Chile

Chile: cachoeiras, lagos e vulcão em Pucón

Chile | 28/12/15 | 4 comentários

Pucón foi a última etapa – e uma das minhas preferidas – da minha viagem pela Região dos Lagos, no Chile. A cidade fica a 780 km de Santiago e tem muitas atrações tanto pra quem curte uma vibe mais relax ou romântica quanto pra quem gosta de aventura e contato com a natureza. Cheguei lá depois de conhecer Valdívia, num percurso de 150 km de carro, e passei duas noites no Enjoy Gran Hotel Pucón, um hotel antigo e suntuoso à beira do lago Villarrica.

Ruas simpáticas, lindas paisagens e as famosas termas de águas vulcânicas vão agradar quem procura descanso, enquanto a galerinha que quer altas aventuras no melhor estilo Sessão da Tarde pode fazer trekking em lindos parques, rafting, caiaque, esqui, snowboard e a desafiadora subida até o topo do vulcão Villarica, por exemplo. O ideal é alugar um carro, mas se não der pra você, contrate pacotes com as operadoras turísticas que você encontra facilmente no centro da cidade.

O inverno não é a melhor época pra ir a Pucón, assim como pras outras cidades dessa região, mas foi a época em que eu pude ir. Chegando lá, descobri que além das desvantagens que já esperava (chove bastante, dificilmente se vê o vulcão Villarrica e não dá pra fazer certos passeios), existem também vantagens, como a atmosfera meio misteriosa nas paisagens e a tranquilidade de aproveitar os lugares sem os montes e montes de turistas que chegam por lá no verão.

Aviso logo que o post tá lotado de fotos, mas depois de ir até o fim ouso apostar que você também vai se apaixonar por Pucón e seus arredores. <3

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A cidade

Banhada pelo lago Villarica, Pucón é uma cidade pequena que dá pra explorar a pé numa boa. A principal avenida é a Bernardo O’Higgins, onde você encontra lojas, cafés, restaurantes, um supermercado e várias agências de turismo que oferecem tours pela região.

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Nos arredores da O’Higgings, principalmente na Calle Fresia, você encontra vários restaurantes que vão desde comidas típicas da região às culinárias japonesa, peruana e uruguaia. Usei o Foursquare pra procurar lugares legais pra comer e acabei lanchando no Café de La P, que fica de esquina com a O’Higgings (Rua Lincoyan, 395). O lugar é bem aconchegante e oferece deliciosas medialunas, bolos, cafés, sucos, tortas, chocolates, cervejas etc. Um bom lugar pra sobremesa, mas também rola de passar numa das lojas que vendem doces caseiros pra se empanturrar.

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Pra jantar, fomos um dia no mexicano Cielito Lindo (Bernardo O’Higgings, 535), que tem atendimento simpático e quesadillas gostosas.

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No outro dia, escolhemos o Sabores de Chile (Ansorena, 212), onde comi um saboroso pastel de jaiba (tipo um suflê de caranguejo) e um bife a lo pobre (bife acebolado com batatas fritas e ovo frito) muito bem servido, além de tomar um navegado (bebida popular no sul do Chile, feita com vinho tinto quente, rodelas de laranja e especiarias) e ouvir muita música típica. Como tava cedo e era baixa temporada, só tinha a gente na casa; com isso, a garçonete pôde tirar todas as nossas dúvidas sobre assuntos desde comida ao armazenamento de madeira pra o aquecimento das casas.

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Tá, mas a cidade não é só feita de comida, né? Caminhando pelas ruas, além do charme das construções tem outra coisa que deve lhe chamar a atenção: o Vulcão Villarrica, que em dias de céu claro pode ser visto de várias partes. Pelo menos é o que dizem, porque o tal do céu claro não apareceu pra mim. Fuén.

Mas tudo bem: se você for numa época de clima fechado como eu, também não vai esquecer que tá pertinho de um dos vulcões mais ativos da América do Sul, que entrou em erupção pela última vez em 1984. É que na avenida principal você vai encontrar um semáforo indicando o risco de erupção, além de instruções sobre o que fazer caso ele resolva ficar ativo enquanto você tá por lá. Aquele tipo de informação que a gente prefere nunca ter que usar, né?

E tem o lago! O hotel onde me hospedei ficava à beira dele, pra minha sorte, mas vale a pena ir até o final da Avenida Bernardo O’Higgins pra chegar numa pequena baía de onde saem passeios de barco. Infelizmente, não havia saídas nos dias em que estávamos lá – ligamos pra o número que tinha na placa e o cara disse que na baixa temporada só iria se houvesse um grupo grande confirmado.

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Mas zero bronca: tem muito mais água pra ver nos passeios pelas redondezas! Encontrei até um arco-íris pelo caminho. Vamos lá?

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Ojos del Caburgua e Laguna Azul

Um dos principais cartões postais dessa região é o conjunto de quedas d’água azul turquesa conhecido como Ojos del Caburgua (ou seja, olhos do Caburgua, que é o nome do lago que passa por lá). O lugar fica a 18 km de Pucón, em uma área privada, e você paga mil pesos por pessoa para ter acesso ao bosque (valor de julho/2015).

Depois de estacionar o carro em uma área aberta, basta caminhar alguns minutos em um terreno levemente acidentado (bem tranquilo, mas não recomendado pra quem tem problemas de locomoção) até chegar à passarela de madeira de onde se vê as quedas d’água. O tom da água é belíssimo, especialmente em dias de sol, mas por mais que você queira não é permitido tomar banho, ok? ;)

Ouvi dizer que na alta temporada o lugar fica lotado e o pessoal tem que andar quase em fila indiana, mas quando fui lá tinha só um grupo além de mim e deu pra contemplar o lugar por bastante tempo, andando pra lá e pra cá. Depois, siga a placa até chegar na Laguna Azul, onde você não vai encontrar Brooke Shields (desculpa, não consegui evitar a piada infame), mas sim outra queda d’água que também é uma lindeza. Ah, tem banheiros no local e em dias de sol você pode fazer canopy, que é tipo uma tirolesa.

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Lago Caburgua

Saindo de lá você pode ir mais adiante na estrada até o Lago Caburgua, que é cercado por vegetação e um vulcão inativo. Ao redor do lago se formam duas praias, a Playa Blanca e a Playa Negra, que visitamos. Os nomes se referem à cor da areia, que no caso da Negra são mais escuras, devido à sua origem vulcânica.

O lago é conhecido por ter águas mais mornas do que a média da região e dizem que atrai muita gente nos meses mais quentes, num esquema de praia e farofa mesmo. Deve ser massa andar num dos pedalinhos que vimos parados na areia, mas a visita também vale a pena no inverno: o cenário meio nublado fica lindo, né? ;)

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Parque Nacional Huerquehue

Ah, eu dei sorte de aproveitar a tranquilidade do contato com a natureza nos Ojos del Caburgua, mas se não for o seu caso, outra boa opção pra ir into the wild é o Parque Huerquehue (sempre que escrevo esse nome sinto como se estivesse rindo :P). Ele tem 12.500 hectares e fica a uns 30 km de Pucón, sendo uma das áreas silvestres protegidas mais antigas do Chile, cheio de araucárias – que dão nome à região, conhecida como Araucanía.

Na entrada, você encontra uma guarita onde normalmente existe um funcionário que pode lhe orientar, mas não encontrei ninguém. Tem também um mapa que mostra as trilhas e algumas atrações como cascatas e lagos, mas achei mais ilustrativo do que informativo. Existem diversas opções de trilhas, que são a principal atração do local: tem das mais curtinhas, com menos de 1 km, a outras de 5 km e até 20 km.

A ideia de adentrar o mato sem mapa ou guia, sozinhos e com chuva fina não nos pareceu muito inteligente, então nos limitamos a explorar um caminho curto mais pra baixo, do lado esquerdo logo na entrada. E valeu super a pena! Depois de passar por áreas pra camping e mesas de piquenique – tudo vazio -, encontramos por trás das árvores um lago lindíssimo rodeado por montanhas. Uma surpresa daquelas <3

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Vulcão Villarrica

É claro que não podia faltar ele: o vulcão Villarrica, que se impõe na paisagem com seus 2.847 metros de altura e atrai muitos visitantes dispostos a desbravá-lo. Você pode ir de carro até a base, que fica a uns 20 km do centro, por uma estrada conhecida como Camino al Volcán. Mas atenção: durante o inverno, o caminho pode ficar meio perigoso e a partir de certo ponto só é possível seguir com correias nas rodas do carro.

Fomos lá com um carro pequeno e sem correias meio na doida, porque o pessoal do centro de informações turísticas não nos alertou sobre nada. Deu tudo certo, mas foi uma aventura meio tensa que não sei se recomendaria a alguém :P No fim das contas adorei o passeio, apesar de não poder seguir quando a neve ficou mais espessa. No caminho, vimos árvores lindas e simpáticas ovelhas, mas no ponto onde paramos já tinha gente subindo com sapatos de neve e fazendo bonecos de neve.

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Em dias de tempo aberto e pouco vento, no entanto, dá pra praticar esqui no vulcão, que tem uma estação com cafeteria, teleféricos e aluguel de equipamentos. Outra opção é um passeio muito popular: subir no vulcão por uma trilha, com o acompanhamento de guias autorizados.

Você pode contratar o passeio, que exige bom preparo físico, nas agências de turismo de Pucón. Devido ao clima, não pude nem pensar em subir, mas você pode ler aqui o relato de um casal de amigos que topou a aventura e sofreu no caminho :P Chegar lá em cima deve ser incrível, mas é bom cuidar do corpitxo antes, hein? #projetovulcão > #projetoverão

Salto de la China

Além da célebre Ojos del Caburgua, a região tem várias outras cascatas, como os saltos del Carileufu, Marimán, Palguín, El León e La China, que valem muito a visita. Acredito que nenhuma tem águas tão azuis quanto as da Caburgua, mas são bem mais altas e ficam em lugares lindos no meio da mata.

Através de uma escolha meio aleatória, seguindo o Waze e as indicações do pessoal na estrada, acabei indo no Salto de La China, que fica a uns 30 km de Pucón e pode ser acessada por uma trilha um pouco estreita, mas curta – coisa de 15 minutos. O chão tava molhado por causa da chuva e fiquei com um pouco de medo de escorregar e morrer  (dramática nada, haha), mas ir até o meio do bosque e encontrar aquela queda d’água linda foi incrível.

Ela tem 75 metros de altura e a água não cai em tanta quantidade, mas ficar sozinha em pé no mirante de madeira olhando pra ela e pra vegetação ao redor e sentindo as gotas d’água escorrerem foi um dos pontos altos dessa viagem pra mim.

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Termas

Depois de levar essa água gelada na cara, você pode aproveitar pra ir numa das termas ali por perto. Por causa dos vulcões, Pucón é conhecida por suas águas termais, que têm sais e minerais com várias propriedades medicinais. Os centro termais ficam a menos de 35 km da cidade e não faltam opções pra escolher: Los Pozones, Trancura, Montevivo, Palguín, San Luis, Huife e San Sebatián foram os de que ouvi falar.

Os preços na alta temporada de 2015 ficavam entre 5 mil e 15 mil pesos por pessoa (com desconto pra crianças). Vi muitas agências oferecerem passeios com traslado, principalmente pras Termas de Huife e Los Pozones. Pelo que li, o primeiro local é mais estruturado, enquanto a Los Pozones é mais rústica.

Normalmente existem várias “piscinas” com diferentes temperaturas e substâncias, cada uma com uma finalidade curativa – elas prometem cuidar de reumatismo e ciática até problemas de circulação, asma e transtornos gastrointestinais. Não fui em nenhuma porque não curto muito (percebi isso em Budapeste, que também é famosa pelas termas), mas pode ser bem legal ir lá no começo da noite, depois de um dia cansativo, e ficar relaxando.

As que visitei, também aleatoriamente, foram as de Palguín, mas ao contrário do Salto de La China e da lagoa no parque, essa não foi uma boa surpresa :P O lugar tem seu charme, localizado no meio da mata, mas achei as termas em si meio esquisitas.

E você, foi pra alguma? Gostou? Conta aí nos comentários!

~

De Pucón, dei adeus à Região dos Lagos (com muito pesar) e voltei pra Santiago. E pode esperar que ainda tem mais posts sobre a capital chilena! ;)

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4 Comentários

  1. GLEBSON MEDEIROS

    excelente matéria, completa. Parabéns!

  2. Miriam Carmo

    Lindas as suas fotos! Parabéns! :)

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