Viajantes

Casal de músicos dá a volta ao mundo de kombi com as filhas e o cachorro

Um casal, duas crianças, um cachorro, muita música e uma kombi: misture tudo isso e o resultado vai ser uma viagem de volta ao mundo bem interessante. Contei lá no Instagram sobre meu encontro com Bardo e Fada, um casal gaúcho-catarinense, numa praia de Paraty. Eu tinha acabado de chegar e tava sozinha explorando a cidade quando Bardo (apelido de Ricardo) veio me perguntar o significado de uma das minhas tatuagens. Conversa vai, conversa vem, ele me chamou pra conhecer sua casa. “Mas como assim ‘casa’, se ele disse que tá só de passagem?”, pensei, pra logo depois descobrir que o lar dele atualmente é uma kombi, onde tem morado com a família enquanto explora o Brasil e, em breve, outros países.

Já seria uma história interessante só pela viagem em si, né? Mas ainda tem mais: Bardo e sua esposa, Fada (nome artístico de Vanessa) compraram a kombi e tão bancando a viagem com a grana que recebem tocando e cantando nas ruas por onde passam. Músicos desde crianças, eles fazem “uma mistura de rock, jazz e blues que acaba tendo nosso jeitinho próprio de ser”, como define Fada. Com figurinos numa temática meio estradeiros-steampunk-madmax, o casal chama atenção dos passantes, que colaboram com doações.

A empreitada começou em novembro de 2016 em Porto Alegre e já os levou por várias cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mas Fada conta que a sementinha do projeto nasceu desde que eles se conheceram, há 14 anos.

No ano passado, finalmente sentiram que era hora de realizar o sonho – ele com 34 anos, e ela 33. “Eu cresci na estrada: dos 6 aos 19 anos, viajei muito com minha família de artistas, mas era um pouco diferente, porque eu sempre voltava pra casa. Dessa vez minha casa está comigo, sobre rodas. Nosso objetivo é viver como nômades, sem morar em lugar algum e morando em todos os lugares”, diz.

Eles decidiram não esperar até ter a kombi pronta pra cair na estrada. Saíram com um carro emprestado e depois dos primeiros meses de viagem, aproveitando o movimento do litoral catarinense na alta temporada, conseguiram comprar a kombi, que aos poucos estão transformando em lar.

 

Quando os encontrei, em Paraty, já me impressionei com a organização e o bom aproveitamento do espaço; desde então, Fada conta que já melhoraram bastante a casa sobre rodas, que dividem com as filhas Mônica (8 anos) e Lavínia (12 anos) e o cachorro Rock (uma mistura de vira-lata com Beagle). “Colocamos piso, duas camas, uma cozinha portátil, armários… Mas ainda falta muita coisa; queremos instalar um painel solar, adesivá-la, comprar um gazebo”, explica.

Pra saber mais sobre essa viagem cheia de amor e música, dá uma olhada na minha conversa com Vanessa – ou melhor, Fada:

Por onde vocês ainda pretendem passar?

Pretendemos fazer o Brasil todo, América do Sul e depois Europa e EUA. A viagem não tem fim. Tentamos fazer com que esse roteiro fosse planejado, mas não funcionou. As coisas vão acontecendo no meio do caminho, vamos seguindo dicas das pessoas e às vezes descobrimos lugares que não são tão turísticos, mas são incríveis. Se não fosse assim acho que a viagem estaria muito quadradinha e não seria tão legal. A gente costuma passar no máximo de uma semana a 15 dias na mesma cidade, mas já ficamos um só dia e também já ficamos um mês. Varia muito conforme estamos ganhando grana, ou seja, nossa permanência depende se a cidade tá sendo boa pra nossa arte de rua.

Como as crianças fazem pra estudar na estrada? Elas se adaptaram bem a essa vida?

Elas estão fazendo homeschooling. Estudamos sobre a cultura e a história de cada lugar, além de lições de matemática, física, química, inglês e espanhol. Elas têm adorado esse estilo de vida, têm muita história pra contar aonde elas chegam. O que mais elas têm aprendido é a lidar com a diversidade de pessoas, conhecer climas diferentes, além de toda a questão geográfica, passando por lugares muito diferentes no nosso país.

Como vocês fazem pra carregar equipamentos eletrônicos e tomar banho?

Pra carregar equipamentos ainda temos que ir em restaurantes, posto de gasolina etc., mas vamos ter um painel solar em breve. Tomamos banho em postos de gasolina, hotéis e até em secretarias de cultura e igrejas.

Vocês comentaram que moravam numa casa enorme em Porto Alegre. É complicado viver em família num espaço tão pequeno?

Às vezes dá um ou outro conflito entre as crianças, mas a gente se dá muito bem, é muito gostoso. A gente gosta de estar junto e elas conversam com a gente de igual pra igual. Não as tratamos como criancinhas bobas que não entendem nada, porque acreditamos que toda criança tem muito potencial. Acabamos tirando de letra porque dormimos na Kombi, mas todo o resto se faz fora. Às vezes a gente come em restaurante, quando estamos muito cansados vamos pra uma pousada e ficamos em quartos separados, e também temos barracas e às vezes ficamos num camping pra cada um ter sua privacidade.

Qual foi o momento mais especial até agora?

Quando a gente chegou no Rio de Janeiro começamos a estudar mais sobre a história do Brasil, principalmente em Petrópolis, e foi um aprendizado incrível. Fomos ver o espetáculo Som e Luz e a Mônica (filha mais nova) teve uma epifania. Começou a chorar muito, disse que aquilo fazia parte dela e me agradeceu muito por estar trazendo ela pra lugares tão diferentes.

E o mais difícil?

Quando chegamos na cidade do Rio. Foi muito difícil ficar lá porque nos sentimos muito acuados, as pessoas viam que a placa da Kombi era de outro estado e queriam cobrar caro pra tudo, não conseguimos lugar pra dormir e passamos por um confronto entre a polícia e bandidos, com tiroteio, foi um terror. Amamos o interior do estado, mas achamos a capital muito cruel.

Qual a principal motivação pra essa viagem?

Achamos que o mundo é grande demais e tem muita coisa pra se conhecer. Mas o que mais nos motiva a estar fazendo isso é que gostamos de levar a música pra todos os cantos, principalmente lugares que não recebem muita arte. Adoramos cantar na segunda-feira, por volta de 11h, 12h, quando as pessoas estão nervosas, indo pra o trabalho, pagando contas… E de repente se deparam no meio da rua com um mini espetáculo, todo figurinado, com muita alegria. É o que a gente mais ama fazer.

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Fada e Bardo vivem na estrada e sua renda vem da colaboração de pessoas que colocam moedas na cartola deles na rua, ou na cartola virtual. Você pode contribuir com o trabalho da dupla através do PagSeguro e também pode acompanhar a viagem pelo Instagram e pelo Facebook, além de conferir músicas e clipes no canal deles no Youtube.

Com exceção da foto em destaque no topo, que é de minha autoria, as imagens usadas nesse post pertencem ao arquivo pessoal de Fada e Bardo.

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