar x dias durante um mês, ou o consecutive, em que são contados dias de viagem consecutivos (esse é interessante caso você vá fazer vários bate-voltas em dias seguidos ou ficar pingando de cidade em cidade). Também dá pra escolher a duração (de 3 dias a um mês) e a classe (padrão ou primeira classe). Mas fique ligado: não dá pra comprar o passe no UK, então você tem que pedir na lojinha online do Visit Britain antes de viajar.

Quais são as vantagens? Você pode viajar o quanto quiser em cada dia de validade do seu passe, não precisa se preocupar em comprar passagens (é só entrar no trem), pode usar pra ir pro aeroporto (Heathrow, Gatwick e Stansted) e pode levar crianças de graça na maioria dos tipos de passe.

Viajar de trem pelo Reino Unido não é barato, mas o serviço costuma ser excelente. Sem falar que os trens são bem mais confortáveis do que avião e ônibus, têm muitos horários pra maioria dos trechos (todos que eu peguei saíam no mínimo de hora em hora) e deixam você bem no centro das cidades. Os passes são caros, mas se você estiver pensando em usar trem, vale a pena fazer as contas pra ver se compensa em relação à compra de passagens individuais.

Ah, caso você esteja com um desses passes flexíveis, não se esqueça de preencher cada dia de viagem antes de entrar no trem. Também é importante ter o passe em mãos pra acessar a plataforma de embarque (as passagens normais têm um código que você passa na máquina e o BritRail Pass não tem, mas sempre encontrei funcionários junto das “catracas” pra liberar minha entrada rapidinho) e também pra mostrar dentro do trem quando solicitado.

Pra conferir os horários e preços dos trens no Reino Unido, acesse o site da National Rail. Eles também têm um app onde dá pra conferir os horários, verificar se houve algum atraso e até pedir pra ser acordado antes de chegar na sua estação de destino. Achei superprático viajar assim, porque não precisava me planejar muito, nem chegar nas estações na correria: bastava dar uma olhada nos horários pra ter uma ideia e sair da hospedagem quando estivesse a fim. ;)

Caso prefira viajar de ônibus, você pode usar os sites da National Express ou MegaBus, ou dar uma olhada em várias opções através de sites como o Rome2Rio.

Você já viajou pelo Reino Unido? Qual foi seu roteiro? Conta aí nos comentários!

O Janelas Abertas recebeu apoio do VisitBritain durante essa viagem ao Reino Unido, o que incluiu um BritRail Pass, acesso a atrações e hospedagem em algumas cidades. Todas as opiniões manifestadas aqui são pessoais e não sofreram interferência da organização ou das empresas envolvidas. O Janelas Abertas preza pela transparência e sempre sinaliza eventuais parcerias e patrocínios.

Contrate seu seguro viagem com desconto
Pesquise e reserve hotéis com os melhores preços no Booking
Alugue um carro nas melhores locadoras com a Rentcars e pague em até 12x
Procure a casa de câmbio com a melhor cotação da sua cidade 

Quando você usa esses links, o blog ganha uma pequena comissão pra se manter vivo e você não paga nada a mais por isso. <3 Saiba mais sobre as políticas de monetização do Janelas Abertas clicando aqui.

Pra conferir muito mais conteúdo sobre viagens todos os dias, siga o Janelas Abertas no Facebook, no Instagram e no Youtube. Espero você lá! :)

Posts Relacionados

2 Comentários

  1. RFK

    Eita que saudade que deu! Amei! 😍

Deixe o seu comentário