Dicas Práticas

Check-list: o que fazer antes de uma viagem internacional

Viajar pra o exterior não é nada de outro mundo, mas também não é tão simples quanto ir visitar sua tia na cidade vizinha, né? Pra evitar perrengues, é bom ter um mínimo de planejamento, especialmente se a viagem for longa – tipo um período sabático ou um intercâmbio. Como tou me preparando pra uma temporada de alguns meses no exterior, aproveitei pra trazer pra cá meu check-list. Vamos nessa?

1. Decisões iniciais

Começando pelo óbvio: tem um monte de coisa que você vai ter que decidir depois de dizer “vou viajar!”, mesmo se for só uma escapadinha de fim de semana: escolher o destino, a forma de locomoção, estimar os gastos, economizar, comprar passagens, montar roteiros, reservar hospedagens… Coisas que dão um bocado de trabalho (e podem ser divertidas também, se você for que nem eu :P), mas são o básico pra viagem poder rolar, né?

Aqui no blog você encontra dicas pra economizar pra viajar, economizar durante a viagem, economizar com comida, procurar passagens usando o Google Flights, viajar com companhias aéreas low cost na Europa, escolher um bom albergue, conseguir a melhor cotação pra comprar moedas estrangeiras, alugar carro, entre outros conselhos práticos pra organizar sua viagem. :)

2. Emitir ou checar o passaporte

Se você não tem passaporte e vai pra o exterior (com exceção dos países do Mercosul onde o documento não é exigido), um dos primeiros passos é dar entrada na emissão desse documento. O processo não é complicado, e tá tudo explicadinho no site da Polícia Federal: é preciso juntar a documentação necessária, emitir a Guia de Recolhimento da União e pagar a taxa, fazer o agendamento de um horário num posto da Polícia Federal, comparecer lá com a documentação exigida, GRU paga, protocolo da solicitação e comprovante de agendamento e depois ir lá de novo pegar o passaporte pronto. Atualmente a taxa pra fazer o passaporte é R$ 257,25 e a validade é de 10 anos.

Se você já tem o seu, pode tar pensando em pular direto esse tópico, mas talvez não seja o caso: é importante checar a data de validade, pois alguns destinos exigem que o documento seja válido por até seis meses depois do dia da sua volta pra o Brasil. Pra checar qual a situação dos países aonde você vai o ideal é consultar a embaixada de cada um, mas você pode ter uma ideia de prazos pra destinos comuns aqui nessa matéria. Não é possível renovar ou prorrogar esse documento, por isso se o seu estiver com prazo de validade expirado ou prestes a expirar e você quiser emitir um novo vai ter que fazer todo o procedimento outra vez.

3. Emitir vistos

Nós brasileiros somos relativamente sortudos nessa loteria da vida viajante, podendo entrar a turismo em mais de 150 países sem precisar de visto.  Mas calmaí: antes de se animar, não se esqueça de verificar se os lugares pra onde você vai tão nessa lista. Uma boa fonte é essa tabela do Portal Consular do Ministério das Relações Exteriores, mas eles mesmos recomendam que você confirme as informações junto à embaixada ou consulado do país em questão.

Caso vá fazer conexão em outros países, é importante ver também se eles não exigem visto pra trânsito. E se você for viajar a trabalho ou estudo, normalmente não rola de ir como turista e tentar se regularizar no destino: procure saber antes quais são os vistos certos pra o objetivo da sua viagem e como emiti-los.

Além disso, dê uma pesquisada nos outros requisitos pra sua entrada: alguns destinos podem exigir a apresentação de reservas de hospedagem, comprovantes do objetivo da viagem, cartas-convite e passagens de retorno ao Brasil, por exemplo – muitas vezes essas coisas não são pedidas de fato, mas acho melhor não arriscar.

4. Emitir a Permissão Internacional pra Dirigir

Dizem que a Permissão Internacional para Dirigir (PID), nome oficial da “carteira de motorista internacional”, é tão importante pra dirigir no exterior quanto o Título de Eleitor é necessário pra votar. De fato, a maioria das locadoras de carro gringas não exige esse documento e ele não é obrigatório pela legislação de muitos países. Mas isso não torna a PID tããão irrelevante assim: caso você tenha algum problema enquanto dirige, bata o carro ou seja parado aleatoriamente por uma autoridade de trânsito, a CNH brasileira pode causar confusão, especialmente em países com idiomas mais diferentes do nosso – ou com polícia tão ou mais corrupta quanto a nossa.

Por isso, se você acha que existe uma chance de que você queira (ou precise) dirigir no exterior, acho válido emitir a PID. Felizmente, o processo costuma ser simples: o passo a passo específico depende do Detran de cada Estado, assim como a taxa cobrada, mas no geral é só pagar, levar uns documentos no Detran (ou nem isso) e pegar a PID alguns dias depois. Infelizmente, às vezes é caro: o valor da taxa também varia de um Estado pra outro, mas aqui em Pernambuco hoje em dia passa dos R$ 200. :(

E se ligue: a validade da PID é a mesma da sua CNH, então se essa última estiver vencida ou perto de vencer é bom renová-la antes, pra não ter que tirar outra PID pouco tempo depois. Além disso, a PID não vale de nada sem a CNH junto (ela é tipo um caderninho que traduz o conteúdo da CNH pra vários idiomas) e não substitui sua carteira de motorista no Brasil.

5. Fazer um check-up no médico

Se você for passar muito tempo fora ou tiver alguma condição médica que precise de acompanhamento, é bom dar uma passada num médico pra fazer aquele velho check-up e reduzir a chance de surpresas do mal durante a viagem.

Aproveite pra perguntar quais remédios você deveria incluir na sua farmacinha de viagem e peça receitas do que for necessário, lembrando de guardá-las junto com os remédios na mala de mão.

Além disso, se o destino a ser visitado for suscetível a doenças graves que não temos aqui, pode ser útil consultar um posto de medicina do viajante pra se informar sobre vacinas e outros cuidados que pode tomar antes e durante a viagem.

6. Tomar vacinas

Viajando ou não, é sempre bom ter o cartão de vacinação em dia (sou suspeita porque adoro tomar vacinas, haha. pra mim é como dizer “rá, nem pode me pegar, sua doença uó” :P). Muitas vacinas são oferecidas pelo SUS e outras podem ser recomendadas nos Centros de Orientação ao Viajante, dependendo do destino pra onde você for, e aí você procura uma clínica particular pra tomar (preparando o bolso, porque os preços costumam ser bem salgados).

Se ligue: algumas vacinas exigem um período de 10 dias a 6 semanas até atingir a proteção esperada. Por isso, é bom começar a pesquisar com antecedência à viagem.

E tem o caso específico da febre amarela, contra a qual não basta se vacinar: cada vez mais países exigem o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) pra entrar no seu território. Veja aqui a lista dos países. A vacina contra febre amarela deve ser tomada pelo menos dez dias antes da viagem, se você nunca tomou antes. Ela tá disponível em postos de saúde, onde é aplicada e registrada no Cartão Nacional de Vacinação.

Pra tirar o CIVP você deve procurar os Centros de Orientação ao Viajante da Anvisa, levando o seu Cartão Nacional de Vacinação e um documento de identificação pessoal oficial com foto. Em algumas cidades, como o Recife, existem unidades do Centro de Orientação ao Viajante em postos de saúde (aqui é a Policlínica Lessa de Andrade, na Madalena) e dá pra fazer tudo de uma vez só. Pra mais informações, clique aqui.

7. Montar uma farmacinha de viagem

Ainda no tópico saúde, é bom ter sempre à mão uma bolsinha de primeiros socorros/farmacinha. Nela, costumo levar os remédios que tomo normalmente, tipo analgésico, antitérmico, relaxante muscular, anti-inflamatório e remédios pra enjoo, cólica, indigestão, dor de garganta, gripe, termômetro etc., acrescentando alguns que não costumo usar, mas posso precisar numa viagem, como antialérgico, pomadas pra queimadura e picada de insetos, além de colírio e band-aids (tem quem sejam mais profissa e leve também gaze e esparadrapo). Tiro tudo das caixas e guardo junto com as bulas numa bolsinha.

Fale com seu médico pra mais detalhes e se a viagem for longa, vale a pena anotar os princípios ativos de remédios que você tem menos chance de precisar, porque assim fica mais fácil de comprá-los no destino caso seja necessário (bate na madeira).

8. Emitir procurações

Essa também vale pra viagens longas (ou caso você já saiba que vai ser preciso fazer algo em seu nome durante o período em que estará ausente): procure um cartório de notas pra emitir uma procuração de plenos poderes ou específica pra alguma finalidade (venda ou compra de bens, movimentações bancárias etc.) no nome de alguém em quem você confia. Não costuma sair barato (coisa de R$ 80), mas pode ser muito útil com burocracias inesperadas.

Com uma procuração de plenos poderes, a pessoa teoricamente pode representá-lo em todas as situações, mas em alguns casos pode ser exigido um modelo específico, por isso é bom se informar no cartório e na instituição em questão (você pode, por exemplo, perguntar a seu banco se eles exigem alguma procuração específica e pedir pra eles o modelo).

9. Contratar um seguro viagem

O seguro viagem internacional é exigido pra entrada em alguns países – em especial os do Espaço Schengen, que compõem boa parte da Europa. Mas ainda que não seja um pré-requisito pra o destino aonde você vai, acho uma precaução muito importante.

Pra quem vai passar muito tempo fora, nem se fala: em períodos tipo um ano é muito provável que você precise ir ao médico, né? E mesmo em viagens mais curtas, você nunca sabe o que pode acontecer. Foi justo em dois intercâmbios de curta duração que precisei do seguro: em Lyon e em Budapeste.

Já ouvi muitas histórias assombrosas de pessoas que precisaram de assistência médica no exterior e tiveram que pagar milhares de reais por exames simples. Um braço quebrado nos Estados Unidos pode custar até US$ 20 mil! O valor do seguro varia de acordo com o período da viagem, o nível de cobertura e a idade do viajante, mas garanto que não vai chegar nem perto disso. :P Pra mais informações sobre o assunto (e pra descobrir como contratar o seu online, com desconto) veja o post “Seguro viagem é realmente necessário?”.

10. Desbloquear cartões

Quando seu banco detecta transações no exterior ele pode achar que tem algo estranho e bloquear sua conta como medida de segurança. Por isso, não se esqueça de informar pra que países vai viajar e em que período. Não sei se em alguns bancos ainda é preciso fazer isso por telefone, mas no meu eu uso o Internet Banking pra cadastrar as datas das viagens em alguns minutinhos e guardo os comprovantes pra mandar pra eles caso dê alguma bronca. Também é importante, caso você ainda não tenha feito isso, habilitar todas as funções do internet banking no seu celular, tablet e/ou computador pra poder resolver eventuais probleminhas a distância.

11. Comprar moedas estrangeiras

Ainda no assunto dindin, se programe pra comprar a moeda do país pra onde vai (ou a melhor opção pra converter lá, se for o caso) com certa antecedência. O ideal, dizem os especialistas, é ir comprando aos poucos, pra conseguir uma cotação final que seja a média das flutuações cambiais. Caso não possa fazer isso, tente ao menos não deixar pra véspera da viagem, pra poder fazer uma pesquisa nas casas de câmbio da sua cidade e escolher a melhor cotação.

Uma boa opção é usar a Melhor Câmbio, uma plataforma que reúne as cotações de várias empresas, atualizadas em tempo real, pra você pesquisar qual delas tá melhor.

12. Arrumar roupas e equipamentos específicos

Dependendo de pra onde você for e que atividades pretende fazer, pode precisar de roupas e equipamentos que não usa no dia a dia. É o caso de quem vai pra países frios no inverno, realizar esportes de aventura, acampar ou fazer turismo por lugares mais inóspitos/selvagens tipo desertos e florestas. Pode ser que você precise de uma barraca de camping, saco de dormir, colchão inflável, casacos, sapatos de trekking, roupas impermeáveis…

É bom pesquisar isso com antecedência pra ver o que você pode improvisar, o que pode conseguir emprestado, o que precisa comprar antes de ir e o que pode adquirir no destino. Atenção especial pra os sapatos: se você comprar aquelas botas de trilha incríveis e caríssimas e não usá-las antes da viagem é bem possível que na hora H você descubra que elas machucam seus pés. Viajar com sapatos novos é quase um crime!

Ah, e também vale lembrar daqueles itens que servem pra toda viagem e nem sempre temos à mão, como cadeados, ziploc, embalagens pequenas pra colocar líquidos na mala de mão, tapa-olho pra dormir de boas no avião ou no albergue etc.

13. Aprender o basicão da língua local

Não, eu não tou dizendo que você tem que aprender 10 idiomas diferentes pra poder fazer sua eurotrip. No fim das contas, o bom e velho inglês, o querido portunhol e até a mímica desenrolam muita coisa. No entanto, saber algumas palavras na língua local pode evitar que você seja enrolado, além de criar maior simpatia dos moradores da cidade com relação a você – o que é útil pra fazer amigos e também pra descolar boas dicas.

Eu costumo baixar no celular ou no Kindle um dicionário básico de conversação pra poder pedir ajuda (ou cerveja) e saber palavras úteis como banheiro, saída, entrada, puxe, empurre, os números etc. Esse é um dos itens mais supérfluos dessa lista, especialmente se você puder apelar ao Google Translate em caso de dúvidas, mas também é um dos mais fáceis de “dar check”. ;)

14. Arrumar a mala

Quase todo ser humano sofre da síndrome do “acho que tou esquecendo alguma coisa” quando tá saindo pra uma viagem, né? Eu sou mestra nisso, mas pra reduzir as chances de que seja mais do que uma sensação adoto sempre duas táticas simples: fazer uma lista do que vou levar na mala/mochila e começar a arrumar tudo com alguns dias de antecedência. Assim, tenho tempo pra ir me lembrando de uma coisinha ou outra, além de acabar desistindo de levar alguns itens colocados ali meio que por impulso.

No comecinho do blog, fiz um post sobre o que levar na mala, mas vai rolar uma versão atualizada em breve. :) Ah, outra dica: quando a mala estiver pronta, vale a pena tirar uma foto dela pra ajudar na localização caso (deusolivre) ela seja extraviada.

15. Escanear documentos

Vivemos num mundo digital e ter tudo na nuvem facilita MUITO a vida, não só durante viagens, mas no dia a dia também. Vai por mim: se rolar alguma bronca você vai dar graças aos céus pelos minutinhos que perdeu escaneando seus principais documentos e salvando tudo num serviço como Dropbox ou Google Drive, ou mesmo no seu e-mail.

Costumo salvar os documentos numa pasta e criar outra pra aquela viagem específica, guardando nela e-tickets, reservas de hotéis, passagens de trem, comprovantes de aluguel de carro, mapas, roteiros etc.

Alguns documentos que vale a pena salvar na nuvem: as primeiras páginas do passaporte, incluindo vistos; identidade e CPF; Certificado Internacional de Vacinação contra Febre Amarela; extrato bancário; comprovante de compra de moeda estrangeira; comprovante de vínculo estudantil ou empregatício no Brasil; CNH e PID; receitas médicas, caso leve remédios prescritos; notas fiscais de objetos de valor que esteja levando; apólice de seguro viagem; comprovante de endereço no Brasil; certificado de estudo ou contrato de trabalho, caso vá fazer intercâmbio ou trabalhar no exterior; autorizações dos pais para viagem (se viajar com menores de idade).

Alguns desses, como a identidade e o CPF, você nem precisa levar na versão original (se for pra um país onde precisa do Passaporte); os demais vão numa pastinha na mala de mão ou na doleira.

E você, o que não deixa de fazer antes de viajar pra o exterior? Compartilha aí nos comentários!

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