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Chapada Diamantina sem carro: 7 dias entre Capão e Lençóis

Bahia | 04/07/17 | 6 comentários

De todas as pessoas que conheci visitando a Chapada Diamantina (e olhe que não foram poucas), não teve uma que não falasse que queria voltar em breve. Eu engrossei o coro, é claro. Já sabia que a Chapada é uma região enorme e que é preciso muito tempo pra conhecer todos seus atrativos, mas foi só chegando lá que entendi melhor a dinâmica do lugar. E, ainda mais importante, senti na pele (e com todos os outros sentidos) a vibe desse pedaço tão especial da Bahia.

Viajei sozinha, sem carro, e sabia que em termos logísticos isso podia ser complicado. O ideal, penso, é ir de carro num grupo de quatro pessoas. Assim, dá pra economizar não só com a gasolina, mas também com a contratação de guias (quando necessário), que pode ser “rachada” pelo número de participantes – e ainda sobra espaço pra o próprio guia, é claro.

É especialmente vantajoso ir de carro se você for em baixa temporada (exceto feriados), quando talvez seja um pouco mais difícil encontrar passeios pra se encaixar. Também é o caso se você não tiver muito tempo e quiser fazer base em várias cidades, já que o transporte público entre elas não é dos melhores.

Dito isso, nem pense em desistir se, assim como eu, você estiver desmotorizad@ e sozinh@. Consegui fazer quase tudo que queria e achei muito massa ir só. Se você estiver sem companhia e sem carro e ficar insegur@ de se jogar, pode fechar um pacote com uma agência, com traslados e passeios incluídos. Quer ver como eu fiz? Desce aí.

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Meu roteiro de 7 dias

Passei sete dias inteiros por lá, divididos entre o Vale do Capão (cidade minúscula conhecida pela atmosfera riponga) e Lençóis (ainda pequena, mas bem mais turística e estruturada). Tem aeroporto em Lençóis, mas acredito que a maioria chega de avião em Salvador e pega ônibus até lá. Você também pode ir de ônibus pra outra cidade-base na região, como Mucugê, Igatu, Andaraí ou Rio de Contas.

Queria ter ido pro Capão durante o final de semana pra conferir a feirinha que rola lá aos domingos e dizem ser massa, além de ver se conseguia ir a alguma apresentação do Circo, mas encontrei um pacote de São João com os principais passeios que queria fazer em Lençóis, então mudei a ordem da viagem, começando por lá numa terça-feira.

No Capão os passeios costumam ser contratados diretamente com guias locais, participantes da Associação de Guias do Vale do Capão, com preços tabelados. Atualmente, os tours de um dia custam R$120 pra até quatro pessoas, e se o número de participantes for maior fica R$30 pra cada e o valor total aumenta proporcionalmente. Esse valor não inclui o transporte, que em alguns casos (como a trilha da Cachoeira da Fumaça por cima, passeio mais famoso saindo de lá) não é necessário.

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Também não é sempre que você vai precisar de guia, se já estiver acostumado com trilhas. Pra Fumaça, por exemplo, achei tranquilo chegar no início da trilha e seguir algum grupo de pessoas, porque apesar de longo e íngreme o caminho tem poucas bifurcações (vou falar disso em mais detalhe nos posts sobre cada atração).

Em Lençóis, por outro lado, quem não tá de carro fica preso às agências, que costumam oferecer passeios de um dia incluindo transporte, almoço ou lanche, guia e entradas pras atrações que são pagas. Tem também alguns roteiros que ficam juntinho da cidade e podem ser visitados por conta própria ou com guias contratados na hora, mas apesar de muito legais eles não são os mais deslumbrantes (e famosos) da região.

Vale do Capão

Peguei o ônibus das 23h na rodoviária de Salvador até Palmeiras, cidade próxima ao Capão. Se você também for no noturno, vale colocar um despertador pra hora estimada da chegada, se Palmeiras não for o destino final, pra não perder a parada. :B Meu ônibus parou em Lençóis no caminho e ainda seguiria pra outra cidade.

Chegando na mini rodoviária de Palmeiras, umas 6h30 da manhã, peguei um carro pra o Capão. Você provavelmente vai encontrar, assim que descer do ônibus, uma galera que faz esse transporte informal, que hoje custa R$15, pagos na hora pra o motorista. Se estiver num dia movimentado, recomendo falar logo com um dos caras assim que descer do ônibus pra “reservar” sua vaga enquanto espera pra pegar a bagagem – vi gente ter que esperar a chegada de outros carros porque os primeiros lotaram rápido.

De Palmeiras pro Capão é cerca de meia hora numa estrada de terra. Pedi pra descer quando avistei a pousada onde ia ficar, a Tatu Feliz, que fica na rua principal. Deixei minhas coisas, comi numa padaria e já fui procurar um guia da Associação pra fazer algum passeio. Tive sorte porque uma galera tava indo de carro pra o Poço da Angélica e Cachoeira da Purificação, aí me encaixei no grupo e ganhei, além da carona, ótimas companhias. :)

No dia seguinte, me juntei com uma baiana que conheci nesse dia (e que tava de carro) e contratamos o mesmo guia (Zé Maria, recomendo!) pra ir até a Cachoeira da Fumaça e depois pro Riachinho, que fica a 8km da cidade e é uma delícia. <3

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O Capão é, como já tinham me alertado, um lugar mágico. Pequeno e aconchegante, ele é composto por basicamente duas ruas e uma pracinha, onde você encontra ótimas comidinhas caseiras e vegetarianas (não deixe de provar os pastéis de forno, coxinhas e até hambúrgueres feitos com palmito de jaca), lojinhas de produtos naturais e uma galera massa numa vibe bem paz e amor. ;) Fiquei com muita saudade de lá quando saí e não parava de propagandear esse lugar delícia pra galera que conheci em Lençóis (aloka).

Lençóis

No terceiro dia, meu plano era fazer as trilhas de Águas Claras ou Rio Preto, saindo do Capão. Como só tem dois ônibus por dia de lá pra Lençóis (atualmente, o primeiro sai umas 12h20 e o segundo às 22h40), chegaria tarde em Lençóis e prefiro evitar esses deslocamentos noturnos quando viajo só. Essa mesma baiana que mencionei ali em cima me ofereceu carona pra ir pela manhã, então fui com ela. :) Chegando lá fiz o check-in na Casa Mangamel e fui sozinha conhecer o Serrano, que fica a 15 minutos de caminhada do centro e é tipo a praia da galera de lá.

Nos três dias seguintes fiz os passeios mais populares com saída de Lençóis, num pacote de São João da agência Chapada Adventure Daniel, que tinha sido recomendada por um casal de amigos e não me decepcionou. Todos os funcionários e guias que conheci foram muito simpáticos, atencioso e profissionais, as vans eram bem conservadas e achei os roteiros muito bem organizados.

Contratei o pacote online, pagando no cartão, mas também dá pra fechar com eles lá mesmo. Preferi reservar antes porque era São João e não quis arriscar ficar sem vaga, mas tinha espaço sobrando no nosso grupo. As agências ficam quase todas próximas umas às outras no centrinho e costumam ficar abertas até tarde, então é fácil comparar preços chegando lá.

Paguei R$ 640 pra conhecer no primeiro dia o Poço Encantado e o Poço Azul, no segundo o Poço do Diabo e a Cachoeira do Mosquito e no terceiro a Gruta da Lapa Doce, a Gruta Azul, a Pratinha e o Morro do Pai Inácio. Tudo sem correria, com tempo pra curtir os lugares. Ah, e o pacote incluía também transfer da rodoviária pra pousada.

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No meu último dia em Lençóis eu queria ir pra Cachoeira do Sossego, que é puxadinha (14km ida e volta), mas começa pertinho do centro. Infelizmente, a cidade tava bem vazia pós São João e não encontrei grupo pra dividir a diária de um guia. Me juntei então a um pessoal do hostel e fomos fazer outras trilhas bem mais fáceis por perto: primeiro Ribeirão do Meio, depois almoçamos e fomos no Serrano, Salão de Areias, Poço Halley e Cachoeirinha.

Moral da história

Ainda não conheço as outras chapadas brasileiras, mas a Diamantina é um dos cantos mais especiais que já visitei. Nenhum passeio me decepcionou, mesmo com as expectativas altas que tinha pra alguns deles, e fui embora com vontade de ficar (como quase sempre :P). Ainda assim, acho mais interessante fazer mais de uma viagem do que ficar mais de 10 dias por lá de uma vez.

Explico: por mais que cada cantinho tenha suas particularidades, a overdose de cachoeiras foi diminuindo um pouco meu deslumbramento com o passar dos dias. Pra preservar o encanto e pulverizar a rotina urbana com momentos que ajudam a lembrar do que realmente importa, prefiro dividir esse paraíso em pedaços e ir absorvendo tudo aos poucos. :)

O que fiquei querendo fazer na próxima visita (que espero não demorar): passar um domingo no Capão, ir pra Águas Claras, fazer o passeio do Buracão (parece ser o mais incrível da Chapada, mas fica mais perto de Mucugê) e fazer a travessia do Vale do Pati, que pode durar de 3 a 5 dias, com paradas pra dormir em casas de apoio pelo caminho.

Aos poucos vão entrando aqui vários posts falando sobre cada dia dessa viagem inesquecível, os lugares onde me hospedei, quanto gastei e o que mais vocês quiserem saber.

Já foi pra Chapada Diamantina? Me conta aí o que achou! Tem alguma dúvida específica? Joga aí nos comentários!

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6 Comentários

  1. Thalles

    Luísa, este lugar realmente é especial!! E olha que em um país como o nosso com tantos lugares incríveis, tantas belezas diversificadas… Chapadas é um tipo de paisagem que não faltam neste Brasilzão (Veadeiros, Araripe, Guimarães, das Mesas…) mas a Chapada Diamantina é um dos lugares mais fantásticos que já conheci! Os passeios são completamente diferentes um dos outros (grutas, cachoeiras, morros, cidade histórica, povoados…). Isso sem falar na comida!! Pelo seu relato, percebi que você também sentiu a força deste lugar! Não deixe de fazer as outras chapadas!! Indico a das mesas e os Cânios do sul! Bjs!!

    • Achei impressionante mesmo, Thalles! :) Não esperava me encantar tanto assim. Quero ir em todas agora, hahaha. Quando chegar a hora vou te pedir dicas, tá? Mas ainda acho que vou voltar na Diamantina primeiro <3 Beeeijo

  2. Críssia Marcelino

    Luisa, quais os lugares que você recomenda conhecer no período de cinco dias? Percebi que os passeios da Chapada são diversos e provavelmente não conseguirei fazer todos. Então, quais os principais. E as pousadas, você reservou antes, ou foi chegando em cada cidade e procurando na hora?

    Att

    • Oi, Críssia! Dos passeios que eu fiz, meus preferidos foram a Cachoeira do Mosquito, a Cachoeira da Fumaça e os poços Azul e Encantado. Com cinco dias inteiros, acho que ficaria um dia e meio no Capão (pra fazer a Fumaça + Riachinho num dia e fica de bobeira por lá no outro – de preferência um domingo) e depois iria pra Lençóis pra ir no Serrano no fim da tarde relaxar e depois ter três dias inteiros por lá e fazer os passeios desse pacote que mencionei no post (e que podem ser visitados de carro ou contratados separadamente, com essa ou outras agências). Se você gosta mais de trilha do que de chegar já no passeio “pronto”, pode preferir ir até a Cachoeira da Purificação ou a do Sossego do que pra Gruta da Lapa Doce, Gruta Azul, Poço Encantado e Pratinha; se prefere fazer menos esforço, a Fumaça pode ser um pouco pesada, mas o Pai Inácio é mais tranquilo e dá direito a uma vista linda (especialmente no pôr do sol). Reservei as pousadas antes e com poucos dias acho melhor, mas chegando lá dá pra achar vaga, sim. Abraço!

  3. Gladiston

    Passei por aí em 2015 durante uma viagem de carro entre Brasília e Recife, não conheci nem 1/10 dos atrativos da chapada, mas só em cortá-la pela BR-242 já deu pra ter uma ideia da magnitude da paisagem e dos sentimentos que ela te passa. Me lembra muito as paisagens místicas do Grande Sertões Veredas do Guimarães Rosa. Vou fazer esse trajeto (BSB-REC) novamente em breve, dessa vez ficando mais dias em Lençóis e em Delmiro Gouveia-AL.

    Venha dar um pulo na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Conheço bem a região, o Parque Nacional é um recorte muito preservado do nosso Cerrado, possuindo diversas atividades eco-turísticas e esotéricas – para os mais sensitivos, rsrs. Pra quem mora em BSB é um pulo, tipo Recife – Caruaru.

    • Oi, Gladiston! Tou com muita vontade de ir na Chapada dos Veadeiros, sim! Quem conheço que já foi me falou que sentiu muito essa vibe mais mística do lugar; acho interessante :) E que delícia cortar o Brasil assim; preciso viajar mais de carro pelo país! Um abraço e obrigada pelo comentário :)

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