Pernambuco

Fernando de Noronha: o que você precisa saber antes de ir

Não compare sua viagem à do amiguinho. Isso é verdade pra qualquer destino, mas especialmente naqueles onde a natureza dita as regras, como é o caso de Noronha. Aquele seu brother pode ter visto um pôr do sol incrível na Praia do Cachorro, aí você chega por lá numa época em que ele não desce tão charmoso nesse lugar. Você, por outro lado, pode conseguir mais visibilidade pra ver o naufrágio no Porto, enquanto aquela sua prima não conseguiu. E assim por diante. A natureza tem seu tempo e não vai necessariamente encaixar no seu cronograma, e a nós cabe respeitar.

A graça é que, a não ser que você tenha muito azar e pegue dias inteiros de chuva forte, sempre vai ter um punhado de belezuras pra compensar o que quer que você tenha “perdido”. E sempre vai ter a chance de, quem sabe, voltar outra vez (ou várias) pra experimentar tudo que o arquipélago tem a oferecer. Afinal, existem muitas Noronhas em uma só: a romântica, a das trilhas, a relax, a “educativa”…

E tem a Noronha de quem vive por lá, que pelo que vi e ouvi, me decepcionou. Apesar das taxas caras que todo visitante é obrigado a pagar, o dinheiro não fica necessariamente na Ilha, sendo usado pelo Governo de Pernambuco sei lá como. É uma pena ver o desleixo em vários lugares, desde buracos nas ruas e calçadas e placas velhas e quebradas a casinhas paupérrimas e hospitais e escolas que deveriam ser “modelos” e não o são. Tudo é muito caro em Noronha e aparentemente quem mora lá e não tem um negócio superlucrativo vive com pouco.

Ainda vou publicar uma penca de posts falando das praias e passeios, mas first things first: o que você precisa saber na hora de se planejar pra visitar esse paraíso? Dá uma olhada nas dicas aí embaixo e, se tiver mais dúvidas, grita aí nos comentários! :)

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Quando ir?

A maior preocupação da maioria dos serumaninhos ao planejar viagens pra destinos de praia tende a ser o clima, né? Felizmente, em Noronha faz sol na maior parte do ano. Costuma chover entre março e julho, mas pode haver exceções: peguei umas chuvinhas no início de fevereiro, e conheço gente que foi em julho e aproveitou a maior parte dos dias com tempo bom.

Na baixa temporada, de abril a junho, os preços tendem a ser mais baixos, então pode valer a pena arriscar. Como é de praxe, dezembro, janeiro e julho são os meses mais movimentados (e caros) na ilha – com destaque pra o badaladíssimo Ano Novo.

Se você tem o luxo de escolher qualquer época do ano pra visitar Noronha, vale levar em consideração outra questão: as condições do mar. Pra quem é como eu e adora mar calminho, tipo piscina, e tá empolgado pra mergulhar, os melhores meses são agosto e setembro.

Pra quem quer surfar, o período ideal é de dezembro a março. Infelizmente, calhei de ir nessa época de mar agitado – além de ficar com medo de me banhar em algumas praias, não fiz mergulho de cilindro porque a visibilidade tava ruim no porto, de onde saem as opções mais baratas. Mas com essas paisagens lindas não tem nem como reclamar. <3

Quanto tempo ficar?

Costuma ser caro chegar a Noronha, então vale a pena passar uns bons dias lá pra valer o investimento – apesar de ser preciso pagar uma taxa por cada dia de estadia também. O tempo que você vai passar depende dos seus objetivos: se a vibe é só dar uma geral na ilha ou ficar só pegando sol na areia das principais praias, alguns dias são suficientes, mas se você quer fazer muitas trilhas e criar uma rotina de ilhéu frequentando várias vezes os mesmos points, vai arranjar o que fazer durante pelo menos uma semana.

Eu cheguei numa quarta às 15h e fui embora às 13h do domingo, totalizando três dias inteiros e dois partidos. Consegui, sem muito aperreio, ver quase tudo que queria e fazer os passeios “principais”. Mas se pudesse, teria passado mais tempo, especialmente porque algumas atividades que eu queria fazer dependiam da maré baixa, então tinha que escolher uma dessas coisas por dia. Com pelo menos cinco dias inteiros daria pra curtir as praias com mais tranquilidade (vulgo preguiça) e fazer trilhas.

Quanto vou gastar?

Falei sobre esse assunto em mais detalhe nesse post, mas vou direto ao ponto: numa viagem de quatro dias nem tão econômica, mas com poucos luxos, gastei R$ 2 mil sem contar com as passagens. Dá pra gastar menos? Sim. E mais? Com certeza.

Onde ficar?

Fiquei hospedada na Vila dos Remédios, que é tipo o centrinho da ilha, e achei excelente. Você vai ficar a poucos minutos de caminhada de praias como a do Cachorro, do Meio e da Conceição, vários restaurantes, agências de turismo, banco Santander, associação de taxistas, Correios, vida noturna…

Outras boas opções são a Vila Floresta Nova, que fica do outro lado da estrada, e a Vila do Trinta, onde você encontra pousadinhas em conta, restaurantes mais simples e um supermercado legal (pra os padrões da ilha).

Também tem quem prefira ficar mais “isolado”, nas pousadas luxuosas à beira-mar ou na Praia do Sueste, por exemplo. A partir dessas localizações não dá pra fazer muita coisa a pé, mas tem ônibus, táxis e a possibilidade (cara) de alugar buggy. Em outro post, vou falar mais sobre a pousada onde fiquei e outras opções em diferentes faixas de preço. ;)

Como se deslocar por lá?

Quando você chegar ao aeroporto, provavelmente vai ser abordado por alguma agência oferecendo transfer gratuito. Eu já tinha lido em alguns blogs um conselho que repito: não vale muito a pena aceitar esse traslado, porque normalmente ele incluirá uma parada na sede da agência pra tentar vender pacotes. Um táxi do aeroporto à Vila dos Remédios custa, hoje, R$ 25 – valor meio alto pela distância, mas bem OK se você considerar os preciosos minutos que vai poder gastar na praia ou vendo o pôr do sol em algum lugar lindo assim que chegar.

Pra andar de táxi pela ilha, você pode ligar pra Associação Noronhense de Taxistas (Nortax), que fica na Vila dos Remédios e trabalha com preços tabelados: (81) 3619-1314. Outra opção é usar os micro-ônibus que vão do Porto à Praia do Sueste, com saídas a cada 30 minutos, e atualmente custam (absurdos) R$ 5. Eles deixam os passageiros perto do agito da Vila dos Remédios, do Porto e do Sueste, mas pras outras praias é preciso descer na estrada e caminhar um bocadinho – pra chegar à Cacimba do Padre, por exemplo, foram uns 20 minutos numa estradinha de barro sem graça.

Se preferir alugar um buggy, prepare-se pra pagar uns R$ 250 por diária e R$ 5 pelo litro de gasolina. Se for apostar nas suas pernas, prepare-se: Noronha é cheia de subidas e descidas, com umas pedras que exigem um pouco de atenção (especialmente pra quem caminha de chinelos, como provavelmente será seu caso). Nada de outro mundo, mas se você tiver algum problema de locomoção vale ficar ligado – e se o problema for sedentarismo, vale preparar o psicológico mesmo. :P

O que levar?

Repelente

Eu adoro praias e vou sempre que possível, mas algo que nunca tinha feito era passar repelente durante o dia. Em Noronha, no entanto, esse item é quase tão importante quanto o protetor solar. No fim de tarde e nas trilhas é pior, claro, mas mesmo com o sol ainda alto é possível sofrer um pouquinho com os mosquitos.

Dinheiro

Cada vez mais estabelecimentos aceitam cartão de crédito e débito em Noronha – alguns dos bares que eu tinha lido que não aceitavam em 2015 já tavam aceitando esse ano, por exemplo. Chegando lá, é possível sacar dinheiro numa agência do Santander, na Vila dos Remédios, ou em caixas do Banco 24 Horas no aeroporto. Também me informaram que quem tem conta no Banco do Brasil ou no Bradesco pode usar a agência dos Correios, na Vila dos Remédios.

Ainda assim, é bom levar uma quantidade razoável de dinheiro vivo, porque já ouvi histórias em que o sistema de vários bancos tava fora do ar durante uma estadia inteira, e muitas pousadas domiciliares, passeios e bares mais simples só trabalham com dinheiro. Sem contar que basta uma chuva mais forte pra todas as máquinas de cartão da ilha saírem do ar, como pude testemunhar.

Protetor solar

Não lembro onde li essa dica, mas foi minha salvação: além de passar sempre protetor solar em todas as partes do corpo expostas, como você faria em qualquer praia ou destino ensolarado, quando for fazer snorkeling (ou seja, quase todo dia) dê especial atenção à parte de trás do seu corpinho. Bunda, nuca, a parte de trás das pernas e orelhas podem ficar bem queimadas enquanto você boia distraído procurando bichos marinhos.

Óculos escuros e chapéu

Isso é o de praxe, né? Só não vai se esquecer, pelamordedeus, porque se tiver que comprar lá o investimento vai ser alto.

Bolsa térmica

Essa dica é pra os farofeiros econômicos de plantão. :P Como os preços das bebidas e comidas nos bares de praia costumam ser altos e algumas das praias não têm nenhuma estrutura de barracas, pode ser uma boa você levar na mala uma bolsa térmica que não ocupe muito espaço.

Chegando lá, é só se abastecer de mantimentos no supermercado, descolar um gelo e #partiupraia. Vi muita gente fazendo isso, e até os mais prevenidos que levavam ainda guarda-sol e esteira, pra não pagar pequenas fortunas pra se sentar sob a sombra. Não sei se levaram o guarda-sol no avião, mas acho digno.

Snorkel

Noronha é tão bonita embaixo d’água quanto na superfície, e em muitos lugares uma máscara de mergulho e um snorkel são suficientes pra explorar esse mundo submarino – com direito a boiar juntinho de tubarões, tartarugas e outros animais simpáticos. Alguns dos passeios incluem o empréstimo do kit, que às vezes inclui também pés de pato, e também é possível alugar o equipamento por R$ 20 a diária.

Se você vai passar muitos dias ou pretende fazer snorkeling com frequência pós-Noronha, pode compensar comprar o seu próprio conjunto antes de viajar. Eu não comprei porque não encontrei nenhum que prestasse por menos de R$ 200, mas seria bom não me preocupar com quem já colocou a boca naquele troço. :P

Tênis ou papete

Esses itens não são absolutamente essenciais, especialmente se você for numa vibe mas “sombra e água fresca”, mas pra fazer trilhas e chegar a praias com o acesso um pouco mais complicado, como a Baía dos Porcos, chinelos não são a melhor opção. Em um dos dias, fui de tênis e levei o chinelo na bolsa pra trocar depois da fase mais aventureira do percurso (na verdade eram só algumas pedras, mas não era difícil escorregar e se machucar bastante). Seria uma boa ocasião pra usar uma papete, aquelas sandálias meio feiosas que deixam o pé bem preso e costumam ter solados feitos pra caminhadas.

Câmera à prova d’água

Taí um lugar pra fazer o investimento numa GoPro valer a pena, viu? Usei umas duas ou três baterias por dia, somando as fotos ~subaquáticas~ em águas que mais pareciam piscinas e as imagens que não teria coragem de fazer com minha DSLR pra não sujeitá-la a um banho de água salgada. Ou seja: se você tiver alguma câmera que possa ser usada embaixo d’água, não se esqueça de colocá-la (junto com os respectivos apetrechos) na sua listinha pra mala. Se você não tiver uma, recomendo alugar por lá, por pelo menos um dia.

Ah, detalhe importante: em algumas praias não é permitido entrar na água com bastão de selfie ou o bastão extensível da GoPro, então é importante ter uma alça, bastão flutuante ou outro artifício pra você não correr o risco de derrubar a câmera no mar enquanto segura só pela caixinha protetora.

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