Dicas Práticas

Turismo colaborativo: viagens na era do compartilhamento

Você vai viajar. Aí faz o quê? Deixa o cachorro na casa de um desconhecido que se compromete a cuidar dele, anota as dicas de viagem que encontra no TripAdvisor, aluga um quarto no apartamento de uma pessoa que nunca viu através do AirBnb, combina uma carona com outro desconhecido e racha a gasolina com ele através do Blablacar, conhece um monte de estrangeiros e moradores do lugar em um evento do CouchSurfing, divide a mesa com estranhos pra comer delícias típicas da cidade num jantar organizado através do EatWith, passeia com um anfitrião local pra conhecer o que turistas não costumam ver, ensina português a alguém e recebe aulas do idioma dele de graça… E assim por diante. Resultado: uma viagem mais barata e culturalmente rica, bem diferente dos pacotes turísticos tradicionais. Ou, como dizem por aí, “turismo colaborativo” <3

E parece que cada vez mais gente quer isso: experiências de viagem mais “autênticas”, que têm tudo a ver com uma grande tendência deste século: a economia colaborativa, em que todo mundo pode ser consumidor e fornecedor ao mesmo tempo. Compartilhar, dizem, é o novo comprar –  e isso vale tanto pra produtos quanto serviços, como aponta essa pesquisa da Nielsen. A internet (através de sites específicos, redes sociais e aplicativos) ajuda a unir pessoas com interesses e necessidades que se complementam e essa história vem dando certo: empresas como Uber e AirBnb, por exemplo, têm crescido exponencialmente.

E tem ainda outro lado: você também pode viajar sem sair de casa, ganhando uma graninha extra e conhecendo gente interessante. Pra isso, basta receber alguém no quarto que sobra no seu apê ou oferecer inúmeros serviços que vão de hospedagem e transporte a alimentação e passeios.

vayable

O Vayable é um dos sites que permitem viver “experiências únicas” oferecidas por moradores

Mas você deve ter reparado que lá no primeiro parágrafo eu falei em “desconhecidos” várias vezes, né? Já que tudo isso se baseia em trocas com pessoas que você provavelmente nunca viu, como confiar? Como saber que o meu anfitrião, hóspede, motorista ou esse cara que me convidou pra comer tacos na casa dele não vai me matar e esquartejar? :P Por incrível que pareça, incidentes com esses serviços são raros, e não por acaso: eles se baseiam na reputação dos usuários pra mostrar credibilidade: essa história de “reputação” é cada vez mais importante, sendo considerada até uma nova moeda.

Cada experiência costuma ser avaliada por outros usuários através de comentários, estrelas ou notas. Assim, quem tá alugando um quarto ou oferecendo carona ou uma refeição, por exemplo, tem todo o interesse em agradar, pra poder receber um bom review e conquistar novos “clientes”. Além disso, alguns serviços têm mecanismos extras como checagem de documentos, entrevistas e seguros pra anfitriões e motoristas.

No vídeo do TED Talks que você vê abaixo, Rachel Botsman fala sobre essa história de confiança e reputação na nova economia, e fala também algo que achei massa: “no fundo, trata-se de empoderamento. Trata-se de conferir poder às pessoas para realizarem conexões significativas, conexões que estão nos habilitando a redescobrir a humanidade que perdemos em algum lugar ao longo do caminho (…) A ironia é que essas ideias estão efetivamente nos levando de volta aos antigos princípios de mercado e aos comportamentos de colaboração que estão programados em todos nós. (…) Mas o motivo principal pelo qual isso está decolando tão rápido agora é porque todo novo avanço da tecnologia aumenta a eficiência e a liga social da confiança, tornando o compartilhamento cada vez mais fácil”.

Quando ela fala em “conexões significativas”, impossível não me lembrar das pessoas incríveis que tornaram algumas das minhas viagens totalmente diferentes. Gente que eu conhecia pouco ou nada e me recebeu em casa, mostrou a cidade, deu carona, cozinhou, fez drinques, deu dicas. Gente que me contou histórias, me mostrou os lugares sob diferentes perspectivas e se tornou a melhor lembrança do destino. E gente que eu conheci no Recife ou em Budapeste através de plataformas como o CouchSurfing e tive o prazer de ajudar, bater um papo ou levar pra passear.

Pensar em tantas possibilidades de conexões e nos frutos incríveis que elas podem nos trazer é instigante, né? Conheça algumas iniciativas que podem deixar sua próxima viagem muito mais interessante:

Hospedagem gratuita

Falei sobre o Couchsurfing aqui neste post, mas caso você não conheça o site, te apresento: o CS (pra os íntimos) te permite oferecer e buscar acomodação grátis em qualquer parte do mundo, na casa de desconhecidos. Muito mais do que economizar, o que essa comunidade proporciona é uma experiência de viagem que se transforma a partir das trocas entre o hóspede e o anfitrião.

Essa é a maior plataforma do tipo atualmente, com uma comunidade enorme no mundo todo e boa navegação, mas sofre algumas críticas por ter ficado ‘grande demais’ e ter deixado de ser uma organização sem fins lucrativos. Ela foi também a única que já usei, mas existem outras como a Hospitality Club (que tem um site antigo e meio tosco), Global Freeloaders (que aparentemente é muito impessoal e tem uma comunidade bem inativa hoje em dia) e BeWelcome. Tem também a Warm Shower, uma comunidade específica pra hospedar quem viaja de bicicleta.

House sitting

Existem também os sites de “house sitting”, ou seja, você ganha hospedagem gratuita enquanto o dono da casa está viajando, em troca de manter a casa ok – e, em alguns casos, de cuidar dos animais de estimação dos moradores. Alguns exemplos são Mind My HouseTrusted House Sitters, HouseSit Match e House Carers. O casal do blog Vida Cigana tá morando na Nova Zelândia e se hospedando de graça assim :)

Aluguel de casas

Outra opção é pagar por hospedagem diretamente a alguém que tem um quarto ou casa/apê vazio no destino que você quer visitar. Às vezes você convive com o dono da casa, às vezes tem o lugar todo só pra si. Já falei aqui no blog sobre dois apartamentos que aluguei em Paris (neste post e neste post) através do site Homelidays, mas existem muitos outros do tipo, como o AirBnb, que hoje é enorme e que eu usei pra alugar um apê em Canela (falei dele neste post) e um em Budapeste (mais infos aqui). Tem também várias outras páginas como Homeaway, Flipkey, Wimdu, 9 FlatsHomestay e Roomorama. Ah, e outra coisa legal desses sites é que às vezes rola de encontrar hospedagens “exóticas”, tipo uma casa-barco, uma casa na árvore ou até um castelo ^^ Vale muito a pena dar uma olhada!

E quem recebe gente também sai ganhando (além da grana), viu? Esse vídeo de Bruna Castro, do blog Abra a Janela, dá uma mostra disso ;) Bruna já hospedou tanta gente pelo AirBnb que foi chamada pra um evento de anfitriões do site lá em São Francisco, e aí fez cópias da chave de casa pra entregar pra o pessoal junto com um cartão de visita com link pra esse vídeo ^^ Tem mais infos sobre o vídeo aqui.

Troca de casas

E pra quem quer economizar, existe também a opção de entrar numa vibe “O Amor Não Tira Férias” e trocar de casa com outra pessoa. Infelizmente Jude Law não tá garantido no pacote, mas quem quiser explorar essa opção pode dar uma olhada nos sites Home Exchange, Love Home Swap, Guest to Guest e My Twin Place ;)

Hospedagem em troca de trabalho

Falei mais sobre isso neste post: existem alguns sites bem legais que ajudam viajantes e empregadores a se encontrarem e viverem felizes para sempre (ou por duas semanas, enfim) trocando algumas horas de trabalho X acomodação (e, muitas vezes, também alimentação). Os que eu conheço são Worldpackers, Helpx, Workaway e WWOOF.

Caronas e aluguel de carros

Em muitos países o compartilhamento de carros já é bem comum. Existem tanto os serviços em que você paga pra alugar mesmo o carro de alguém (por exemplo, você pode alugar um 4×4 quando for viajar ou um carro de luxo pra uma ocasião especial, pagando menos que em uma empresa de locação) quanto aqueles em que você encontra um motorista que tá indo pra o mesmo lugar que você e combina uma carona pagando um pequeno valor pra ajudar com a gasolina. Na primeira opção se encaixam sites como Relay Rides, Getaround e Fleety, enquanto na segunda tem outras como Blablacar, Lyft, carpooling, Sidecar e Mitfahrgelegenheit.

Tem também a famosa Uber, que oferece um serviço parecido com táxi, sendo que qualquer um pode se cadastrar pra oferecer “caronas pagas”. Ele chegou ao Brasil ano passado e já gerou polêmicas, porque as autoridades e os sindicatos de taxistas consideram que o serviço funciona de forma ilegal, com transportes remunerados sem as autorizações necessárias.

Experiências oferecidas por moradores

Ok, você preferiu se hospedar num hotel e alugar um carro numa empresa tradicional, mas ainda assim procura uma experiência mais “autêntica”? Também tem serviços pra você! Sites como o Vayable  e o brasileiro +Asas unem viajantes a moradores interessados em te levar pra passear de bike pela cidade, fazer um tour fotográfico, praticar yoga em lugares incríveis, explorar praias “secretas”, conhecer os bares da moda, provar as melhores comidas no mercado etc. e tal. Tem também o Voulez Vous Diner e o Eatwith,  que conecta viajantes adeptos do turismo comilônico a chefs e moradores que gostam de cozinhar e receber pessoas.

Guias e recomendações

Por que se basear apenas em um guia de viagens tradicional, escrito por uma só pessoa que você nem sabe quem é? Cada vez mais gente prefere confiar naquele cara que deixa várias dicas boas no Foursquare, ou em blogs e fóruns na internet, muitas vezes motivado pelo simples prazer de compartilhar boas descobertas. Algumas dicas pra pesquisar infos legais sobre destinos são o índice de destinos do site da Rede Brasileira de Blogs de Viagem, a plataforma de experiências gastronômicas Destemperados e outros sites, redes sociais e apps como Tripadvisor, Foursquare, Yelp, Wikivoyage, MinubeDubbi e Mochileiros.com.

Outros

Além das “categorias” acima, existe mais um sem fim de serviços que podem tornar sua viagem mais colaborativa. Um exemplo é o DogHero, que transforma pessoas apaixonadas por animais em uma alternativa aos hotéis de pets; o Cabe na Mala, feito pra quem quer achar um espaço na mala alheia pra trazer um produto do exterior e o Spinlister, pra alugar bicicletas :)

E você, conhece outras iniciativas do tipo? Conta aí nos comentários!

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8 Comentários

  1. Adoramos o post, Luisa! Estamos mesmo procurando dicas de viagens colaborativas.
    Curtimos muito essa troca entre viajantes e cidadãos do mundo.
    Valeu por compartilhar :D

    • Luísa Ferreira

      Que bom que vocês gostaram, Anna! :D Valeu pelo comentário ^^ Um abraço!

  2. cynthia

    amei, simplesmente amei este post!!!! tudo que eu adoro fazer em viagens. Super dicas pra meus próximos destinos.
    Obrigada!!!!!

    • Luísa Ferreira

      Que massa, Cynthia! :D Espero que possas realmente aproveitar as dicas nas tuas próximas viagens ^^ Um abraço e obrigada pelo comentário!

  3. Ana Carla

    Adorei!
    No Brasil tem o site de jantares compartilhados http://www.Dinneer.com eles fizeram até uma propaganda nacional com a Brahma

    • Maurício

      Eu ja usei o Dinneer duas vezes e recomendo ;)

  4. Vanderlei Lima

    Excelente post! Cobre boa parte da transformação sem volta em que vivemos. “Compartilhar é o novo comprar” é uma ótima definição! Parabéns!

    • Oi, Vanderlei! Que bom que você gostou do post :) Espero que essa transformação se espalhe cada vez mais! ;) Um abraço

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