Pernambuco

O que fazer em Olinda: de igrejas a cachaça no Sítio Histórico

Pernambuco | 24/11/16 | 8 comentários

Recife e Olinda são como irmãs, coladinhas uma na outra. Por isso, ao visitar a capital pernambucana, não crie ciúmes na vizinha e separe um dia pra explorar suas ladeiras. ;) Digo ladeiras porque me refiro à Cidade Alta: o Sítio Histórico de Olinda, Patrimônio Cultural da Humanidade, fica no começo da cidade e concentra a maior parte dos seus atrativos – que podiam estar mais preservados, mas aposto que vão te conquistar. :)

E essa história de ladeiras significa também que você deve ir preparado. Dá pra explorar as ruas de carro, mas o passeio é mil vezes melhor se feito a pé. Então aproveite pra deixar a preguiça em casa (ou no hotel), calçar sapatos confortáveis, passar protetor solar e colocar uma garrafa d’água na bolsa. Pronto? Simbora!

Como chegar

Várias linhas de ônibus vão pra Olinda, saindo de diferentes pontos do Recife. Você pode conferir os itinerários no site do consórcio de transporte Grande Recife, e usar também o Cittamobi. Infelizmente, ambos podem ser um pouco imprecisos, então sempre vale pedir orientações na sua hospedagem ou em um dos Centros de Atendimento ao Turista. São uns 14 km de Boa Viagem, onde fica a maioria dos hotéis, até a Cidade Alta, e o caminho de carro é praticamente uma reta.

Eu costumo descer do ônibus ou estacionar em frente à Praça do Carmo (quando você passar pela Avenida Sigismundo Gonçalves, as referências são a lanchonete Sargação e o Clube Atlântico Olindense, do lado direito). A partir daí, é pernas pra que te quero.

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Roteiro

Minha primeira parada quando eu incorporo a guia turística costuma ser, então, a Praça do Carmo, que chama atenção pela igreja de mesmo nome, que fica em cima de uma pequena colina. Construída em 1580, ela foi a primeira igreja da Ordem Carmelita no Brasil – e fica linda cheia de gente aos seus pés, à noite, durante o Mimo. <3

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A partir daí existem mil caminhos possíveis e se perder faz parte (e é uma delícia), mas se for pra você andar sem rumo nem precisava escrever esse post, né? Então vou dar uma sugestão: contornando a praça e subindo pela Av. Liberdade você chega até uma mini pracinha onde fica outra igreja (vão ser muitas, prepare-se :P), a de São Pedro Apóstolo, do século XVIII.

Acho essa praça uma delicinha e numa das esquinas você encontra o Casbah, barzinho que fica movimentado nos findes, especialmente quando tem festinhas por ali. Em outra esquina fica a clássica Creperia de Olinda, mas vale guardar a fome (se ela já existir) pra mais tarde, porque tem lugares mais interessantes mais pra frente.

Daí, uma possibilidade é ir subindo pela Rua Prudente de Morais (a rua da creperia), onde você já encontra alguns ateliês e a charmosa Pousada dos Quatro Cantos, com um muro pintado carnavalesco que rende boas fotos. Bota Olinda no teu perfil do Face, vai. ;)

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Com mais alguns passos você chega aos Quatro Cantos, imortalizados na música de Alceu Valença, onde ficam barzinhos como o Peneira (uma das instituições olindenses).

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De lá, siga pela Rua do Amparo, onde passei o melhor Carnaval da minha vida – e onde fica a Casa do Axé, que vende o “Axé de Fala”, bebida perigosa que faz sucesso na folia. Subindo um pouco mais você passa pelo Museu Regional de Olinda, casarão que reúne mobília e objetos decorativos dos séculos 17, 18 e 19 – e que eu nunca visitei, então não sei dizer se presta. :B

Um pouquinho mais pra frente você encontra a Pousada do Amparo, que tem um café da manhã delícia disponível pra não-hóspedes. Se você começar esse passeio pela manhã, vale a pena ir direto se entupir de comida no bufê deles. ;) Aqui você pode ler o post que fiz sobre o café.

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Se o dia já estiver adiantado e a vibe for mais de cervejinha e cachaça do que tapioca e frutas, aproveite e faça uma parada estratégica na Bodega de Véio, outra instituição da boemia olindense, que à noite fica lotada de gente tomando uma entre petiscos, mantimentos e produtos de limpeza, numa vibe massa.

E se estiver a fim de almoçar, você pode subir até a Oficina do Sabor, perto da Igreja Nossa Senhora do Amparo. Um dos restaurantes mais renomados da cidade, ele cobra preços salgados em troca de pratos gostosos e uma vista bonita.

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Outra opção é voltar um pouco e ir até o Beijupirá, igualmente famoso e ainda mais aconchegante, com direito a elevadorzinho pra descer e mesas numa área climatizada ou na varanda arborizada (prefiro a segunda). Na minha última visita, pedi essa moqueca aí embaixo e não foi a melhoooor da vida, mas tava bem gostosa.

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Olha o mapinha do percurso até aqui:

Saindo do Beiju (fazendo a íntima) você pode passar pela Igreja da Misericórdia (construída em 1540), que fica no topo da ladeira de mesmo nome. Observe que preferi evitar essa subida, que combina com o nome :P. Aí você já se depara, do outro lado da rua, com uma vista bonitona do Recife. E com mais alguns passos chega numa loja chamada Artes do Imaginário Brasileiro, que vende itens de artesanato um pouco mais “sofisticados” (e caros) e, em frente a ela, um prédio que reúne mais um punhado de stands com artesanato (mais simples, mas ainda meio caros).

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E aí é só andar mais um pouco e txarans: você chegou no ponto mais visitado de Olinda, o Alto da Sé, onde encontra primeiro o Observatório de Olinda e várias barracas de tapioca. Pra quem tiver fome a essa altura, esse é um bom lugar pra fazer um lanche, já que a tapioca da Sé é a mais cultuada do Estado (apesar de, obviamente, não ser um produto único). Faz tempo que não como por lá, então nem sei dizer se a maioria ainda é boa mesmo, mas antigamente todas as tapioqueiras do lugar passavam por treinamento pra supostamente assegurar um padrão de qualidade tapioquístico. :P Ah, e não custa lembrar: se estiver em dúvida entre tantas opções de recheios, aposte na combinação clássica de queijo e coco.

Barriga cheia? Um pouco mais à frente, à sua esquerda, vai aparecer um prédio feioso (dizem que é um marco da arquitetura moderna brasileira, mas gosto não se discute, né?) que na verdade é um caixa d’água, junto do qual foi construído um pequeno elevador panorâmico que leva até o topo. É preciso pagar (acho que uns R$ 5) pra subir. O elevador em si é sem gracinha, mas se não tiver fila vale a pena ir conferir a vista. Dá pra ver a Igreja da Sé inteirinha, um pedação do Recife e também outras partes de Olinda, incluindo seu simpático farol (amo faróis).

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Na descida, pare pra dar uma olhada mais de perto (ou de dentro, apesar de não ser especialmente bonita) na Igreja da Sé, catedral da Arquidiocese de Olinda e Recife, que data de 1535.

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Se o passeio tiver dado aquela sede (de água ou cerveja, quem sabe), uma opção é ir até um dos bares lá do Alto da Sé mesmo, como o Cantinho da Sé e o Art & Grill, que não são dos mais caros e valem pela vista.

Caso não tenha cansado de andar, procure outras ruas pra descer por um caminho diferente. Uma sugestão é ir pela Rua Sete de Setembro e virar à direita na Rua da Bertioga, onde tem outro lugar legal pra comer e tomar uma cervejinha: a Casa de Noca, famosa pela carne de sol acompanhada da “melhor macaxeira do mundo” (o prato, aliás, é o único oferecido por lá). Num post antigo, falei sobre essa delicinha.

E prepare-se que vem mais comida por aí: virando à esquerda e descendo de novo você vai bater no restaurante Patuá Delícias do Mar (recomendo um prato maravilhoso de camarões com lascas de amêndoas e arroz de polvo <3). Logo junto dele fica o Mercado da Ribeira, que foi construído no final do século 17, funcionou como mercado de carne, farinha, peixes e escravos e hoje abriga lojas de artesanato. Vale a pena ir até os fundos do mercado pra dar uma espiadinha na vista, se você for que nem eu (aloka das vistas). E tem também o Museu do Mamulengo, onde estão expostos centenas de exemplares desses icônicos bonecos, criados por diversos mestres bonequeiros.

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Mais um pedaço de mapinha:

Suas paradas seguintes podem ser o Museu de Arte Contemporânea (MAC), que nunca visitei, ou a Casa do Cachorro Preto, que acho uma delícia – e já ganhou post aqui no blog. Dependendo do dia e horário, você pode encontrar essa casa superanimada, com exposições no interior e pequenos shows no quintal, ou pode só dar uma espiada na lojinha e dar um pulo no Bike Fit Café, que agora funciona lá.

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Daí, os boêmios podem encerrar a noite na Licoteria, outro point olindense, onde – como você deve ter imaginado – são vendidos vários licores produzidos por lá, com destaque pra frutas típicas do Nordeste. Se sua visita for num fim de semana, as ruas por ali provavelmente vão estar animadas com a galera curtindo a night, então pode já terminar o passeio por lá mesmo, sem hora pra voltar. \o/

Se ainda estiver cedo e você não quiser badalação, a última parada pode ser o Mosteiro de São Bento, construído em 1586. O lugar, que abrigou a primeira Escola de Direito do Brasil, chegou a ser destruído no século 17, num incêndio durante os conflitos entre portugueses e holandeses, sendo reconstruído no século 18. Se quiser conhecer por dentro alguma das tantas igrejas e similares da Cidade Alta, essa é uma ótima opção, com o interior bem rebuscado – seu altar-mor chegou a ser exposto no Guggenheim de Nova Iorque.

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E aí, nessa mistura entre história e boemia, se encerra esse post olindense, com um lembrete importante: todos esses mapas, pontos turísticos e roteiros não são imprescindíveis. Tão legal quanto ver tudo isso é caminhar sem rumo, observando as cores, as pessoas e imaginando a loucura que essas ladeiras ficam no tão esperado Carnaval. :)

Ah, e antes que me esqueça, aqui tá o mapinha do último trecho desse passeio:

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Você conhece Olinda como a palma da mão? Diz aí nos comentários o que eu deixei de fora e vale a pena conferir!

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8 Comentários

  1. Sérgio Luiz Barbosa

    As fotos são o máximo, agora, o texto fica sofrível quando se assume que não sabe isso ou aquilo e emite opinião não necessária sobre monumentos ou produtos artesanais ou gastronômicos. Não é crítica e sim o que senti quando li.

    • Oi, Sérgio! Esse é um blog pessoal, então emitir opinião é um dos principais objetivos ;) Além disso, a maior parte da audiência é de fora de Pernambuco, por isso assumo que os leitores podem conhecer pouco ou nada sobre a cidade. Um abraço

  2. Boa reportagens sobre nossa Olinda. Parabéns. Você não precisa publicar porque lhe pode parecer que estou a fazer propaganda mas, na próxima vinda a Olinda, não deixe de conhecer a excelente Trattoria Dom Francesco, na Prudente de Morais. Se quiser um bom almoço ou jantar de comida francesa, a Maison do Bomfim é o lugar, que toma o nome da rua onde está.

    • Oi, Edson! Valeu pelas dicas :) Não conhecia essa Trattoria, vou procurar. Um abraço!

  3. Lais Machado

    Adorei! Vou usar com certeza! Até os caminhos tão marcados! Perfeito :D falei la no insta q sou perdida e vou precisar dar uma de guia turística hehehe

    • Hahaha que bom que veio a calhar pra tu, gata! :D Espero que eles curtam o passeio. Beijo :)

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